Câmara de Mogi é favorável à regressão da cidade para a fase vermelha
A grande maioria dos vereadores da Câmara de Mogi aprova a decisão do prefeito Caio Cunha (PODE) e também defende mais rigor nas medidas de enfrentamento à pandemia. Na opinião dos parlamentares, apesar de ser impopular, a regressão da cidade para a fase vermelha, mais restritiva do Plano São Paulo, é o melhor caminho neste […]
02/03/2021 21h38, Atualizado há 65 meses
A grande maioria dos vereadores da Câmara de Mogi aprova a decisão do prefeito Caio Cunha (PODE) e também defende mais rigor nas medidas de enfrentamento à pandemia. Na opinião dos parlamentares, apesar de ser impopular, a regressão da cidade para a fase vermelha, mais restritiva do Plano São Paulo, é o melhor caminho neste momento em que a cidade está à beira de um colapso no setor de saúde.
Mesmo entendendo os apelos dos comerciantes, os vereadores, que fizeram questão de se manifestar a respeito durante a sessão desta terça-feira (2), acreditam que é preciso um entendimento e esforço de todos os setores do município neste momento em que, “mais importante do que a economia, é a preservação da vida”, frase repetida várias vezes nos discursos dos parlamentares.
O vereador José Francimário Vieira de Macedo (PL), o Farofa, chegou a sugerir que a Câmara tentasse intervir para pedir ao prefeito publicar o decreto após um período de 48 horas, “ tempo necessário para que os comerciantes possam se planejar, organizar as equipes de trabalhos, evitar problemas com perdas de estoque, especialmente quando se trata de ramo de alimentos, como os restaurantes e pizzarias”.
O pastor Osvaldo Antonio da Silva (Republicanos) também disse que é “contra o fechamento de templos religioso”. Ele alega que são nesses locais que as pessoas procuram refúgio e ajuda para casos de depressão e para muitas outras situações. Cita ainda os trabalhos sociais realizados por essas igrejas para ajudar a população mais vulnerável.
Porém, os colegas entendem que medida é de urgência e deve vigorar mesmo a partir desta quarta-feira, colocando a cidade na fase vermelha, que permite apenas o funcionamento de serviços essenciais até o próximo dia 8 de março.
Iduigues Martins (PT) destaca a preocupação com s ocupação de leitos nos hospitais da cidade, tanto públicos como os privados, que estão funcionando no limite de suas capacidades. “Concordo com a visão do prefeito mesmo sendo uma medida antipática, acho que todos têm que fazer sacrifícios, academias, escolas, templos. Tudo para salvar vidas”, destacou.
A vereadora Inês Paz (PSOL) endossa os argumentos e acha que a volta as aulas nas escolas estaduais ajudou nesse processo de aumento de casos de contaminação pela Covid-19. “Muitos professores que estavam se preservando foram contaminados”, observa a parlamentar, que também defende um programa municipal de renda emergencial em Mogi.
Surpresa
Mesmo defendendo as medidas mais restritivas adotada pelo prefeito Caio Cunha, os comentários de bastidores são de que alguns vereadores, especialmente os mais próximos, ficaram incomodados com a atitude do Chefe do Executivo, que usou as redes sociais para falar sobre o problema, antes mesmo de conversar com a Câmara.
Os vereadores estavam sabendo do aumento de casos da Covid-19, mas ainda não tinham conhecimento da ocupação máxima de leitos de UTI e elevação da demanda por atendimentos nos hospitais da cidade. Por isso ficaram “surpresos” com a live feita na noite de segunda-feira (1), junto com o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, para dizer que Mogi das cruzes está “à beira de um colapso”.
Eles só foram chamados para uma reunião com o chefe do Executivo na manhã desta terça-feira (2) com Caio Cunha, que reuniu os parlamentares para comunicar a decisão e pedir também celeridade nos projetos que aumentam a penalidade quem descumprir as regras do Plano SP, promover festas e aglomerações
O decreto municipal 19.916, publicado no final da tarde desta terça-feira (2), estabelece medidas restritivas excepcionais da fase 1 – vermelha do Plano SP em Mogi das Cruzes, com normas ainda mais duras que as previstas pelo Governo do Estado. Em meio a alta de internações e recorde de mortes, a partir desta quarta-feira (3), até a próxima segunda-feira (8), apenas os serviços essenciais (como supermercados, farmácias, postos de gasolina) poderão funcionar na cidade; veja lista abaixo.
De acordo com o texto, “o descumprimento do disposto neste decreto, sujeitará ao infrator as penalidades nas normas estaduais e municipais pertinentes”. Também fica vetada “a venda de bebidas alcoólicas em comércio varejista (lojas de conveniência) no horário compreendido das 6 as 20 horas”. Não foram divulgados detalhes de como será a fiscalização neste período, que deve desafiar as autoridades.
Vacinação
O esquema implementado pela Prefeitura de Mogi das Cruzes para vacinação na cidade também foi um assunto muito debatido durante a sessão pelos vereadores, que usaram a tribuna para criticar as filas enormes e falta de organização da Prefeitura para atender os idosos, que foram obrigados a enfrentar imensas filas para tomar a dose.
“Não houve organização, houve no mínimo uma falta de sensibilidade para com os idosos”, afirmou o vereador Edson Santos (PSD), que teve o apoio da Casa para aprovar o requerimento pedindo à Prefeitura para que sejam realizados agendamentos de horário para vacinação contra a Covid-19 para os idosos.
Na opinião do vereador, a medida vai possibilitar mais agilidade no atendimento e menor exposição aos idosos. Ele ainda sugeriu que os familiares também possam fazer os agendamentos ou retirar as senhas para o atendimento.