Cartaz ofensivo às pessoas com Transtorno do Espectro Autista em Mogi é criticado nas redes
Segundo um cartaz emitido pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, uma das 16 características do autismo é que as crianças que têm este espectro podem ser “agressivas e destrutivas”. Após a veiculação do material com estas e outras frases preconceituosas, a administração municipal recebeu reclamações. O prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE), pediu desculpas nas […]
07/07/2022 15h19, Atualizado há 49 meses
Segundo um cartaz emitido pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, uma das 16 características do autismo é que as crianças que têm este espectro podem ser “agressivas e destrutivas”. Após a veiculação do material com estas e outras frases preconceituosas, a administração municipal recebeu reclamações. O prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE), pediu desculpas nas redes sociais nesta quinta-feira (7).
“Pessoal, no desejo de conscientizar, de ajudar na causa das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), alguém da Secretaria de Educação fez um informativo com o mesmo conteúdo de um informativo de 2019 e colou em algumas escolas. Mas na verdade o conteúdo dele é até bem prejudicial, para não dizer preconceituoso. Nós já tomamos a devida providência aqui. Assim que ficamos sabendo pedimos para retirar e queria pedir desculpas a todas as mães, os pais, as crianças, as pessoas com TEA e dizer que isso não vai acontecer novamente. A gente tem trabalho muito por essa causa, inclusive construindo já uma clínica escola”, falou Cunha, em um vídeo publicado no Instagram e Facebook com a legenda “Minhas sinceras desculpas às pessoas com TEA”.
Nas redes sociais, porém, o prefeito não divulgou o cartaz atual, tampouco o referido material de 2019. Mas em outras páginas é possível encontrar o material, que lista “16 características do autismo, transtorno de desenvolvimento que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social”.
Confira, a seguir, todos os itens elencados pelo cartaz: “Fala ruim ou ausência de fala; não mantém contato visual; comportamento indiferente e arredio; age como se fosse surdo; risos e movimentos inapropriados; acentuada hiperatividade; apego não apropriado a objetos; usa as pessoas como ferramenta; resistente ao aprendizado; pode ser agressivo e destrutivo; resistente a contato; não se mistura com outras crianças; gira objetos de maneira bizarra e peculiar; sensibilidade a alguns sons; resistente a mudança de rotina; não demonstra medo de perigo”.
Já o Governo do Estado de São Paulo possui uma extenso “Protocolo de Diagnóstico Tratamento e Encaminhamento de Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, onde consta a seguinte definição:
“Transtorno do Espectro Autista é um termo que engloba um grupo de afecções do neurodesenvolvimento, cujas características envolvem alterações qualitativas e quantitativas da comunicação, seja linguagem verbal e/ou não verbal, da interação social e do comportamento caracteristicamente estereotipados, repetitivos e com gama restrita de interesses. No espectro, o grau de gravidade varia de pessoas que apresentam um quadro leve, e com total independência e discretas dificuldades de adaptação, até aquelas pessoas que serão dependentes para as atividades de vida diárias (AVDs), ao longo de toda a vida”.
Em outro trecho,há uma passagem longa sobre o diagnóstico, que é “clínico, feito por meio de anamnese completa e observação da criança por profissionais qualificados”. Durante a observação de comportamentos, são analisadas “características centrais: alterações quantitativas e qualitativas de comunicação verbal e não verbal, da interação social e comportamentos restritos e repetitivos”. Para ler o material na íntegra, clique aqui.