César de Souza: um vetor de crescimento de Mogi
A aprovação de loteamentos e construção de condomínios e edifícios em ruas e avenidas de Jundiapeba, Vila Moraes, Divisa e até o Mogilar seguirão alterando radicalmente a paisagem urbana e criando novos bairros a médio e longo prazo na cidade que se mantém como destino de destaque na Região Metropolitana de São Paulo por oferecer […]
01/09/2022 10h34, Atualizado há 47 meses
A aprovação de loteamentos e construção de condomínios e edifícios em ruas e avenidas de Jundiapeba, Vila Moraes, Divisa e até o Mogilar seguirão alterando radicalmente a paisagem urbana e criando novos bairros a médio e longo prazo na cidade que se mantém como destino de destaque na Região Metropolitana de São Paulo por oferecer boa localização, infraestrutura viária e de serviços, quando comparada com outros municípios, inclusive, no próprio Alto Tietê. Apesar dos projetos para outras áreas serem algo concreto, com trâmites para obtenção ou liberação de licenciamentos, o distrito de César de Souza segue como um vetor de crescimento possante.
Desde a década de 1980, o selo de “motor” para o desenvolvimento urbano na cidade referenciada por ter a segunda maior extensão territorial (721 quilômetros quadrados) na Região Metropolitana, atrás apenas da capital, São Paulo, já era de César de Souza por qualidades e características como topografia, preço do metro quadrado – que já se valorizou e deverá ser ainda mais valorizado com as obras púlicas dos programas Viva Mogi I (em licitação e execução) e II (em fase de busca de financiamento, e a possibilidade de contar com uma estação de trem de passageiros em algum momento do futuro.
Desde os anos 2000, a chegada de empreendimentos térreos e verticais conduziu o distrito a uma expansão acelerada, acompanhada pela chegada de empreendimentos comerciais (supermercados, lojas de móveis, farmácias, rede de fast food, escolas e outros serviços) e industriais, além da TV Diário que ali mantém sua sede.
Lançamentos e projetos que começam a ser executados e divulgados vão modificar ainda mais o perfil do lugar onde residem cerca de 46 mil moradores, e trabalha boa parte da mão de obra formal mogiana. Não é possível precisar datas, porque esses planos dependem do humor da economia e do mercado imobiliário. Porém, o desenho do amanhã, nestas áreas, está estabelecido pela pressão por moradia exercida por quem vive na capital. Por isso, o pelo poder público blindou algumas regiões de César, no Plano Diretor, para a contenção do crescimento em corredores ambientais, e deverá estimular, por outro lado, a ocupação de áreas como o ponto final da avenida João XXIII até a região do Conjunto Jefferson, ao qual foi imposto um isolamento que se mostra prejudicial para a atenção à comunidade que ali reside. “César continuará esse processo de expansão”, resume o secretário municpal de Planejamento e Urbanismo, Cláudio de Faria Rodrigues, lembrando que as obras públicas, novas vias, viaduto, e a interligação do anel viário, vai provocar a ocupação de outras áreas na região da avenida Presidente Castelo Branco. Por ali também irá surgir, um novo parque na região do Brejinho de César.
Duas vezes mais
Apenas em um desses programas, o Reseva Itapety, que tem prazo de conclusão para o pleno desenvolvimento em 30, 40 anos, o plano inicial autorizado em audiência pública realizada em São Paulo, em 2009, projetava a chegada de 100 mil moradores – mais do que o dobro do que o total de moradores do distrito, sem contar o número de negócios que poderão ser gerados nas terras do empreendimento da Helbor e Alden.
O número de base do total de moradores de César deverá ser atualizado pelo Censo e poderá surpreender porque os dados usados atualmente ainda são do Censo Populacional de 2010 – 12 anos já se passaram e, nesse período, houve o incremento da ocupação dos prédios que verticalizaram o distrito e trouxeram realidades preocupantes como o aumento da lentidão do trânsito, e auspiciosas, por outro lado, com a abertura de negócios e serviços que passaram a gerar renda e emprego por ali mesmo.
Quase uma cidade
Um loteamento fechado de alto padrão promete uma intensa participação no crescimento urbano de Mogi das Cruzes está localizado no terreno conhecido por ter abrigado da Fazenda Rodeio, da Suzano, a partir do desenvolvimento do projeto Reserva Itapety, surgido da união entre as famílias Feffer, da Suzano, e Borenstein, da Helbor.
Em área com cerca de 1,4 milhão de metros quadrados, o empreendimento será executado em fases e teve as obras iniciadas na propriedade localizada ao lado do trecho inicial da via perimetral, entre César de Souza e o Rodeio.
A abertura de ruas e construção de uma estação própria de tratamento de esgoto são acompanhadas por quem passa pela região que receberá os primeiros moradores dos 704 lotes que serão vendidos, inicialmente, e tem 2025 como prazo para a entrega da primeira fase das unidades residenciais do eixo Fazenda Itapety.
Objeto de curiosidade desde 2009, quando uma audiência pública, em São Paulo, aprovou o projeto, o Reserva Itapeti irá ocupar o imóvel antes usado no plantio de eucaliptos, na Serra do Itapeti. Uma das previsões sobre o total de moradores para a região era de 109 mil pessoas – ou seja, maior do que a grande parte das cidades brasileiras.
Além de prever a ampliação de mais uma faixa na avenida Pedro Romero (que hoje tem uma faixa no sentido centro e duas para quem vai para o bairro) e a construção de um viaduto para a entrada de moradores, visitantes e trabalhadores ao residencial, o empreendimento, a título de compensação ambiental, terá de preservar cerca de 5 milhões de m² de remanescentes da Mata Atlântica. Para isso, vai abrigar a Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN) do Botujuru, e o Parque Linear do Ribeirão Botujuru, que será aberto ao público, segundo Henrique e Henry Borenstein, fundador e presidente da Helbor Empreendimentos S/A.
A apresentação ao mercado do projeto ocorreu em julho passado. Foram 13 anos entre a aprovação do projeto e o anúncio das vendas dos lotes que terão metragem a partir de 420 m². A projeção para o desenvolvimeto desse empreendimento é de décadas (veja reportagem às páginas 16 e 17). Tempo considerável para o poder público e cidade se prepararem para remediar os impactos do crescimento que hoje já penalizam diariamente os moradores de César.