Chacina do Caputera completa sete anos sem respostas
Há sete anos Lucimara dos Santos sofre pela ausência do filho, Christian Silveira. Em janeiro, mês em que ele foi assassinado, a tristeza é ainda maior. Aos 17 anos, Christian foi morto em Mogi das Cruzes no caso que ficou conhecido como “chacina do Caputera”, no dia 24 de janeiro de 2015, e que, até […]
30/01/2022 19h22, Atualizado há 55 meses
Há sete anos Lucimara dos Santos sofre pela ausência do filho, Christian Silveira. Em janeiro, mês em que ele foi assassinado, a tristeza é ainda maior. Aos 17 anos, Christian foi morto em Mogi das Cruzes no caso que ficou conhecido como “chacina do Caputera”, no dia 24 de janeiro de 2015, e que, até agora, não foi esclarecido. No episódio, ele estava na companhia dos amigos Ivan Marcos dos Santos Souza, de 20 anos, e Lucas Tomaz de Abreu, de 18, que também foram vítimas dos diversos tiros disparados por quatro homens encapuzados.
“O vazio que sinto pela perda do meu filho é diário, por mais que eu tente minimizar isso. Mas em janeiro, é tudo muito mais acentuado. Dias atrás eu precisei ir ao médico, porque o meu emocional fica muito debilitado e isso acaba interferindo na saúde. Há sete anos eu tento entender o que aconteceu. Eu quero saber o que aconteceu e não quero ser injusta com ninguém, mas quero saber quem matou meu filho”, diz Lucimara.
Esse caso, que aconteceu no Caputera, foi o primeiro de uma série de chacinas registradas na cidade entre novembro de 2013 e julho de 2015, quando 21 jovens foram assassinados. Apesar de ter sido o primeiro, é o único que não foi a juri.
Desde que as mortes começaram a acontecer, as suspeitas recaíram sobre policiais que integrariam um grupo de extermínio. Em agosto de 2019, os ex-PMs Fernando Cardoso Prado de Oliveira e Vanderlei Messias Barros foram a juri popular por assassinatos que aconteceram em 8 de julho de 2015, no Jardim Universo. Ainda naquele dia, Cardoso foi julgado por três assassinatos e uma tentativa em abril de 2014. Ele foi condenado a 132 anos e 5 meses de prisão em regime fechado, enquanto Messias a 85 anos e 5 meses.
Os policiais já tinham sido absolvidos em outros julgamentos, que aconteceram em novembro de 2018 e fevereiro de 2019. Na chacina do Caputera, Cardoso foi indiciado, mas o Setor de Homicídios da Polícia Civil de Mogi das Cruzes ainda segue com as investigações.
Em nota, o Ministério Público afirmou que “Por ordem do Excelentíssimo Senhor Doutor José Floriano de Alckmin Lisbôa Filho, 7º Promotor de Justiça de Mogi das Cruzes, informo Vossa Senhoria que o inquérito policial continua em trâmite e as investigações prosseguem. Os autos são físicos e não estão conosco, então não temos no momento informações mais detalhadas, mas a polícia continua realizando diligências para buscar elementos de autoria acerca dos crimes”.
“Nós escutamos as mesmas respostas desde 2015, mas precisamos de esclarecimentos. Muitas pessoas devem se questionar ‘o que vai mudar ela saber quem matou?’, mas quando tiram um filho da gente, a gente não sabe até onde isso vai. Eu tenho que agradecer por estar vivendo, mas essa insatisfação é diária e, talvez, eu fique buscando algo que me preencha e que me faça pensar que meu coração pode ser tranquilizado, mesmo sabendo que não há o que preencha essa falta que ele me faz. Naquele diz, não foi só o Christian que partiu, foi um pedaço meu, foi uma parte muito grande da minha vida”, lamenta Lucimara.
Ela conta que no último dia 23, o bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini relembrou as chacinas durante a missa na Catedral de Santana e homenageou as vítimas. As mães desses jovens foram fundamentais para que os casos ganhassem grande proporção, além de espaço na mídia. Depois disso, os assassinatos pararam de acontecer e essa união fez com que os policiais fossem a juri. Hoje, o movimento já não tem muita força, muito disso por essa demora na resolução do caso.
“O meu filho vai ter voz sempre, independente da quantidade de mães eu vou atrás. Vai passando o tempo e realmente vai desmotivando e têm as mães que já conseguiram, que os responsáveis já foram condenados. Mas, independente do que for, enquanto eu tiver um lugar para falar eu vou, porque senão, que vai falar pelo Christian?”, finaliza Lucimara.