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Ciesp decreta “intervenção” no Sindicato dos Metalúrgicos

Na condição de diretor regional do Ciesp, que à época era de Mogi das Cruzes (hoje é do Alto Tietê), Angelo Albiero mantinha com o Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi (que hoje é também de São Paulo) uma relação, digamos, pouco ou nada ortodoxa.  Em nome do bom relacionamento com as indústrias, quando já se […]

Por O Diário
10/07/2021 09h40, Atualizado há 61 meses

Na condição de diretor regional do Ciesp, que à época era de Mogi das Cruzes (hoje é do Alto Tietê), Angelo Albiero mantinha com o Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi (que hoje é também de São Paulo) uma relação, digamos, pouco ou nada ortodoxa. 
Em nome do bom relacionamento com as indústrias, quando já se falava em sindicalismo de resultados, o Ciesp costumava dar uma ajuda extra para a manutenção da entidade longe das garras da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, que sempre aspirou – mas nunca conseguiu – o comando do maior sindicato da região. Tão bom relacionamento, no entanto, foi interrompido quando, nas proximidades de uma eleição, a diretoria do sindicato acabou apresentando ao Ciesp, uma enorme dívida contraída durante aquele mandato, a qual teria de ser quitada, sob o risco de o grupo situacionista perder   o comando para a CUT.
Albiero, que observava, com  olhos de lince, os gastos da entidade de trabalhadores, ficou inconformado  com o “rombo”, pois teria de prestar contas de eventual cobertura aos representantes das indústrias que compunham o caixa extra do Ciesp para manter a aparente paz sindical.
Os diretores não conseguiram explicar onde teria ido parar todo aquele dinheiro. 
E foi então, que aconteceu aquilo que, em são consciência, ninguém imaginava que pudesse acontecer: uma intervenção branca no sindicato. O representante patronal indicou uma pessoa de sua mais estrita confiança para, simplesmente, auditar as contas do sindicato metalúrgico e encontrar a causa do tal “rombo”. E lá se foi o Joaquim – esse era o nome do “auditor” -, instalar-se numa das salas da sede da entidade, na rua Afonso Pena, na Vila Industrial, com carta branca da diretoria, para investigar as contas e tentar descobrir  a real causa do desfalque. 
O trabalho não foi fácil. O “auditor” permaneceu na sala por mais de duas semanas avaliando documentos, contratos, notas e afins, com direito a água gelada, cafezinho e até uma secretária, encarregada de entregar a ele todos os documentos solicitados para que o trabalho chegasse a um bom termo. 
Por fim, o que se soube foi que não teria havido uma causa específica para o “buraco”, mas um conjunto de descontrole nos gastos que acabou levando àquela situação de crise. De posse de cópias das informações/documentações, os problemas foram resolvidos com a preciosa ajuda  dos empresários e o grupo pôde ir mais tranquilo para as eleições daquele ano., que viriam a ser uma das mais difíceis do período. E, novamente, o setor patronal teve de intervir para assegurar a vitória do grupo formado por velhos sindicalistas, quase todos já falecidos, assim como o diretor Angelo Albiero, que marcou com fatos inéditos, como o que foi contado, a sua administração. Eram outros tempos, em uma outra época, pródiga em histórias e, por isso mesmo, saudosa para muitos.

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