Com baixa nas vendas, comerciantes temem a “terceira onda”
“Se houver uma terceira onda, vai ser muito difícil. Vai ter muita gente fechando definitivamente”. A frase é de Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região, que mostra que tanto o pequeno como o médio empreendedor não aguenta mais as imprevisibilidades da pandemia e do Plano SP de […]
28/05/2021 15h38, Atualizado há 60 meses
“Se houver uma terceira onda, vai ser muito difícil. Vai ter muita gente fechando definitivamente”. A frase é de Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região, que mostra que tanto o pequeno como o médio empreendedor não aguenta mais as imprevisibilidades da pandemia e do Plano SP de Retomada Econômica. Nem mesmo datas especiais, como o Dia das Mães ou o Dia dos Namorados, são suficientes para melhorar o quadro.
Nesta quinta-feira (27), O Diário mostrou que a Junta Comercial apontou 82 baixas de empresas de Mogi em 2021. Além deste número, segundo a presidente da Associação Comercial de Mogi, Fádua Sleiman, 70% dos empresários de Mogi estão endividados.
Outros dados importantes de serem considerados são os do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelam saldo positivo para Mogi em abril, com 670 vagas – quase metade do saldo da região, que ficou em 1.491 empregos criados. Para o economista Claudio Costa, isto indica boas notícias e algumas preocupações (leia mais).
Em meio a este cenário, para Valterli, do Sincomércio, fica cada vez mais difícil para que os lojistas saiam do cenário crítico. “O comércio está muito abaixo do número que necessita de vendas”, diz ele, que lamenta os números atuais. Em 2021, os índices de vendas estão “entre 25 e 30%” do que foi registrado no mesmo período em 2019.
“Com 70% a menos, dá para manter a loja aberta e pagar contas essenciais, o que não é o suficiente”, avalia ele, que entende que a crise não atinge somente o comércio.
Bares e restaurantes, por exemplo, contavam com o fim da fase de transição do Plano SP para funcionarem após as 21 horas no Dia dos Namorados, mas foram pegos de surpresa pela renovação da prorrogação das restrições até o dia 14 de junho, anunciada por Doria nesta quarta-feira (26).
O Dia das Mães, tido por alguns empresários como “a segunda data mais forte do ano”, perdendo apenas para o Natal, registrou certo crescimento, mas “não o que o comércio precisava”.
Ao fazer essa afirmação, Valterli cita dados do Caged. “O quadro de funcionários foi mantido, mas com as vendas baixas, os comerciantes estão no limite máximo de contratação. E eles precisariam ter mais funcionários, para fazer o quadro rodar. A situação é agravante, e ainda temos medo da terceira onda”.
Já para o Dia dos Namorados, quando a procura por itens variados também costuma subir, a expectativa é positiva, embora modesta. “Pelo menos melhor do que foi em 2020, quando o comércio voltou a funcionar exatamente no dia 12 de junho, e não houve tempo hábil para vender”, espera o presidente do Sincomércio, que prefere ser realista. “Não haverá movimento excepcional, porque a população enfrenta a queda do valor da moeda, a perda econômica”.
Valterli continua, dizendo que “quanto menor o poder aquisitivo”, menos frequentes serão as vendas. “Com essa bola de neve, os setores que movimentam a cidade, como as lojas, os bares e os restaurantes, ficam todos parados. E infelizmente isso deve continuar até que cerca de 70% da população esteja vacinada”, acredita.
No cenário atual, Valterli reafirma que só é possível “se manter”. “Os comerciantes já perderam a saúde financeira com a última onda de Covid-19. Em março, tivemos queda de 10% em relação ao mesmo mês de 2020. Isso é pior do que horrível”.
Contra o lockdown
Assim como fez em março, o Sincomércio voltou a protocolar “nas prefeituras de Mogi, Suzano e outras cidades da região” um documento “dizendo não ao lockdown em uma hora dessas”.
“Informamos que achamos que problemas como festas clandestinas têm que ser combatidos com informação e controle. O comércio está bem seguro na transmissão do vírus. Tivemos de 6 a 7% de funcionários infectados. E talvez quem contraiu a Covid tenha sido no transporte público, lotado”.