Comissão de Vereadores quer buscar solução para ameaças de despejo no Dr. Arnaldo
A Câmara de Mogi das Cruzes decidiu instalar uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para buscar solução para as famílias de moradores na área do hospital Dr Arnaldo Pezzuti Cavalcante, em Jundiapeba, ameaçadas de despejo pelo Governo do Estado. O grupo de parlamentares também quer discutir a preservação do patrimônio arquitetônico e melhorias no cemitério […]
02/08/2023 18h14, Atualizado há 36 meses
A Câmara de Mogi das Cruzes decidiu instalar uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para buscar solução para as famílias de moradores na área do hospital Dr Arnaldo Pezzuti Cavalcante, em Jundiapeba, ameaçadas de despejo pelo Governo do Estado. O grupo de parlamentares também quer discutir a preservação do patrimônio arquitetônico e melhorias no cemitério construídos no local.
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O projeto que cria o novo colegiado, apresentado pelo vereador Iduigues Martins (PT), foi aprovado por unanimidade em sessão realizada pela Câmara nesta quarta-feira (02). O parlamentar lembrou a história do Dr Arnaldo, conhecido como leprosário Santo Ângelo, hospital colônia fundado em 1928 para receber os portadores de hanseníase, que eram afastados do convívio social, apartados de suas famílias e obrigados a viverem isolados.
A medida foi adotada pelo governo na época porque, diferente do que acontece hoje, não havia tratamento para a doença, que estava se disseminando pelo país. O Estado construiu uma espécie de cidade para manter os moradores no espaço, onde foram erguidos teatro e igreja, área de lazer e a vila com casas para os pacientes e seus descendentes, hoje ameaçadas pelo Estado, que quer retomar os imóveis.
Muitos deles se casaram, tiveram filhos, que continuaram a viver ali. Poucos ainda são remanescentes daquela. Nos últimos meses começaram a receber os avisos para devolver as casas, mas acham que isso é uma injustiça e acham que o Estado tem “uma dívida moral” com eles, pela história das famílias.
O vereador concorda e por isso quer entender todo esse processo “A Casa tem interesse em solucionar esse problema ligado ao hospital do Santo Ângelo, o Dr Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, porque tem centenas de pessoas que hoje vive uma incerteza sobre as suas moradias, e Câmara Municipal quer abraçar essa situação e buscar uma solução”, disse ele.
De acordo com Iduigues, a CEV pretende buscar uma solução junto ao governo do Estado de São Paulo e à Secretaria de Saúde do Estado , além da Secretaria Municipal de Habitação de nossa cidade.
“Queremos buscar uma solução também para a riqueza que é aquele lugar, que já foi uma mini cidade. Lá tem um teatro maravilhoso que está abandonado, um conjunto arquitetônico igreja é área de lazer que está lá e a cidade de alguma maneira está perdendo, o que é lamentável.
A Comissão também quer encontrar maneiras de melhorar a “situação lamentável” em que se encontra o cemitério construído nas proximidades, que tem dezenas de pessoas sepultadas e está literalmente abandonado.
A decisão de retomar as casas foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde. “Após o falecimento do paciente, que possui concessão ao uso exclusivo da moradia, os familiares são orientados a devolver o imóvel para o Estado”, informa. A Procuradoria Geral do Estado esclarece que, em ação judicial, os autores pretendiam que o Estado mantivesse, em caráter vitalício, suas residências situadas no hospital, no entanto, foi julgada improcedente, tendo a decisão transitado em julgado, ou seja, não cabe mais recurso”.