Coronel Boteco coloca o ponto à venda, na Norival
Após sete anos de atividades junto à Praça Norival Tavares, no Parque Monte Líbano, em Mogi das Cruzes, o proprietário do Coronel Boteco anunciou que está passando o ponto, em razão das dificuldades enfrentadas nos últimos tempos, por conta da pandemia do novo coronavírus. Por meio de nota publicada numa rede social da casa noturna, […]
10/03/2021 17h09, Atualizado há 65 meses
Após sete anos de atividades junto à Praça Norival Tavares, no Parque Monte Líbano, em Mogi das Cruzes, o proprietário do Coronel Boteco anunciou que está passando o ponto, em razão das dificuldades enfrentadas nos últimos tempos, por conta da pandemia do novo coronavírus.
Por meio de nota publicada numa rede social da casa noturna, o proprietário Tiago Zaghi Chagas afirma que “é com muita tristeza e pesar que informamos a todos que estamos passando o ponto Coronel Boteco”.
Segundo a nota, “depois de sete anos de atividades e muita história, ficou praticamente impossível nos manter em funcionamento com todas as adversidades que vêm nos acometendo”.
“Tentamos, lutamos e seguimos lutando para manter nosso sonho vivo, mas, infelizmente, não conseguiremos manter o Coronel em funcionamento nos próximos meses”, diz a nota, que conclui: “Uma triste realidade que atingiu a todos os comerciantes, principalmente os bares e restaurantes”.
O responsável pela casa que, em tempos de normalidade, era um dos pontos de encontro mais concorridos daquela região da cidade, também agradece “a todos os parceiros, clientes, amigos e músicos que sempre estiveram ao nosso lado, fazendo parte dessa história linda do Coronel Boteco”.
Movimento
Segundo o proprietário do estabelecimento, após mais de um ano convivendo com os problemas provocados pela pandemia e seus efeitos, “não dá mais para segurar” e, por isso mesmo, decidiu passar o ponto antes que as dívidas se acumulem e se tornem impagáveis.
Por enquanto, elas são poucas e perfeitamente saldáveis, caso o local continuasse a receber o mesmo movimento de anos anteriores à pandemia, quando Tiago chegava a faturar até R$ 220 mil a cada mês. Com a chegada do novo vírus, o movimento foi minguando até reduzir tal faturamento a menos da metade, nos primeiros meses deste ano.
O proprietário conta que tentou reduzir os prejuízos adotando o sistema delivery, mas como precisa arcar com o aluguel do imóvel, mais salários de funcionários, não viu outra alternativa senão passar o ponto.
Até agora, segundo ele, nenhum funcionário foi demitido, “pois não acho justo botar na rua quem esteve comigo sempre”.
Desde que anunciou a venda do ponto, pelo menos quatro interessados já se apresentaram, mas Tiago é cauteloso diante dos virtuais compradores.
“Depois de ver o dinheiro na conta é que dou o negócio como fechado. Aí sim, depois de pagar as dívidas, quitar os direitos dos funcionários, e com tudo resolvido, é que eu acredito”, diz ele, que, por enquanto, continua mantendo os pés no chão.
“Infelizmente, tive de ser realista. Após um ano empurrando com a barriga, decidi passar o ponto, que é maravilhoso”, conclui diante das dúvidas sobre a eficiência e disponibilidade das vacinas e o tempo que ainda deverá levar para que tudo volte à normalidade.
E enquanto negocia, esperando fechar o negócio, mantém o bar dentro das regras estabelecidas pela fase vermelha do Plano São Paulo.
Lamentos
A notícia da venda do ponto do Coronel Boteco no Facebook provocou inúmeras reações do público frequentador do local, a maioria se lembrando de encontros e lamentando a decisão.
“Sinto muito por este acontecimento! Estarei rezando para que o melhor possa acontecer a todos vocês! Agradeço por terem proporcionado maravilhosos e incríveis momentos neste lugar. Sentirei falta das coxinhas”, postou Maria Tereza Campetelli.
“Lamento profundamente… Sei na pele tal dificuldade”, disse Thaís Marshall. “Muito triste isso”, afirmou Marcos Domingues.
Tatiana Cristina lembra-se de quando foi ao Coronel com a amiga Jéssica Rosa para comer uma costelinha de porco “servida em um porquinho de barro”. “Um verdadeiro charme de barzinho”, atesta.
Já Elton Santana lamenta: “Que triste culpa de governo que só pensa nos seus interesses e não procura ajudar as pessoas que têm um comércio”.
“Para tudo tem um recomeço, menos para quem perdeu a vida. Força!!!” – diz Robson Luc, entre dezenas de outros comentários.
Situação grave
Com a pandemia, cerca de 1,5 mil estabelecimentos comerciais fecharam em Mogi das Cruzes, segundo o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio). E ao que tudo indica, enquanto o novo coronavírus circular, esse número vai continuar a crescer. Um exemplo é o o restaurante Bottega 3, na rua Coronel Souza Franco, no Parque Monte Líbano, que fechou as portas no começo de janeiro último, com a volta das restrições.
O caso é parecido com o do Buxixo Bar, que após 19 anos de história decidiu, em dezembro último, encerrar as atividades e passar o ponto do número 1.708, na avenida Capitão Manoel Rudge.