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Cresce o abandono de cães em Mogi. Eles são 40 mil, diz ONG

O abandono de cães é um problema em todo o país, e Mogi das Cruzes não está fora dessa dura realidade.  Segundo estimativas da ONG Fera (Frente pela Educação e Responsabilidade Animal), existem na cidade atualmente, cerca de 40 mil animais abandonados, entre errantes e semi domiciliados. São considerados errantes aqueles animais que não têm […]

1 de abril de 2023

Reportagem de: O Diário

O abandono de cães é um problema em todo o país, e Mogi das Cruzes não está fora dessa dura realidade. 

Segundo estimativas da ONG Fera (Frente pela Educação e Responsabilidade Animal), existem na cidade atualmente, cerca de 40 mil animais abandonados, entre errantes e semi domiciliados.

São considerados errantes aqueles animais que não têm tutores ou algum ponto onde possam viver; já no caso dos semi domiciliados, os donos simplesmente não exercem a guarda responsável, permitindo que os cães fiquem na rua e só retornem para casa quando bem entenderem. “São os chamados cães de porteira aberta”, como explica a vereadora Fernanda Moreno (MDB), responsável pela Fera, que acolhe, cuida e encaminha animais para adoção.

Segundo ela, os animais idosos e prenhes são os mais abandonados pelos donos. Fernanda cita o caso recente de uma cadela que foi deixada amarrada a uma caçamba de lixo, no bairro do Jardim Camila e, naquela situação, pariu 11 filhotes.

A vereadora diz ainda que são comuns os casos de pessoas que, deliberadamente, abandonam seus cães e as respectivas crias recém-nascidas em estradas da zona rural, onde os animais ficam totalmente desamparados, até sem alimentação. A estrada que leva ao bairro rural do Cocuera é, segundo ela, uma das mais procuradas para esse tipo de descarte.

As consequências desse abandono são diversas e afetam tanto os animais quanto a população em geral. Os cães abandonados são expostos a uma série de riscos, como atropelamentos, doenças, fome e sede, além de sofrerem com a falta de cuidados e carinho. Já a população sofre com o aumento da proliferação de doenças transmitidas pelos animais e com os riscos de ataques, especialmente de cães que não tiveram adestramento ou treinamento.

Além disso, a situação pode se agravar ainda mais quando os cães abandonados se reproduzem, aumentando o número de animais nas ruas e dificultando ainda mais o controle do problema.

Para combater o abandono de cães, inúmeras ONG existentes na cidade realizam campanhas de conscientização para incentivar a adoção responsável e o cuidado com os animais. Há também ações de fiscalização e recolhimento de animais abandonados, que são encaminhados para abrigos de ONGs e clínicas veterinárias.

Mas Fernanda Moreno destaca outra grave realidade. Segundo ela, as ONGs estão lotadas pelo aumento considerável do abandono de animais nos últimos tempos. “A pandemia agravou o problema, pois suas consequências na economia doméstica fizeram com que muita gente desistisse de manter os animais em casa por conta também da elevação do preço da ração e dos serviços veterinários”.

Ela, entretanto, faz questão de ressaltar que mesmo tais dificuldades não deveriam justificar, de modo algum, o abandono dos animais.

“A responsabilidade pelo cão é sempre do seu dono e se ele, por algum motivo, quer descartar seu bicho de estimação, deve procurar uma ONG, ou a Prefeitura Municipal, onde irá fazer o cadastro do animal para a adoção responsável. Quando isso acontece, o cão entra na fila para ser adotado”, diz.

Em Mogi, a Prefeitura mantém um centro de controle de zoonoses que atua no controle da população de cães e gatos. O setor realiza campanhas de adoção, castração e vacinação, além de atender, assim como as ONGs, denúncias de maus-tratos e animais abandonados.

Há, porém, uma forte dose de irresponsabilidade de parte de muitos proprietários. Fernanda Moreno conta que muitos casos de abandono dos animais ocorrem por conta de mudança do proprietário. “Ele organiza a transferência dos seus bens materiais, como geladeira, televisão e tantos outros, mas se esquece do cão. Muitas vezes, a pessoa vai se mudar no domingo e somente na sexta-feira é que se lembra e buscar um lugar para deixar o cachorro que ele não deseja levar para o novo endereço. Um absurdo”, diz ela.

Por esses e tantos outros problemas, a solução definitiva para o abandono depende da colaboração de todos. É importante que os donos de animais de estimação tenham consciência de suas responsabilidades e sejam cuidadosos ao deixar seus cães soltos nas ruas, sempre utilizando coleiras e guias. A castração deve ser outra preocupação para impedir a proliferação desordenada de filhotes que, em muitos casos, são motivos para o abandono.

Além disso, é fundamental que a população denuncie casos de abandono e maus tratos, para que as autoridades possam tomar as medidas necessárias.

O abandono de cães é um problema grave que afeta tanto os animais quanto a população de Mogi das Cruzes. “É importante que todos façam a sua parte para garantir que os animais sejam tratados com respeito e dignidade, e para que possamos construir uma cidade mais justa e solidária para todos”, afirma Fernanda.

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