Debandada de filiados poderá implodir o PSDB de Mogi
Ainda sob os efeitos da derrota nas eleições municipais passadas e de mudanças que estão ocorrendo em sua estrutura nacional, o PSDB corre o risco de ser implodido em Mogi das Cruzes. Segundo apurou a coluna, uma debandada de integrantes já começou a ocorrer, com as desfiliações de políticos ligados ao comando da agremiação, que […]
10/02/2023 07h10, Atualizado há 42 meses
Ainda sob os efeitos da derrota nas eleições municipais passadas e de mudanças que estão ocorrendo em sua estrutura nacional, o PSDB corre o risco de ser implodido em Mogi das Cruzes.
Segundo apurou a coluna, uma debandada de integrantes já começou a ocorrer, com as desfiliações de políticos ligados ao comando da agremiação, que estão se transferindo para outros partidos.
O tucanato local enfrenta uma de suas maiores crises, com o desligamento de nomes de peso e a possibilidade de vir a perder até o seu atual presidente.
O vice-presidente do Diretório Municipal, ex-vereador Claudio Miyake, foi o primeiro a deixar o partido para ingressar no PSD do deputado federal Marco Aurélio Bertaiolli.
Outro sintoma dessa crise foi a recente saída de Daniel Lima, ou Daniel Verde, como ficou conhecido por atuar como secretário do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de Mogi, durante a gestão do ex-prefeito Marcus Melo.
Após 29 anos de filiação e quase 35 de militância, Daniel vinha ocupando cargos importantes na estrutura administrativa tucana, inclusive em nível nacional: era o secretário-geral do Diretório Municipal de Mogi e da Grande São Paulo Leste, além membro do Diretório Nacional e delegado à Convenção Nacional do PSDB.
Pois Daniel deixou o ninho tucano para se filiar ao União Brasil, a convite de seu presidente municipal, o atual secretário de Habitação de Mogi, Carlos Lothar, de deputados e do presidente estadual, Antonio Rueda.
No novo partido, sua atribuição será “ajudar a consolidar e a construir a agremiação no Estado de São Paulo”, segundo disse à coluna. “O União é o terceiro maior partido do País e o mais novo (3 anos), com bandeiras como justiça social e sustentabilidade, amparado no liberalismo econômico e responsabilidade fiscal, que coadunam com meu pensamento, podendo somar na construção desse grande projeto para Mogi, Alto Tietê, São Paulo e todo o País”, garantiu Daniel.
Mas o golpe de misericórdia na estrutura do PSDB local ainda está por acontecer. Nos meios políticos locais é dada como certa a desfiliação do atual presidente municipal e regional do partido, o ex-prefeito Marcus Melo.
Tanto que as especulações já se voltam para o futuro de Melo na política partidária, já que ele é um dos virtuais candidatos a prefeito de Mogi nas próximas eleições municipais, marcadas para ocorrer em 2024.
Há quem aposte em seu ingresso no PL, pois o manda-chuva do partido, Valdemar Costa Neto, esteve ao seu lado na campanha em que ele acabou derrotado pelo atual prefeito Caio Cunha (PODE).
Porém, há dúvidas quanto a isso, já que Valdemar mantém fortes vínculos de amizade e ligação política com o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), um desafeto declarado de Melo.
Dessa forma, o possível lançamento da candidatura de Marcus Melo a prefeito pelo PL poderia interferir diretamente na antiga aliança política entre Valdemar e Bertaiolli, que perdura por muitas décadas e eleições.
Há quem diga que por sua proximidade com Daniel Lima, o ex-prefeito também poderia estar a caminho do União Brasil, algo impensável para quem deseja concorrer à Prefeitura, pois a agremiação se encontra nas mãos do prefeito Caio Cunha.
O futuro de Marcus Melo, portanto, ainda é incerto.
Mas o PSDB poderá perder ainda o vereador José Luiz Furtado, que também estaria a caminho do PL.
Como ficará então o partido após estas e outras desfiliações que, fatalmente, acontecerão, em razão da saída de seus principais representantes?
Caso tudo isso realmente se confirme, restará ao vereador Pedro Komura, atual secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, um aliado natural de Caio, e ao ex-vereador José Antonio Cuco Pereira, assim como aos vereadores Mauro de Assis Margarido e Marcelo Porfírio, decidirem o futuro do tucanato local: se o partido continuará existindo, após passar por um processo de renovação, ou se encerra de vez suas atividades na cidade, algo mais difícil de acontecer, não só pela história como pela importância, mesmo que reduzida, da agremiação no cenário político local.