Diário Logo

Notizia Logo

DER, entre as cruzes e novas mortes nas estradas da região

À medida que vão sendo esclarecidos alguns detalhes do acidente que matou dona Margarida de Souza Conceição, 69 anos, e feriu gravemente o seu filho, padre Lauro Donizeti Conceição, 49 anos, no início da noite de sexta-feira (14), na ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Salesópolis, chega-se à conclusão da assertividade das críticas e cobranças feitas por […]

18 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

À medida que vão sendo esclarecidos alguns detalhes do acidente que matou dona Margarida de Souza Conceição, 69 anos, e feriu gravemente o seu filho, padre Lauro Donizeti Conceição, 49 anos, no início da noite de sexta-feira (14), na ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Salesópolis, chega-se à conclusão da assertividade das críticas e cobranças feitas por este jornal, nas últimas semanas, acerca das condições de fiscalização naquela e em outras estradas da região do Alto Tietê.

Há tempos esta publicação vem se valendo de estatísticas e outras informações para cobrar o governo estadual a respeito da falta de policiamento, seja eletrônico ou presencial, nessas rodovias, onde os acidentes com vítimas fatais vão se acumulando com o passar das semanas.

De todas essas estradas, duas têm chamado especialmente a atenção, por conta da gravidade dos acidentes que lá ocorrem: a Mogi-Salesópolis e a Estrada das Varinhas, onde, aliás, recentemente, ocorreu um protesto silencioso, com a colocação de cruzes de madeira, nos pontos onde ocorreram desastres com vítimas fatais.

Em lugar de colocar policiamento, o DER se apressou a retirar as cruzes. E é assim que acontece. Cuidam-se dos efeitos, mas não se atacam as causas. Para o DER, é mais fácil tirar as cruzes que depõem contra a qualidade e eficiência de seus serviços, do que colocar policiamento rodoviário, ou mesmo radares eletrônicos, nos pontos mais críticos para, ao menos, intimidar os malucos do volante que estão aí, a cometerem as maiores barbaridades nessas estradas, que eram tranquilas, até algum tempo atrás. (Detalhe: as cruzes foram recolocadas pelos moradores, neste final de semana)

E aí chegamos a outro ponto que merece ser avaliado: os abusos  cometidos por motoristas que não respeitam placas de sinalização, nem os limites de velocidade, e andam com seus carros com se estivessem ao volante de um Fórmula Um.

Sem entrar no juízo de valor – que terá de ser feito após os resultados das investigações policiais -, e só para exemplificar, o veículo que provocou o acidente de sexta-feira, na altura do bairro do Cocuera, ficou descontrolado em uma curva, atingiu lateralmente um segundo veículo, até colidir de frente com o carro onde estavam o padre, sua mãe e irmã.

Pela violência da batida, que causou a morte quase imediata de dona Margarida, é possível imaginar a força do impacto desse veículo que só atingiu o carro onde o padre e sua família viajavam depois de uma primeira colisão, que, em tese, poderia ter amortecido a sua velocidade e força.

Enfim, há uma conjunção de fatores que acabam contribuindo para esses acidentes, mas se há irregularidades de parte dos motoristas é porque eles sabem que podem abusar à vontade, pois não haverá ninguém para puni-los.

A Polícia Rodoviária há muito desapareceu das estradas da região e a fiscalização eletrônica deixou de existir desde, que o mais recente contrato do Estado com as empresas que operam os equipamentos findou e não foi renovado.

Deputados ouvidos por este jornal, recentemente, saíram em defesa do governo, alegando que estão sendo corrigidas possíveis irregularidades detectadas nos contratos.

Ora, no sétimo mês do atual governo, já teria havido tempo suficiente para corrigir e contratar novas empresas para realizar tais serviços.

Mas enquanto nada disso acontece, novos acidentes com mortes continuarão a ocorrer. E o DER, certamente, continuará retirando as cruzes dos protestos, mas permitindo que haja motivos de sobra para o surgimento de tantas outras.

 

Veja Também