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Dori Boucault conta como o time da Prefeitura de Mogi enfrentou o incrível Hulk, em Bertioga

Muito antes de se tornar um verdadeiro paladino da defesa do consumidor no Alto Tietê, o advogado Isidoro Dori Boucault Neto já fazia também algumas outras defesas, jogando como goleiro de equipes amadoras das cidades por onde passou, em sua juventude. No início da década de 80, ele defendia o time da Prefeitura de Mogi, […]

Por O Diário
26/09/2022 08h20, Atualizado há 46 meses

Muito antes de se tornar um verdadeiro paladino da defesa do consumidor no Alto Tietê, o advogado Isidoro Dori Boucault Neto já fazia também algumas outras defesas, jogando como goleiro de equipes amadoras das cidades por onde passou, em sua juventude. No início da década de 80, ele defendia o time da Prefeitura de Mogi, onde trabalhava, quando a construção da Mogi-Bertioga aproximou os mogianos da população da Baixada, em especial do antigo distrito de Santos, que viria se tornar a poderosa cidade turística de hoje.

Numa das visitas a Bertioga, ao lado do então prefeito Waldemar Costa Filho, durante um almoço na sede do Sesc, o assunto na mesa eram as Barnabíadas, competição que reunia os “barnabés”, denominação que se dava, à época, para os funcionários públicos das prefeituras. Em Mogi, o evento movimentava os diversos setores da Prefeitura.

E foi então que surgiu a ideia de uma partida de futebol contra o time dos funcionários do Sesc da Baixada. E lá foram os mogianos para o jogo noturno, no campo do próprio Sesc. O time de Mogi chegou por volta das 19 horas e encontrou tudo às escuras. Mesmo assim, os jogadores vestiram o uniforme e foram para o campo bater bola na escuridão.

Foi então que veio a primeira grande surpresa: de repente, as luzes se acenderam e os adversários vieram para o campo em meio a foguetório, música e aplausos da torcida, que surgiu quase por encanto. Foi um susto para os visitantes que além de Dori, tinham ainda Mário Celso, Sylvio Ernani, Sakai, Adeíldo, Nilmar, Ailton Pinto e outros conhecidos personagens em campo.

A segunda surpresa viria com o início do jogo. Do lado de lá, havia um atacante de impor respeito, com quase 2 metros de altura, cento e tantos quilos, um verdadeiro guarda-roupa com um nome que fazia jus a tudo aquilo. Era o Hulk, versão da época do atual atacante do Atlético Mineiro, com algumas vantagens no físico. No primeiro escanteio do jogo, quando Dori subiu para interceptar a bola, foi atirado dentro do gol por uma peitada do Hulk, que passou a preocupar a todos.

Após outras tantas pancadas, os mogianos fizeram uma reunião de emergência para ver o que fazer com o poderoso Hulk. Mário Celso, beque dos bons, disse: “Deixa comigo”. E colou no “monstro”. No próximo escanteio, ele tentou subir e ficou no chão. Mário Celso ao lado. E continuou anulado até o final do jogo.

Na volta, Dori conta que foi saber de seu companheiro de equipe como ele havia conseguido tal façanha. “O Mário contou que no primeiro escanteio ficou ao lado dele e segurou na traseira do calção. Quando saltou, ele subiu mas o calção ficou. E foi assim, nos próximos escanteios até o fim do jogo”, conta Dori. Com o Hulk anulado nos lances de área, a tarefa dos mogianos ficou menos árdua. Mas como bom contador de histórias, Dori não revela o placar final do jogo.

Lingeries no Pantanal

O que não falta para Dori Boucault são histórias, como dos tempos, entre 1983 e 1988, em que se aventurou pelo Mato Grosso como vendedor de lingeries para moças das corrutelas, casas de prostituição que ganharam fama com a novela “Pantanal”. Ele assegura, por exemplo, que nunca viu tanto revólver sendo sacado ao mesmo tempo, em pleno centro de Cuiabá, quando uma idosa gritou “pega ladrão”, após um larápio haver surrupiado sua correntinha. “Parecia que todo mundo tinha uma arma na cintura e o ladrão não teve outra alternativa senão desistir da carreira, voltar pianinho e entregar a joia para sua antiga dona. Os próprios moradores se encarregaram de entregar o marginal para as autoridades policiais que logo apareceram”, conta.

Boiada em comício 

Com seu bom papo e alguma experiência obtida na política mogiana, Dori logo se tornou assessor de um candidato a deputado, oriundo de uma família de coronéis do interior do Mato Grosso. E foi lá que ele aprendeu como os poderosos costumam agir contra seus adversários durante as fases mais críticas das campanhas eleitorais. Nos tempos em que comícios atraíam grandes públicos, o mogiano conta que era comum se aproximarem grandes carretas lotadas com bois. As carrocerias eram levantadas no momento do discurso final do candidato adversário e, insuflada por tiros de revólveres, a boiada descia na direção do palanque. Não sobrava um espectador para ouvir o discurso do político. 

Futebol violento

Dori jura que é verdade o que aconteceu durante uma partida de futebol disputada entre peões de fazendas rivais, no interior do Mato Grosso. Defendendo o gol de uma dessas equipes, o mogiano afirma que se surpreendeu quando o lateral direito do seu time caiu em campo, no momento em que disputava a bola próximo a uma cerca de madeira, onde ficavam os torcedores, no limite do campo de jogo. Numa região onde imperava a violência, o mogiano teve de socorrer o defensor de seu time, esfaqueado na barriga, ao passar próximo de um desafeto que estava ali, na torcida, só esperando para aproveitar o momento.

Quem é Dori

Isidoro Dori Boucault Neto tornou-se, ao longo de seus 73 anos, um colecionador de boas histórias, muitas das quais ele é o principal personagem. Há até quem duvide de muitas delas. Mas o certo é que assunto não falta para as palestras e entrevistas que costuma dar com frequência. Além de advogado e consultor sobre Defesa do Consumidor, Dori orienta consumidores por meio da TV Diário e conta causos curiosos num podcast deste jornal, o Pod Falar, Dori, ao lado da jornalista Eliane José. O podcast tem conteúdos novos, a cada terça-feira e pode acessado no site de O Diário.

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