Em janeiro, Samu de Mogi bate recorde de atendimentos a pacientes com Covid-19
O novo coordenador médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), o médico Milton Luiz Yaekashi assumiu nesta segunda-feira (1°) o cargo diante de dois desafios: uma alta de 71% nos chamados para atender pacientes com a Covid-19, na comparação entre dezembro passado e janeiro, e o fechamento da porta aberta do Pronto-Socorro do […]
01/02/2021 18h57, Atualizado há 65 meses
O novo coordenador médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), o médico Milton Luiz Yaekashi assumiu nesta segunda-feira (1°) o cargo diante de dois desafios: uma alta de 71% nos chamados para atender pacientes com a Covid-19, na comparação entre dezembro passado e janeiro, e o fechamento da porta aberta do Pronto-Socorro do Hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar.
Desde esta segunda-feira, o PS passa a assistir apenas casos de urgência e emergência, encaminhados por outras unidades de saúde e transportados por ambulâncias.
“O complicado foi referenciar o Luzia, em meio à alta dos casos de Covid”, adverte o cirurgião torácico formado na 24 turma de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
Ele afirma que em janeiro, o Samu atendeu 404 pacientes com a doença, sendo que em dezembro, esse número foi de 236. Para se ter uma ideia do que significa essa alta, Yaekashi comenta que o mês com mais casos, desde o início da pandemia, foi junho, com 385 chamadas.
“Ou seja, é uma alta consistente, preocupante”, diz, contando que apesar do início da vacinação, a morosidade para se atender 70% da população e, assim, garantir maior segurança na luta contra o vírus, é um empecilho para reduzir o contágio.
“As pessoas pararam de manter os cuidados básicos, que são a higiene e a máscara. Nem digo que o ideal é fechar tudo, e reduzir os horários, como critica o prefeito (Caio Cunha), na minha opinião, com razão, porque você concentra mais pessoas, em um período menor de tempo O melhor seria não ir todo mundo ao shopping e aos bares, ao mesmo tempo, manter o distanciamento social, e etc”.
Outra situação que já voltou à rotina quebrada nos primeiros meses após março, quando a quarentena foi cumprida, foram as chamadas por situações como os acidentes de trânsito. “Tivemos um recorde na Mogi-Salesópolis em janeiro”, comenta.
O novo coordenador do Samu afirma que os reflexos do referenciamento do PS do Luzia será sentido nos próximos dias. “No comunicado da mudança, há falhas, e a indicação para as pessoas procurarem o Samu. Ou seja, teremos uma demanda extra”, que será conectada à segunda onda.
Há 9 anos no Samu de Mogi, o médico acredita que pelo menos metade dos profissionais foi infectada pela Covid, embora, a maioria sem gravidade. Um enfermeiro morreu em decorrência da doença. “Há roupas especiais, muitos cuidados, mas a exposição dos profissionais é alta”.
Ele comenta que o Samu é bem avaliado pela população, mas admite que falta um entendimento sobre o trabalho realizado. “Há críticas, às vezes, à regulação para o encaminhamento das equipes. Mas temos de nos certificar qual é a urgência dos casos para ordenar o atendimento”.
O ex-coordenador, Luiz Bot, deixa o Samu para ser diretor no Hospital Integrado Santo Amaro, gerido pela INTS, a mesma organização social que gerencia o serviço mogiano e a UPA do Oropó.