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Em Mogi, 250 famílias vivem em áreas de risco

Atualmente, cerca de 250 famílias moram nas 26 áreas de risco de Mogi das Cruzes e, neste período de chuvas, vivem dias e noites ainda mais tensos. Segundo a Prefeitura Municipal, estes pontos, localizados em vários bairros da cidade, são monitorados pela Defesa Civil durante todo o ano, com orientação os moradores. O levantamento traz […]

Por O Diário
11/02/2023 19h38, Atualizado há 42 meses

Atualmente, cerca de 250 famílias moram nas 26 áreas de risco de Mogi das Cruzes e, neste período de chuvas, vivem dias e noites ainda mais tensos. Segundo a Prefeitura Municipal, estes pontos, localizados em vários bairros da cidade, são monitorados pela Defesa Civil durante todo o ano, com orientação os moradores.

O levantamento traz os mesmos números apresentados em outubro de 2021, pela administração municipal, que descarta locais com risco iminente de deslizamento no município. “As 12 áreas com este tipo de risco que existem atualmente são particulares, regularizadas e acompanhadas periodicamente pela Defesa Civil. O trabalho também é feito nas 14 áreas com risco de inundação, que ocorre quando há o risco de um curso d’água extravasar seu leito, e nos locais em que podem ocorrer alagamentos. Nestes pontos, há o acúmulo de água momentâneo, que escoa pelos sistemas de drenagem quando a precipitação ameniza”, trouxe nota enviada a O Diário pela Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura, após pedido de entrevista.

A administração aponta que as 12 áreas com risco de deslizamento estão nas regiões dos jardins Mogi, São Paulo, Margarida, Aeroporto, Planalto, Rodeio, São Pedro e Universo, Botujuru, Residencial Itapeti, Mogi Moderno e Conjunto do Bosque. 

Já os 14 locais com perigo para inundações ficam nos jardins Náutico, Piatã, Santos Dumont, Layr e Aeroporto, Botujuru, Sabaúna, César de Souza, Chácaras Guanabara, Jundiapeba, Centro, Vila Oliveira, Mogi Moderno e Vila Natal. 

Segundo o geólogo Silvio Pomaro, que defende medidas constantes de monitoramento, prevenção e fiscalização nestas áreas, a localização da cidade exige atenção redobrada. “Mogi é uma região serrana, encaixada no vale e bastante habitada. Tem serra tanto para o sul como para o norte, muita água e verde. Há duas situações de risco, que são os naturais, no alto da serra, em lugares que ainda o homem não tem acesso, e as áreas de risco provocados, onde o ser humano habita, em um vale que ele aterrou para morar ou às margens de rios, interferindo no meio ambiente”, explica.

Ele enfatiza que os deslizamentos em pontos de risco natural e distantes da população não apresentam tanto perigo, mas quando se trata de área urbana, a situação exige atenção redobrada “As ações precisam ser feitas na direção certa do crescimento, com projetos geotécnicos, pensando nas águas, quando elas vêm e o que fazer com elas. Isso faz parte da educação das pessoas, mas o município e o estado podem orientar, com anúncios e vídeos, para que a informação sobre os cuidados que tem que ser tomados, incluindo a proteção e captação da água, chegue a todos”, enfatiza.

Neste sentido, o profissional reforça que o poder executivo precisa contar com uma estrutura formada por órgãos responsáveis por estas situações e, principalmente, não deixar que construções sejam feitas de forma irregular. “Hoje, vemos cada vez mais gente habitando margens de rios, beiradas de morros, canalizando águas e afogando nascentes”, alerta.

Pomaro também explica que, em épocas de chuvas, como a atual, áreas de pé de serra ou baixadas, próximas a rios, assim como as de topografia acidentada, se tornam vulneráveis com a subida dos níveis de água, reservatórios cheios, além do desequilíbrio de áreas altas, que gera a movimentação do solo e escorregamentos, e do problema corriqueiro de inundações. “Temos habitações muito junto às cidades, ocupando todas as áreas. O homem vai interferindo bastante com ocupações em morros, onde são abertas ruas e estradas, além da realização de obras de infraestrutura. Claro que o ambiente geológico conta bastante, mas há muitos problemas provocados por estas interferências, que desencadeiam as áreas de risco urbanas”, alerta.

A situação, segundo ele, é antiga e não está perto de ser resolvida. “O mapeamento das áreas de risco de Mogi feito pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) já levou, em gestões passadas, a remoções de famílias e casas destes pontos. A cidade vive isso há um tempo e ainda vai continuar vivendo, porque a região é propícia a esse tipo de problema geotécnico, por isso é preciso saber monitorar. Não há nada que um bom projeto não resolva”, enfatiza.

Porém, o geólogo orienta que este trabalho deve ser feito com seriedade e urgência para não permitir que as famílias vivam sob risco. “Precisamos de monitoramento e estudos mais aprofundados, tanto por parte do município como do estado, inclusive com a criação de uma sirene para anunciar a estas pessoas sobre situações de necessidade de evacuar as áreas de riscos de inundação e deslizamento sempre preciso”, conclui.

Região pede apoio ao DAEE

Um pedido feito pelas cidades do Alto Tietê – a abertura de quatro comportas da barragem da Penha, em São Paulo, para permitir melhor escoamento das águas do rio Tietê, como umas das medidas emergenciais solicitadas pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) não deverá ser atendido, no momento, pelo Departamento de Águas em Energia Elétrica (DAEE). 

Em resposta a O Diário sobre a reivindicação, o órgão 

esclareceu que a Barragem da Penha tem a função de controlar a vazão do rio Tietê e regular as cheias na Bacia do Alto Tietê. No entanto,  a operação da estrutura não estaria interferindo nas enchentes e alagamentos ocorridos em cidades da região. Isso porque, segundo o órgão, o nível da represa localizada em São Paulo está abaixo do registrado em Itaquaquecetuba.

O DAEE explica que o maior nível histórico registrado na Barragem da Penha foi de 724,7 m (altura em relação ao nível do mar), cerca de 6 metros abaixo do registrado em Itaquaquecetuba, cujas margens estão na cota 732 m, e está localizada alguns quilômetros antes dessa estrutura hídrica.
“Portanto, a operação da estrutura não interfere nas cheias em municípios que estão localizados em uma cota superior”, explica o DAEE, que encaminhou um gráfico que mostra os níveis atingidos pela Bacia a partir de Salesópolis.

As cheias, reforça nota, resultam da grande quantidade de chuva.

Os números divulgados pelo órgão indicam que a bacia do Alto Tietê recebeu em média 200,7 mm de chuvas em janeiro e 114,9 milímetros nos primeiros dias de fevereiro, “fato este que ocasionou as cheias na região”.

Reunião

O Condemat pede uma reunião urgente com a superintendência do DAEE, responsável pela operação das barragens. “Precisamos de uma solução técnica imediata porque a situação nos nossos municípios está crítica e se não tiver o escoamento da água do Tietê vai piorar com a previsão de chuvas para os próximos dias”, alerta o prefeito Caio Cunha (Podemos), presidente do Condemat. Os prefeitos reforçam o pedido de desassoreamento dos trechos do rio nos municípios da região. Segundo o DAEE, o encontro deverá ser marcado.

Operação Verão

Até o próximo dia 31 de março, a Prefeitura de Mogi realiza a Operação Verão, priorizando o atendimento a urgências e emergências. 

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