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Especialista em segurança pública e privada explica a dificuldade no trabalho de investigação

O especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello já acompanhou o desenrolar de diversos casos criminais e avalia que abranger o assunto de uma forma geral não é o correto, considerando que cada caso apresenta as suas peculiaridades. Há homicídios que às vezes se esclarecem de forma mais rápida do que um roubo e […]

Por O Diário
22/01/2021 19h09, Atualizado há 66 meses

O especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello já acompanhou o desenrolar de diversos casos criminais e avalia que abranger o assunto de uma forma geral não é o correto, considerando que cada caso apresenta as suas peculiaridades. Há homicídios que às vezes se esclarecem de forma mais rápida do que um roubo e vice-versa. Ele separa as ocorrências em dois grandes grupos, os de autoria conhecida e os casos em que a investigação começa do zero, ou seja, de autoria desconhecida. 

“Quando a pessoa vai registrar uma ocorrência e ela diz quem foi o autor, ou a polícia o prende em flagrante, o trabalho da polícia consiste em reunir as provas em relação à materialidade. É um pouco trabalhoso também, sobretudo quando há alguém acusando de crime a outra pessoa, porque deve-se verificar se a versão é verdadeira e identificar os contatos, arrolar provas, para que finalizar o inquérito e o Ministério público analisar para que depois possa oferecer denúncia”, explica. 

De outro modo são os boletins de ocorrência de autoria desconhecida, quando a vítima nem levanta a possibilidade de um suspeito. Para explicar a dificuldade, Lordello exemplifica com um caso de roubo a celular. A vítima está saindo para trabalhar, quando em uma rua escura é abordada com uma pessoa de moto, com as placas dobradas, que rouba o seu celular e documentos. Se no local não há câmeras, a vítima não sabe apontar detalhes físicos do criminoso e tampouco do veículo usado por ele, a polícia fica sem um ponto de partida para a investigação. 

“Nesse montante de autoria desconhecida, você tem uma porcentagem que são boletins fraudados,  Acontece muito. É quando a pessoa registra um crime com objetivo particular. São crimes de fraude contra seguro de veículo. Um exemplo prático é quando a pessoa só tem seguro no caso de roubo, mas ela bate feio o carro. Essa pessoa vende as peças e depois vai registrar um boletim de roubo, com informações falsas que só complicam o trabalho da polícia”, ressalta. Partindo desses dois pontos, Lordello destaca que dentro da investigação, isso em todo o mundo, há casos que não vão ser solucionados, sobretudo aqueles classificados como “crime de oportunidade”, que é quando o criminoso não tem nenhuma relação com a vítima: um estelionato que vitima um idoso em uma praça da cidade ou via telefone. “Você parte praticamente do zero, porque você tem o crime e não oferta nenhum indício, um caminho para investigar”, pontua. 

Nesses casos, ressalta, a vítima é quem melhor pode ajudar a polícia, com detalhes sobre a ação e o modo com que se vestia, caminhava, para verificar em câmeras locais, por exemplo. A mesma tecnologia, inclusive, que ele aponta como um dos caminhos para que as estatísticas melhorem. 

“Nós temos hoje em alguns países no mundo, a identificação das pessoas pelo DNA. Quando ela vai tirar um documento, o DNA dela também é cadastrado em uma base de dados. Na ocasião de um crime de estupro é colhido o material genético do suspeito e contrastado com o banco de dados e se chega a autoria dele sem depender muito de um processo gigante de investigação. 

Mas uma ferramenta que poderia auxiliar o judiciário e sem depender de investimento, conta Lordello, é a obrigatoriedade de as pessoas manterem atualizado o endereço de onde residem. 

Esse sistema é lei no Japão. “O governo japonês quer saber onde está o seu munícipe, seja em casos crminiais, mas também para cobrar dívidas e fazer controle populacional para a tomada de decisões”, destaca. 

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