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Espera por cirurgias e leitos pode levar até três meses na rede pública de Mogi

As filas de espera para uma cirurgia ou transferência da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes têm sido motivo de angústia para muitos familiares. Nas últimas semanas, O Diário contou histórias de pacientes que precisaram aguardar até meses para fazerem um procedimento cirúrgico. Questionada, a Prefeitura de Mogi esclareceu que o tempo de espera […]

Por O Diário
06/10/2022 16h29, Atualizado há 46 meses

As filas de espera para uma cirurgia ou transferência da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes têm sido motivo de angústia para muitos familiares. Nas últimas semanas, O Diário contou histórias de pacientes que precisaram aguardar até meses para fazerem um procedimento cirúrgico. Questionada, a Prefeitura de Mogi esclareceu que o tempo de espera “pode variar”. Já a Santa Casa não respondeu. 

“Esse prazo pode variar muito porque depende da complexidade do caso e das vagas liberadas pelo Governo do Estado, através do sistema CROSS – Central de Regulação de Serviços de Saúde. Entre as principais causas que demandam internação estão AVC, anemia, convulsão, infarto, pneumonia”, informou a Secretaria de Saúde, por meio de nota.

Shelley Bruna Limeira, de 23 anos, é nora do aposentado Edson Bonifácio da Cunha, 74, que após três meses de espera por uma prótese que possibilitaria o procedimento no fêmur, foi operado, em um procedimento com sucesso nesta quinta-feira (6). Até isso ocorrer, a família de Edson viveu momentos de apreensão.

“Fiquei desgastada e não tenho me alimentado direito. Sou de Poá, toda hora tenho que tá vindo e voltando, porque tenho filha pequena”, explicou a jovem que é responsável pelos cuidados do sogro.

A história do aposentado foi assunto da primeira reportagem sobre as longas internações no Santa Casa, em 22 de setembro.

A expectativa para a realização da cirurgia agora é vivida por Rian Cassia Maximiano, nora de Olivia Alves de Oliveira, que aguarda também a disponibilização de uma prótese para a operação de uma fratura no fêmur. A idosa de 70 anos completa 30 dias de internação na unidade de saúde.

“A saúde física e psicológica dela está totalmente devastada. Ela chora e grita… estamos sem saber o que fazer” , lamentou Rian, após informar que a sogra teria ficado 12 horas em jejum nesta quinta (6), aguardando a possibilidade da operação, o que não veio a acontecer.

Após 20 dias na fila do sistema CROSS foi que Luiz Paulo Takeshi Yamasaki, um paciente em estado grave, conseguiu transferência para sair do Santa Casa e ir para o Hospital Luzia de Pinho Melo, também em Mogi. A este jornal, a esposa de Takeshi, Christina Mara Santos Yamasaki, esclareceu sobre o processo de espera até conseguirem vaga em outro hospital da região.

“No dia 13 de setembro, assim que o médico avaliou ele (Takeshi), já inseriu no sistema CROSS para a solicitação de uma vaga de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por ter sido considerado um caso grave”, contou Christina, detalhando que o estado de saúde do companheiro foi piorando nesses 20 dias de espera.

“Ele ficou mais ou menos duas semanas internado na emergência e assim que os médicos avaliaram que ele estava estável, não apresentando mais tantos riscos, ele foi levado para a sala de observação. Como mudou de ala, também precisou mudar a solicitação e acredito que isso tenha atrasado mais ainda o processo”, detalhou.

Takeshi sofre com a Síndrome de Guillain Barre e sequelas devido à doença. Durante a espera pela vaga da internação, o quadro clínico do paciente foi estabilizado, sendo tratado o “básico”, pois, segundo informações dadas pelos médicos à Christina, faltavam especialistas para realizar o tratamento exato para o diagnóstico.

Há uma expectativa por parte da administração de Mogi que essas filas possam diminuir, com o passar das semanas, após a abertura do Hospital Público de Suzano, que foi entregue pelo governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), em junho deste ano.

“Neste momento estão sendo realizadas cirurgias eletivas e os leitos de internação regional estão previstos para 2023, conforme informado pelo Governo do Estado”, esclareceu a Secretaria de Saúde.

Superlotação

Em julho deste ano a Santa Casa de Misericórdia chegou perto, segundos seus diretores, de não dar continuidade ao convênio com a Prefeitura de Mogi. Para justificar os motivos da decisão que afetaria diretamente o atendimento à saúde de pessoas do Alto Tietê, foi realizada uma reunião na Câmara de Vereadores onde se divulgou que a unidade estava funcionando 250% além da capacidade técnica do pronto socorro.

Além da superlotação na Santa Casa, tema já discutido nas vésperas de uma possível desistência do convenio com a administração municipal, a readequação do sistema CROSS foi um dos problemas identificados pela diretoria que estava aumentado ainda mais o loteamento na unidade.

LEIA MAIS: Com renovação de convênio Santa Casa de Mogi espera ajuda do Estado

CROSS

Dentre o total de 1.309 solicitações de vagas através do CROSS para transferência de pacientes, no período de janeiro a junho deste ano, apenas 254 dos pedidos foram atendidos, segundo o conselho fiscal da Santa Casa.

Apesar da renovação do contrato com a Prefeitura de Mogi das Cruzes para manter o atendimento no Pronto-Socorro, acordando um aumento nos repasses financeiros, diante dos casos como o de Edson, Olivia e Luiz, fica um questionamento se as longas internações não dificultam a chegada de mais pacientes, pelo número de leitos ocupados aguardando uma cirurgia ou transferência.

Essas dúvidas e o panorama atual das questões apresentadas sobre o sistema CROSS foram questionadas por O Diário em perguntas encaminhadas a José Carlos Petreca, provedor da unidade, mas até a tarde desta sexta-feira (7), as respostas não foram encaminhadas. E serão publicadas quando forem recebidas.

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