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Estado poderá retirar o pedágio da Mogi-Dutra de nova licitação

O governo do Estado de São Paulo está estudando a viabilidade técnico-financeira de lançar uma nova licitação para concessão das rodovias incluídas no Lote Litoral Paulista (Mogi-Dutra, Mogi-Bertioga e Padre Manoel da Nóbrega) que não contemple um pedágio na ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Via Dutra. A informação é do deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), após […]

Por O Diário
16/10/2021 18h07, Atualizado há 58 meses

O governo do Estado de São Paulo está estudando a viabilidade técnico-financeira de lançar uma nova licitação para concessão das rodovias incluídas no Lote Litoral Paulista (Mogi-Dutra, Mogi-Bertioga e Padre Manoel da Nóbrega) que não contemple um pedágio na ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Via Dutra. A informação é do deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), após um recente encontro com o vice-governador Rodrigo Garcia, virtual candidato a governador de São Paulo pelo PSDB. A busca de alternativas que compensem a arrecadação financeira prevista para o posto de cobrança naquela rodovia é o principal desafio enfrentado pelos técnicos  da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), o que explicaria a demora na divulgação do novo edital de concorrência internacional, após as modificações exigidas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Segundo Bertaiolli, representantes do governo já admitem que não há mais condição de tentar convencer a população de Mogi e região a aceitar o pedágio, pois estaria existindo uma quase unanimidade contrária à instalação do posto de cobrança na rodovia Mogi-Dutra. Até mesmo uma pesquisa realizada recentemente por três entidades de classe de Mogi mostrou que 85% da população da cidade além de serem contra a instalação do pedágio, também não votariam em um político que apoiasse tal iniciativa.

Segundo Bertaiolli, os movimentos político e jurídico realizados pela cidade praticamente barraram qualquer iniciativa para eventuais negociações entre o governo e a região. Por isso, segundo Bertaiolli, “o governo está realizando estudos para que a nova licitação seja viabilizada economicamente sem o pedágio da Mogi-Dutra”.

Se isso poderá ser viável, é algo a ser conferido no texto da futura licitação que, segundo Garcia disse ao deputado, está sendo preparada pelos técnicos da Artesp para ser apresentada ao mercado.

O deputado disse que, na conversa com Rodrigo Garcia, comentou sobre a ação da Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Mogi, responsável pelo Tribunal de Contas haver exigido mudanças na licitação e assegurou que a cidade “tem mais uns três grandes trunfos jurídicos para embananar a concorrência”.

Garcia teria reagido dizendo que o Estado pode reverter a situação no plano jurídico, mas sem levar em conta quanto tempo essa disputa poderá durar, já que as autoridades de Mogi se mostram dispostas a levar até o fim essa disputa com o governo estadual para evitar o pedágio.

Bertaiolli se diz na expectativa em relação à nova licitação para confirmar se ela virá mesmo sem o pedágio na Mogi-Dutra, algo que é esperado, mas é também uma grande incógnita.

Dúvidas

Dentro do governo, pelo que apurou este repórter junto a diferentes fontes, há uma preocupação muito grande com a questão eleitoral. O comando do PSDB sabe que a manutenção desse clima de beligerância com uma cidade do tamanho e da importância de Mogi das Cruzes, ou uma região do porte do Alto Tietê, não é nada positivo para os projetos políticos de dois de seus principais líderes – João Doria, que disputa internamente, no partido, a chance de concorrer a presidente da República, e Rodrigo Garcia, que quer ser o substituto de Doria no Palácio dos Bandeirantes.

No entanto, o partido ainda se ressente de outra dificuldade. Caso decida livrar a Mogi-Dutra do malfadado pedágio, como fará para conquistar os benefícios políticos de tal medida? Afinal, lhe falta um representante na cidade capaz de garantir uma interlocução capaz de reverter a péssima imagem cultivada pelo governo desde que passou a dar as costas para os representantes mogianos nessa questão do Lote Litoral Paulista.

Em palavras mais claras: o governo precisaria “faturar eleitoralmente” uma possível volta atrás no caso do pedágio.  Mas ambém lhe falta o caminho para isso. Embora não lhe falte tempo, se conseguir, ainda agora, reverter essa fonte enorme de desgaste que não para de jorrar insatisfação generalizada de toda uma cidade sobre as imagens de Doria e seu vice e afilhado político.

Cavalo de Troia

Caso decida acabar definitivamente com essa ameaça denominada “pedágio” ainda haverá condições para se buscar reverter a incômoda situação dos governistas antes das próximas eleições.

Tudo parece uma corrida contra o tempo: a cada dia que se mantém a indefinição sobre este assunto, é  uma oportunidade a menos para Doria e Garcia recuperarem o prestígio que jogaram pela janela com a história do pedágio na Mogi-Dutra.

Só para lembrar, Mogi das Cruzes foi uma das poucas cidades da região que deu a João Doria uma expressiva vitória na eleição passada, quando vários outros municípios do Alto Tietê optaram por seu adversário, Márcio França.

Como recompensa por isso, Mogi recebeu um verdadeiro presente de grego, onde o Cavalo de Troia, no caso, é de concreto  e reserva em seu interior, em lugar de guerreiros, máquinas registradoras, prontas para tomar o dinheiro dos mogianos e seus visitantes. Decididamente, não foi para isso que Mogi apoiou João Doria.

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