Estrada do Pavan, em Mogi: buracos, mato alto e acidentes
Em pouco mais de uma semana, o trânsito na chegada a Mogi das Cruzes pela rodovia Mogi-Dutra (SP-88) ficou caótico em duas ocorrências distintas, no mesmo ponto problemático: a estrada do Pavan – vicinal de 1,5 quilômetro que faz ligação com a via Perimetral e estava repleta de buracos e margens encobertas pela vegetação alta. […]
21/01/2021 18h39, Atualizado há 66 meses
Em pouco mais de uma semana, o trânsito na chegada a Mogi das Cruzes pela rodovia Mogi-Dutra (SP-88) ficou caótico em duas ocorrências distintas, no mesmo ponto problemático: a estrada do Pavan – vicinal de 1,5 quilômetro que faz ligação com a via Perimetral e estava repleta de buracos e margens encobertas pela vegetação alta. Em ambos os episódios, extensas filas de veículos parados complicaram a vida de centenas de motoristas.
A duplicação e melhorias, como o acostamento, são reivindicadas há três décadas, desde quando o acesso municipal se tornou obrigatório para os caminhões que chegam à cidade após uma série de graves acidentes na entrada da Ponte Grande.
A primeira ocorrência citada foi no último dia 13 de janeiro, quando duas árvores tombaram na pista após um temporal, interditando totalmente a via. A segunda foi na manhã desta quinta-feira (21), quando uma carreta saiu da pista e levou horas para ser retirada, por volta das 14 horas. O trânsito lento se estendeu até a Mogi-Dutra. Situação similar ocorreu em outras vezes nos meses anteriores. Motoristas voltaram a procurar a reportagem de O Diário para reivindicar melhorias.
“Temos medo de acontecer um acidente, a carga acabar caindo enquanto passamos por aqui, tem que tomar todo cuidado do mundo. Ano passa e passa e aqui continua assim”, reclama Cláudio Figueira, caminhoneiro que trafega pela via todos os meses. “Parece que estamos reclamando, mas é por melhores condições de trabalho, né”, pontua ele.
A estrada do Pavan foi uma alternativa antiga da cidade para retirar o trânsito de caminhões pesados da entrada do município. No entanto, o antigo projeto parece ter sido esquecido. A via carece de acostamento, manutenção na pista, segurança e iluminação.
Além de receber os caminhões, o caminho também é utilizado por milhares de usuários que passam por Mogi das Cruzes com destino a Bertioga.
A rota voltou a ficar em evidência após a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) divulgar, dentro do projeto de concessão das rodovias Mogi-Dutra (SP-88) e Mogi-Bertioga (SP-98), a duplicação da estrada do Pavan. O trecho tem diversos problemas que tendem a se acentuar até a chegada do projeto do Governo do Estado, que prevê as melhorias a partir de 2022. A execução desse plano, no entanto, segue indefinido. A ideia inicial era de se lançar a licitação para a concessão em dezembro passado.
Nesta semana, quando questionada, a Prefeitura de Mogi informou que o município “seguirá buscando apoio do Governo do Estado para viabilizar os trabalhos”.
Após o questionamento de O Diário, a administração municipal afirmou que as equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos se programaram para iniciar ainda nesta semana serviços de tapa-buraco. Após o segundo acidente, ontem à tarde, os trabalhos foram iniciados.
Já a limpeza, com roçada de mato às margens, está programada para o início de fevereiro.
Melhoria é aguardada há décadas
A estrada do Pavan foi aberta como uma alternativa exclusiva para o tráfego de caminhões após uma série de acidentes ocorridos no início da Ponte Grande, com o registro de vítimas fatais, nos anos 1990. Veículos pesados perdiam o freio na descida da rodovia Mogi-Dutra e paravam quando encontravam paredes e muros de casas e até da Paróquia Santa Cruz, na rua Cabo Diogo Oliver.
Os acidentes provocaram a reação de moradores, que fecharam a entrada da cidade por diversas vezes com a colocação de pneus e fogo. À época, o prefeito Waldemar Costa Filho [1921-2001] determinou a proibição da descida dos caminhões por ali, com exceção dos que se destinam a uma empresa de transportes localizada nesse trecho. Os demais devem obrigatoriamente usar a Estrada do Pavan, que tem o piso irregular, na maior parte do tempo.
Desde a abertura, o caminho se mostrou inseguro, com o aparecimento de buracos e depressões, e a falta de um sistema de drenagem eficiente para garantir a sobrevida do asfalto trocado pela Prefeitura para manter o piso.
A diferença é que, inicialmente, a rota era usada quase exclusivamente por caminhões, diferente do que se viu logo depois da abertura da alterativa, que passou a ser utilizada por motoristas que residiam na região da Serra do Itapeti ou a caminho da praia.
A estrada do Pavan já foi alvo de diversos planos de melhoria. Um dos principais foi apresentado durante a duplicação da Mogi-Dutra, quando a cidade reivindicou a inclusão deste trecho no projeto do Governo do Estado – o que acabou não saindo do papel. Aliás, no local, há o esqueleto de uma alça de acesso prevista para ser construída na entrada deste acesso, em um futuro que não se sabe quando será.