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Evaldo Novelini assina carta de número 41 contra o pedágio

Nesta quarta-feira (30), o jornalista Evaldo Novelini assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e […]

Por O Diário
29/06/2021 19h28, Atualizado há 62 meses

Nesta quarta-feira (30), o jornalista Evaldo Novelini assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra.

Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê, apontando os prejuízos que a praça de cobrança poderá provocar ao município e à região.

O texto não tem interferência editorial do jornal e apresenta as justificativas e defesas do próprio convidado que utiliza o espaço para expor seus argumentos contra o pedágio

Ao Governo do Estado

 

Excelentíssimos senhores,

Tendo acompanhado com especial interesse a mobilização da sociedade civil de Mogi das Cruzes contra a proposta de instalação de pedágio na rodovia Mogi-Dutra feita pela Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo), gostaria de solicitar por meio desta missiva, com a devida vênia, o imediato cancelamento da ideia, pela razão que passarei a expor.

Nascido em Santa Adélia, no interior paulista, moro em Mogi desde 1995 – há 26 anos, portanto – e desde então assisti, inúmeras vezes, à sociedade mogiana se mobilizando, com idênticos vigor e entusiasmo, para defender ou rechaçar projetos que julga serem, respectivamente, bons ou ruins. E posso dar testemunho da verdade: a cidade não perdeu nenhuma das batalhas em que se envolveu.

Se vocês pedirem a minha opinião sobre se devem insistir na polêmica do pedágio na Mogi-Dutra, eu digo de pronto: não! Desistam. Baseio a minha opinião não nos argumentos técnicos contra a instalação do pedágio, que existem e são robustos, mas no fato de os mogianos possuírem intolerância a quem tenta implantar projetos a fórceps nos limites de seu município. Trata-se, acho, de algo atávico. De mãos dadas, os cidadãos resistem, sem esmorecer, até que o inimigo do momento se renda.

Não ignoro, evidentemente, que o Estado tenha inúmeros argumentos a justificar a necessidade do empreendimento; o que alerto é que eles de nada valerão. Inclusive na Justiça. Se a cidade não concordar com a proposta, não há o que fazer. Questão de legislação. O uso e a ocupação do solo dependem de autorização municipal. E, pelo que sei, o prefeito Caio Cunha (Podemos) está sempre na linha de frente das manifestações contra a implantação das cabines de cobrança em uma das rodovias mais importantes do Alto Tietê.

Vocês vão perder, acreditem em mim. Exemplos não faltam. Foi agindo assim que a cidade garantiu a duplicação da mesma Mogi-Dutra, a vinda de viatura dos Bombeiros equipada com escada Magirus e a circulação do Expresso Leste da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Com a mesma força, impediu a instalação de presídio e aterro sanitário que poderiam prejudicar o desenvolvimento de um dos mais promissores parques industriais do município.
Insistir na instalação do pedágio na Mogi-Dutra, ante a notória oposição de parcela significativa da opinião pública, será, portanto, uma grande perda de tempo. Há coisas mais importantes com que se preocupar.
Sendo o que tinha para dizer às vossas excelências, subscrevo-me com respeito.

Evaldo Novelini
Jornalista

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