Evasão escolar aumenta em Mogi das Cruzes entre 2021 e 2022
Dados fornecidos a O Diário pela Prefeitura de Mogi apontam que o índice de evasão escolar no ensino municipal caiu consideravelmente em 2021 e 2022 quando comparados a 2020. Porém, houve um aumento de 42% nos últimos 10 meses, quando comparados ao ano passado inteiro, nas escolas administradas pelo municipio. Já uma pesquisa nacional, divulgada pelo […]
21/10/2022 15h04, Atualizado há 46 meses
Dados fornecidos a O Diário pela Prefeitura de Mogi apontam que o índice de evasão escolar no ensino municipal caiu consideravelmente em 2021 e 2022 quando comparados a 2020. Porém, houve um aumento de 42% nos últimos 10 meses, quando comparados ao ano passado inteiro, nas escolas administradas pelo municipio. Já uma pesquisa nacional, divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revela avanço do abandono entre os anos de 2020 e 2021 no ensino público estadual da cidade (o índice deste ano, 2022, ainda não foi reportado).
Na rede municipal, ao todo, em 2020 primeiro ano da pandemia, 62 alunos deixaram de estudar. Em 2021, foram 28. Para estes anos, que ficaram marcados por aulas online em razão da Covid-19, não foram fornecidos detalhes sobre as faixas etárias que compõem os números. Mas em 2022, até o momento 40 alunos deixaram de estudar
Faltando pouco mais de um mês para o fim do ano letivo, foram registrados “15 abandonos no Ensino Fundamental, sendo que seis destes estudantes já retornaram à escola, e 31 na educação infantil”. A conta é, então, de 40 desistências (15 – 6 + 31) no sistema municipal.
Por enquanto, na comparação direta com o ciclo anterior, o ano corrente apresenta 42% de aumento na taxa de abandono. Mas na comparação com 2020, há diminuição de 35%.
A redução este índice é, desde o plano de governo, uma das promessas da administração do prefeito Caio Cunha (PODE), como O Diário mostrou quando ele foi eleito chefe do Executivo mogiano.
“Ao conversar com cidadãos mogianos e especialistas, identificamos alguns pontos que contribuem para a evasão escolar, como a falta de cooperação entre família e escola”, constava no documento divulgado antes das eleições.
Como uma das principais causas para o abandono do ensino é a relação dos jovens com o trabalho, já que muitos precisam deixar as aulas para ajudar na renda da família, a proposta para resolver o problema era promover uma “reestruturação da gestão do sistema escolar, a expansão do ensino integral nas escolas e o fortalecimento dessa relação família-escola”.
Dois anos depois da divulgação desta ideia, a reportagem questionou à administração o que tem sido feito neste sentido.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informa que “houve o início das atividades em quatro creches e a ampliação de uma unidade escolar, que passou a atender turmas de creche, além da ampliação do atendimento em unidades do ensino fundamental que já faziam parte do programa”.
Estas medidas fizeram com que “o número de alunos atendidos no ensino fundamental e educação infantil em período integral” passasse “de 23.611 em 2021 para 25.018 em 2022”, continua a resposta, que informa também que “o programa Escola de Tempo Integral também está sendo revisto, incentivando o protagonismo dos alunos e passará por nova ampliação em 2023”.
Segundo a Prefeitura, começaram “as obras da Escola Viva de Jundiapeba, que também marcará a mudança neste atendimento”. Outra providência foi a “retomada das ações nas escolas com a participação dos pais e da comunidade” e a “campanha da Busca Ativa Escolar”.
Este último programa, explica a Pasta, “é uma estratégia para ajudar a garantir os direitos de todas as crianças, em especial o direito à educação”. Mas “só é efetiva com o envolvimento de todas as políticas públicas (educação, saúde, assistência social, entre outras) e com a participação e o engajamento ativo da sociedade”.
A Prefeitura diz estar “desenvolvendo esta ação com o Grupo de Trabalho (GT) Busca Ativa Escolar, em que está sendo elaborado um documento orientador para a equipe escolar, família e comunidade”.
A nota conclui informando que “os diversos materiais e as abordagens indicadas no Documento Orientador são pontos de partida para facilitar e apoiar o engajamento nas ações e fortalecer a relação família-escola” e ressaltando “que o Documento Orientador está sendo finalizado, mas as ações e orientações à Equipe Escolar são feitas com frequência”.
Não foram fornecidos prazos para a disponibilização deste documento. Além disso, a reportagem pediu os dados dos “últimos anos”, e 2019, quando a gestão municipal era outra e não havia pandemia de Covid-19, não foi contemplado na resposta.
No ensino público
Dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) – que estão disponíveis para consulta pública – apontam que, em 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19, a média da taxa de abandono era de 1,6 quando se considerava todas as escolas de Mogi das Cruzes, sejam elas particulares, estaduais ou municipais*.
Já em 2020, ano mais rigoroso do novo coronavírus, a média da taxa de abandono era 1,0 na cidade. E, em 2021, quando as aulas voltaram a ser realizadas presencialmente, este índice mais do que dobrou, estando fixado em 2,5. A maior taxa de desistência do ensino aparece na região rural (4,0), tanto nos ciclos I e II do Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio.
Dados de 2022 ainda não foram disponibilizados pelo Inep, assim como não há os dados numéricos.
*Nos três anos analisados pela reportagem de O Diário, a totalização das escolas municipais e particulares de Mogi das Cruzes é igual a zero, o que indica que as taxas de abandono informadas pelo Inep se referem apenas às escolas públicas da rede estadual.
Na região
Veja, para efeito de comparação, os índices das demais cidades do Alto Tietê divulgados pelo Inep. Salesópolis é a cidade que apresenta maior taxa de abandono escolar, mas na relação abaixo os municípios aparecem por ordem alfabética.
Arujá – 1,8 (2019) / 0,2 (2020) / 3,2 (2021)
Biritiba Mirim – 3,6 (2019) / 01, (2020) / 6,1 (2021)
Itaquaquecetuba – 2,2 (2019) / 0,1 (2020) / 1,8 (2021)
Mogi das Cruzes – 1,6 (2019) / 1,0 (2020) / 2,5 (2021)
Ferraz de Vasconcelos – 3,4 (2019) / 0,2 (2020) / 3,9 (2021)
Guararema – 2,9 (2019) / 0,2 (2020) / 3,1 (2021)
Poá – 1,6 (2019) / 0,2 (2020) / 2,9 (2021)
Salesópolis – 1,4 (2019) / 0 (2020) / 11,7 (2021)
Suzano – 2,3 (2019) / 0,2 (2020) / 3,0 (2021)
Santa Isabel – 1,4 (2019) / 0,1 (2020) / 1,1 (2021)
Os dados do Inep estão disponíveis em https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/indicadores-educacionais/taxas-de-rendimento. Este site também reúne informações sobre outras taxas de rendimento escolar, como aprovação e reprovação.