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Eventos em Mogi são retomados com cuidados de prevenção à Covid

O setor de eventos, um dos mais prejudicados pelas paralisações impostas pela pandemia de Covid-19, vive a retomada a partir de mais liberações, mas ainda cercado de cuidados com a manutenção de protocolos necessários para prevenção da doença. Porém, impulsionadas pela confiança proporcionada pelo avanço da vacinação e diminuição de mortes causadas pelo novo coronavírus, […]

Por O Diário
11/12/2021 07h12, Atualizado há 57 meses

O setor de eventos, um dos mais prejudicados pelas paralisações impostas pela pandemia de Covid-19, vive a retomada a partir de mais liberações, mas ainda cercado de cuidados com a manutenção de protocolos necessários para prevenção da doença.

Porém, impulsionadas pela confiança proporcionada pelo avanço da vacinação e diminuição de mortes causadas pelo novo coronavírus, as festas, principalmente de casamentos e confraternizações, ganharam destaque nestes últimos meses do ano, garantindo reencontros de familiares e amigos. 

Prova disso é que, entre janeiro e outubro de 2021, os cartórios de registro civil de Mogi das Cruzes registraram aumento de 12% nos casamentos em comparação ao mesmo período de 2020.

Com a possibilidade de retomada dos planos, os casais vislumbram, enfim, a realização do sonho, na maioria das vezes, acalantado desde o início da pandemia, em meados de março de 2020.

Nos 10 primeiros meses deste ano, foram realizadas 2.070 celebrações civis, frente a 1.843 matrimônios do ano passado. A tendência de alta começou em abril, quando os números de 2021 ultrapassaram os de 2020. Naquele mês, houve 149 casamentos, enquanto em 2020, os números atingiram 95. Já o maior crescimento percentual ocorreu de junho para julho, quando os casamentos aumentaram 19,9%.

Esta evolução continuou nos meses seguintes e se intensificou no último trimestre, com 254 casamentos em setembro, 270 em outubro e 265 em novembro deste ano contra 191, 253 e 244, respectivamente, no mesmo recorte de tempo de 2020. 

No total, os cartórios fecharam o ano passado com 2.087 cerimônias e registraram 2.335 de janeiro a novembro de 2021, um crescimento de 11,88%, levando em conta que ainda serão acrescidos dados de dezembro, tradicionalmente o mês preferido para as celebrações, já que coincide com as férias coletivas de trabalhadores e escolares, assim como recebimento do décimo terceiro salário, favorecendo a realização de cerimônias e viagens de lua de mel.
Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Registro Civil(https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados nacionais administrada pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil (Arpen/BR).

Mesmo diante da diminuição dos casos de mortes por Covid-19 em Mogi das Cruzes, os protocolos de segurança sanitária para as celebrações seguem mantidos nos cartórios, como o limite de pessoas na cerimônia, o distanciamento, a exigência de máscara e distribuição de álcool em gel, medidas que também fazem com que os noivos se sintam mais seguros para retomar os planos adiados por causa da pandemia. 

Nas comemorações, o cenário de cuidados se repete. Apesar das liberações que permitem a realização de eventos com mais pessoas, a tendência tem sido festas com público reduzido, além de manutenção de protocolos sanitários e medidas de segurança que incluem, até mesmo, o monitoramento de convidados no período anterior à celebração, com acompanhamento da imunização, e testes rápidos no dia, além da medição da temperatura.

O uso de máscaras também continua obrigatório, apesar de dispensadas na hora da alimentação. No entanto, a maioria opta por festejar em locais abertos, como sítios e chácaras, com a distribuição das mesas de forma a manter distanciamento e refeições servidas por garçons no prato, em vez do sistema de buffet self service.

Diante deste cenário do ‘novo normal’, quando a pandemia ainda se faz presente no mundo todo, com medidas de segurança e mudanças de comportamento que vieram para ficar em vários segmentos, os profissionais do setor de eventos passaram a assumir mais responsabilidades e veem novas funções neste mercado, demandadas, principalmente, pelos cuidados ainda necessários nas comemorações.

Festas estão de volta

Há um ano, a nutricionista Mayara Gonçalves Pereira, 25 anos, e o eletricista Felipe Nunes Teixeira, 28, imaginaram que se casariam em um cenário totalmente diferente do atual. Eles não precisaram adiar a data agendada, mas revelam que todos os envolvidos na comemoração apostavam que ela aconteceria já em um período pós-pandemia.

“Começamos a planejar em outubro do ano passado, mas imaginávamos que as coisas já estariam resolvidas em novembro de 2021. Nós nos preocupamos muito com isso, mas graças a Deus, a vacinação foi avançando. Passamos a monitorar a imunização dos convidados, conseguimos fazer a festa, deu tudo certo e não houve casos de contaminação entre as pessoas que estiveram presentes”, conta Mayara.

Porém, a festa inicialmente planejada para 230 pessoas, precisou ser reduzida a 130. “Tivemos que cortar a lista, pensando mesmo na segurança, porque entendemos que ainda não é totalmente seguro fazer uma festa com muitos convidados”, avalia a noiva.

A cerimônia religiosa foi realizada em uma igreja e a festa em chácara, com ambiente aberto e a maioria das pessoas acomodadas em mesas do lado de fora do salão. “Como grande parte dos convidados é do nosso convívio, conseguimos fazer o monitoramento antes da festa, mas ainda assim, mantivemos os cuidados, como álcool em gel na entrada, solicitação para que usassem máscara na igreja e na festa, tirando apenas na hora da alimentação e distanciamento das mesas”, destaca Mayara.

Outra preocupação do casal, quando agendou o casamento para novembro deste ano, era garantir os preços da época, já prevendo o atual aumento de valores. “Dentro de todo o cenário, somos gratos por termos conseguido fazer a festa. Conhecemos pessoas que adiram o casamento por 2 anos e, agora, tudo aumentou muito em relação ao que pagamos no ano passado”, conta ela, revelando que o casal viajou em lua de mel para Maceió, em Alagoas.

Na saúde, na alegria

Ainda em tempos de pandemia de Covid-19, o passaporte para entrada em uma festa ou evento, além do convite, é o comprovante de vacinação contra a doença. Após paralisação de 97%, o setor vivencia a retomada, ainda com cuidados preventivos e público reduzido, mas com todos os atrativos.

“Olhando fotos e vídeos que vão surgindo nas redes sociais dos eventos que estão voltando, não se nota a diferença em comparação ao período antes da pandemia. As festas voltam com todos os seus atrativos, porém para um restrito público 100% imunizado. O comprovante de vacinação deve ser apresentado na entrada. Em alguns eventos, os testes são feitos na hora, no local, e o convidado só pode adentrar, após certificar-se que deu negativo”, conta Ana Rosa Augusto, diretora executiva da Bless Assessoria e Comunicação Empresarial, acrescentando que depois do evento, o trabalho segue com monitoramento dos convidados por 15 dias. 

Ainda na fase de preparativos, para controle maior de adesões, a confirmação de presença se torna imprescindível, já que hoje há pessoas que não se sentem seguras em dividir o mesmo ambiente com outras que não sejam de seu convívio diário. “Já para as equipes de trabalho, permanecem o uso de máscara apresentação do comprovante de vacinação e muitas vezes é exigido que todos façam o teste dois dias antes do evento. O álcool em gel ainda presente é solicitado e incorporado à decoração ou entregue como mimo”, destaca.

Com a pandemia iniciada em meados de março de 2020, o calendário de festas, principalmente de casamentos, está acumulado há pelo menos um ano e meio. “Isso dá a impressão de que aumentaram, mas acredito que vamos seguir assim até o final de 2023. Há uma nova variante e o importante é estarmos bem informados. Em termos de quantidade e atrativos, já estamos no mesmo patamar de antes da pandemia, com uma tendência e procura maior para locais abertos e arejados, que disponibilizem áreas externas”, frisa Ana Rosa.

 

As regras da pandemia também exigiram novos profissionais e abriram oportunidades no mercado de eventos. “Quem iria imaginar que precisaríamos, na equipe, de profissionais destacados apenas para aferir a temperatura em uma festa social ou ainda contratar um laboratório com exames rápidos na porta do salão. Cumprir os protocolos de segurança sanitária é necessário para comprovar que pode ser segura a retomada dos eventos. As empresas e profissionais do setor de eventos terão muitos desafios para convencer os convidados e até mesmo os trabalhadores de que é seguro estar fisicamente presente, aproveitar do convívio social”, acredita. 

Festejar com cautela e responsabilidade, respeitando a posição de cada um, é a regra atual. “O mundo passou por uma experiência traumática e de uma hora para outra se viu afastado e prisioneiro de tudo e de todos por sobrevivência. As pessoas sentem falta de se ver, dançar, celebrar a vida. A retomada dá uma sensação de renascimento”, conclui a promotora de eventos que atua há 22 anos na área e, nesta quarta-feira (15) estará no fórum “Eventos em Pauta”, do Sebrae, reunindo empresas de eventos do Alto Tietê.

Entre os trabalhos na agenda de Ana Rosa está o Simpósio de Saúde, do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), nesta terça-feira (14), no Guararema Parque Hotel. O evento técnico, com público fechado e limitado a 180 pessoas – a maioria gestores da saúde e palestrantes da área -, só autorizará a participação de pessoas com confirmação prévia. 

Haverá exigência de apresentação do comprovante de duas doses da vacina contra a Covid, fornecimento de máscaras N95 com solicitação de troca durante o evento e serão adotados distanciamento entre os participantes, medição de temperatura e disponibilidade de álcool em vários pontos.

Eventos têm número menor de convidados 

O casal Jéssica Regina de Almeida Veloso, 31 anos, e Rafael de Siqueira Veloso, 34, chegou a cogitar, em maio, a necessidade de adiar o casamento, marcado para novembro último, por conta da pandemia de Covid-19, ou realizar apenas a cerimônia civil, mas com o avanço da vacinação e diminuição de casos de mortes causadas pela doença, foi possível realizar o sonho completo.

No entanto, a noiva conta que algumas amigas não tiveram a mesma sorte. “Quem já havia agendado para março, abril e maio precisou mudar os planos, porque a pandemia estava no pior momento. Nestes casos, a data foi adiada em no mínimo um ano”, revela.

Mesmo com as liberações de eventos, Jéssica, que é assessora de gabinete da Prefeitura de Suzano, e o engenheiro Rafael, optaram por realizar a festa em local aberto, por isso, o sítio foi a melhor alternativa. “Assim, fizemos a festa do jeito que sonhamos. O salão, com as laterais abertas, tem capacidade para 350 pessoas, mas convidamos apenas 80, então, ficou bem espaçoso, as mesas tinham menos cadeiras para manter o distanciamento e deu muito certo”, comemora.

Para garantir maior segurança, a organização da festa enviou aos convidados orientações sobre a prevenção à Covid-19, como a recomendação para testes no caso daqueles que, por ventura, ainda não tivessem recebido a vacina. 

“Mas todos já estavam com as duas doses, com exceção das crianças, que tinham apenas a primeira, e os menores de 12 anos, que ainda estão sem a imunização, mas neste caso, eram apenas cinco. Além disso, quatro pessoas que estavam com sintomas não foram ao casamento e, graças a Deus, não houve nenhum caso de contaminação após a festa. Apesar das restrições e cuidados redobrados, tudo atendeu à nossa expectativa, porque desde o início a ideia não era mesmo fazer algo gigantesco”, completa a noiva.

Jéssica conta que, diante do acompanhamento dos convidados, foi possível também manter o espaço destinado à dança na festa, algo que fazia questão. “A pista era coberta, mas com as laterais abertas. Então, nenhum ambiente ficou completamente fechado e pudemos realizar nosso sonho de forma tranquila”, considera, contando que viajou em lua de mel para Natal, no Rio Grande do Norte. 

“É importante voltar de forma consciente, porque foi um setor que ficou bastante tempo parado e o pessoal precisa trabalhar. Além disso, as pessoas querem retomar a vida, ainda com cuidados. Sempre é possível fazer adaptações”, avalia Jéssica. 

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