Ex-padre conta como foi criada a Paróquia de Braz Cubas
Ainda como padre católico, Joaquim Casado chegou a Mogi quando dom Paulo Rolim Loureiro dava os primeiros passos na recém-criada Diocese de Mogi. Ao se apresentar como um padre em busca de uma “paróquia operária”, o bispo o encaminhou para Braz Cubas, onde Antonio Joaquim Barbosa havia construído uma capelinha próxima ao grupo escolar do […]
06/08/2021 16h11, Atualizado há 60 meses
Ainda como padre católico, Joaquim Casado chegou a Mogi quando dom Paulo Rolim Loureiro dava os primeiros passos na recém-criada Diocese de Mogi.
Ao se apresentar como um padre em busca de uma “paróquia operária”, o bispo o encaminhou para Braz Cubas, onde Antonio Joaquim Barbosa havia construído uma capelinha próxima ao grupo escolar do bairro ainda incipiente.
Junto da capela, havia uma residência para o padre, mas que estava alugada porque, até então, o sacerdote não existia.
Foi o próprio Joaquim Barbosa quem encontrou a solução.
Como em sua casa eram apenas ele e a esposa, o recém-chegado foi convidado a residir ali.
Casado aceitou e nunca mais deixou Braz Cubas, onde mora até os dias atuais.
Agora com sua própria família.
Amizade duradoura
Braz Cubas ainda era um bairro de poucas casas quando o padre Joaquim Casado recebeu do bispo dom Paulo Rolim Loureiro a missão de transformar a sua pequena igreja em sede de uma paróquia.
Resolveu pedir ajuda a Waldemar, político conhecido em toda cidade:
“Ouvia dizer que ele não gostava de padre. Então, cheguei e já fui logo dizendo que não estava procurando gosto de ninguém, e sim doação para a igreja de Braz Cubas”.
Segundo Joaquim Casado, Waldemar gostou de seu jeito resolvido de pedir ajuda. “Ele me ajudou e nós ficamos amigos para sempre.
Tanto que , mesmo sem eu nunca ter solicitado, Waldemar mandava para minha casa, todos os meses, um balancete com as contas da Prefeitura daquele período.
Uma cortesia da parte dele, que se repetia sempre que ele ocupava o cargo de prefeito.Foi uma grande amizade”, conta o bem-humorado “Padre Casado”.
Atrasou, perdeu o dia
Mesmo tendo sido convidado para trabalhar com ele, na Prefeitura de Mogi das Cruzes, o “Padre Casado” não ficou imune ao estilo Waldemar de governar.
Certa vez, como integrante do setor de Promoção Social da Prefeitura, Casado participou de uma reunião com representantes de bairros da cidade, que se estendeu até mais de meia-noite.
Cansado, ele acabou dormindo além do normal e chegando atrasado ao trabalho.
Logo tratou de procurar o chefe para expor os resultados da reunião e explicar os motivos do atraso.
Waldemar não perdoou:
“Chegou atrasado, perdeu o dia, que será descontado de seu salário”.
Mas haveria compensação. De férias, na Espanha, Casado precisou ficar dois dias além do previsto.
Desta vez, o chefe aceitou, sem qualquer problema (nem desconto).