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Falta de matéria-prima afeta a cadeia industrial do Alto Tietê

Mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, o Brasil já não se mostrava desenvolvido o suficiente a ponto de ter uma oferta abundante de matéria-prima, segundo explica o vice-diretor da regional Alto Tietê do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Renato Torquato Rissoni. Com a chegada da doença no país e no […]

Por O Diário
14/12/2020 17h56, Atualizado há 68 meses

Mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, o Brasil já não se mostrava desenvolvido o suficiente a ponto de ter uma oferta abundante de matéria-prima, segundo explica o vice-diretor da regional Alto Tietê do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Renato Torquato Rissoni. Com a chegada da doença no país e no mundo, a situação se agravou e isso, há meses, tem afetado as empresas da Região. A possibilidade de uma segunda onda de contaminações preocupa o setor.
“São vários fatores que colaboram para essa falta de matéria-prima, mas podemos dizer que a pandemia é o principal. Esse é um fator estrutural do país que não estava preparado para um aumento de demanda e veio a pandemia que diminuiu ainda a oferta e a produção de matéria-prima.  Algumas atividades do país não foram afetadas com a pandemia, continuou-se a usar matéria-prima, enquanto outras não. Isso gerou também o direcionamento da matéria-prima, que foi usada para atender a demanda do momento. Existe uma série de complicadores”, comenta Rissoni.

No Alto Tietê, o vice-diretor explica que a principal prejudicada tem sido a metalurgia. O setor usa, principalmente, o aço para a produção e o insumo apresenta uma grande falta no mercado atual. Além de ser difícil encontrar para comprar, a fabricação já está tendo um custo muito mais elevado. Rissoni conta que é possível que a indústria automobilística diminua a produção por conta da falta de produtos iniciais para a produção, o que afeta toda a cadeia do setor, já que a indústria de autopeças também seria prejudicada.

“Pouquíssimas empresas tinham matéria-prima guardada, porque não se trabalha com alta no estoque. Ele precisa funcionar como um giro, dentro das práticas de produção industrial é necessário trabalhar com estoque reduzido. O ideal é ter um estoque zero, que significa receber matéria, aplicar no produto e já vender esse produto. Isso é o grande sonho de todo mundo. Mas na atual situação, é fato que quem está mais estocado está aguentando melhor”, frisa.

Rissoni explica ainda que a pandemia afetou de maneiras diferentes cada tipo de indústria. Ele usa como exemplo as fábricas de álcool, que não são encontradas na Região, mas que tiveram uma demanda muito maior desde que a doença chegou ao país. Em setores como esse, os fabricantes precisaram encontrar meios de atender um número maior de pedidos.

Além de afetar a produção, a falta de matéria-prima pode estar ligada também às demissões na indústria. Com a falta dos insumos, não existe produção e os funcionários acabam dispensados. “Mas se a matéria-prima for encontrada, mesmo que mais cara, não é possível promover demissões, porque a mão de obra se faz necessária. Não tem como produzir sem isso. Lógico que as empresas têm uma obrigação de buscar constantemente por maior eficiência, o que envolve a mão de obra, mas ela precisa existir. Nós temos que continuar torcendo por uma recuperação”, diz Rissoni.

A indústria começou a sentir leve melhora na produção e nos índices de confiança e de empregos nos últimos meses, o que pode desandar, caso as preocupações com uma segunda onda de casos se confirmem e seja necessário retroceder ainda mais nas fases dos planos de retomada das atividades econômicas e sociais.

Setor teme a segunda onda

A possibilidade de uma segunda onda de casos da Covid-19 preocupa a indústria, que foi bastante afetada desde o início da pandemia. “Ela pode ter ainda agravantes, como a mudança do perfil de quem pode ser contaminado. A indústria que tomou precauções sanitárias, não teve grandes problemas de contaminação da mão de obra, então isso precisa ser mantido. A gente não sabe o que pode acontecer nos próximos dias e precisamos do comércio para que os produtos sejam vendidos”, conclui  Renato Torquato Rissoni, vice-diretor da regional do Ciesp. O temor seria a adoção de um lockdown. 

Preço eleva ou indústria assume custos

A falta de matéria-prima não afeta apenas a produção, mas todo o ciclo, que termina com a venda do produto para o consumidor final. 
“Eu tenho comigo que os valores mais altos já estão precisando ser repassados ou, se não isso, a indústria está absorvendo esses custos, porque está sendo obrigada a fazer isso”, comenta Renato Torquato Rissoni, vice-diretor da regional do Ciesp.

. Ele dá o exemplo das vendas já comprometidas, onde o fabricante já vendeu o produto para entregar nos próximos meses, mas com o cálculo do valor antigo dos insumos. Com a dificuldade em encontrar essa matéria-prima, ela acaba ficando mais cara e não há mais a possibilidade de alterar o preço da venda do produto, o que gera um prejuízo. Segundo ele, esse, inclusive, é um problema que está acontecendo no parque industrial das cidades do Alto Tietê, quando uma negociação de preços não acontece.

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