Família vai manter encontro virtual neste Natal
Mesmo com a redução dos riscos da Covid-19 e a flexibilização das atividades, que vão permitir o encontro entre as pessoas neste Natal, muitas famílias, por diversos motivos, não poderão estar reunidas presencialmente para se abraçar, trocar presentes e se sentar à mesma mesa para a ceia. Neste caso, para poder passar alguns momentos juntas […]
24/12/2021 09h51, Atualizado há 54 meses
Mesmo com a redução dos riscos da Covid-19 e a flexibilização das atividades, que vão permitir o encontro entre as pessoas neste Natal, muitas famílias, por diversos motivos, não poderão estar reunidas presencialmente para se abraçar, trocar presentes e se sentar à mesma mesa para a ceia. Neste caso, para poder passar alguns momentos juntas e comemorar a data, muitas delas vão se ‘encontrar’ virtualmente, uma solução surgida durante a pandemia, que passou a fazer parte da rotina de muita gente e contribuiu para reduzir a saudade na distância.
Este é o caso da família do dentista Miguel Nagib, que confirmou que já está tudo certo: por volta das 20 horas da véspera de Natal, os avós, filhos, irmãos, netos, bisnetos, cunhados, tios, sobrinhos e primos vão se encontrar, utilizando a plataforma Zoom, para fazer uma oração, pedir a proteção de Deus, agradecer pela união entre eles e por estarem juntos por alguns momentos para comemorar esta data tão cheia de significado para todos os cristãos.
Quem lidera a reza é um dos filhos do patriarca, o advogado Miguel Francisco Urbano Nagib, o Vacico, que mora em Brasília, mas está nos Estados Unidos com a esposa Ruth, porque a filha deles, a Marcela, teve bebê no último dia 17, Felippo, o mais novo integrante da família.
Miguel Francisco explica que este ano, não é a pandemia que está impedindo que a comemoração seja presencial, mas sim a distância e os compromissos já assumidos anteriormente pelos filhos e netos.
Ele conta que essa reunião virtual não é um evento programado apenas para esta data de Natal, mas sim uma prática que se tornou diária entre os familiares. O ritual foi incorporado na rotina deles desde o início do ano passado, quando todos tiveram que ficar isolados por causa da pandemia e decidiram promover esse encontro para fazer a oração todas as noites.
“A pandemia acabou nos unindo, porque mesmo longe uns dos outros, conseguimos encontrar uma formar de estarmos próximos”, comenta o advogado Miguel Francisco, que foi quem teve essa ideia. “Começamos a fazer as orações no início da pandemia por causa do distanciamento, mas deu tão certo que a partir daí decidimos manter e passamos a fazer diariamente. Nem sempre todos podem participar, mas essa é uma forma de estarmos juntos”, diz, contando que os sogros também aderiram à iniciativa.
Ele explica que a família ficou até mais unida a partir deste novo formato de reunião. “A gente não se encontrava e nem se via tanto, mas depois, paradoxalmente, a pandemia, que deveria isolar todos, acabou nos aproximando mais”, disse.
Joana D’Arc, esposa do patriarca, Miguel Nagib, apesar de não ser a mãe biológica é a mãe de coração dos filhos do dentista, com quem está casada há 45 anos. Ela disse que foi isso que deu força ao casal para enfrentar o isolamento na pandemia.
“Não sei o que seria sem essas orações noturnas de todas as noites, porque isso deu uma nova motivação para todos nós e acabou nos juntando ainda mais”, reforça. Ela relata que durante esses encontros, eles podem poder ver as crianças, os netos. “Além de poder ver cada um deles, a gente fica sabendo de tudo o que está acontecendo com todos. A oração leva de 20 a 30 minutos, e depois a gente fica conversando sobre os mais diversos assuntos. É uma oportunidade de vê-los e fortalecer o vínculo familiar. Isso é muito positivo, porque todos estão imbuídos na ideia de manter essa rotina de encontros e estar sempre próximos”, comenta Joana.
Além disso, ela observa que tem o lado religioso, que ajuda a fortalecer os laços. “Nossa família é muito unida e agradeço a Deus por isso. Temos muita fé e isso é muito maravilhoso”, exalta.
Miguel Nagib, aos 91 anos, também está sempre presente nos encontros virtuais que, normalmente, contam com a participação dos três filhos – Miguel Francisco, Fred e Mara -, cinco netos e 10 bisnetos. O mais novo nasceu nesta semana. Em abril vai chegar um bisneto.
A alegrida da reunião na casa da Dona Veni
A família da aposentada Veni Maria de Andrade vai se reunir para comemorar o Natal deste ano, após um longo período de distanciamento social, que permitia apenas os contatos por mensagens e videochamadas. Apesar de alguns deles não poderem comparecer na noite para a ceia, ela explica que a maioria deve estar junta para o almoço no dia de Natal, “motivo de muita alegria para todos nós”.
Veni disse que está se esforçando para manter por perto os irmãos, sobrinhos e netos que se separaram na pandemia. Muitos deles mantinham apenas o contato virtual, mas as visitas passaram a acontecer com menor frequência após a morte da matriarca, dona Marcília, e de um dos irmãos, José Gabriel de Andrade, chamado de Zéquinha, que teve complicações de saúde, mas faleceu no início deste ano por causa do novo coronavírus
A aposentada lembra ainda que no Natal do ano passado, além de separados por conta do distanciamento social, havia uma preocupação também porque um dos cunhados, Antonio José Mercado, casado com Maria Auxiliadora, se encontrava internado com a Covid-19. Neste ano, recuperado, ele também participará da festa.
“Agora, a situação é bem diferente, porque praticamente todos estão protegidos com a vacina. Mesmo assim, vamos tomar os cuidados e manter uma distância segura. O bom é que vamos ver as crianças, que também poderão estar próximas entre elas para brincar”, diz.
Para este ano, o desejo dela é preservar a tradição, resgatar a alegria do Natal e deixar a tristeza para trás. A família dela é religiosa e muito conhecida em Braz Cubas, onde fica a casa de dona Marcília, que a aposentada quer manter como referência para todos eles, que têm muitas histórias e boas lembranças das festas de Natal.