Familiares das irmãs acusadas de maus-tratos a crianças residem em rua do Alto Ipiranga
A rotina de uma rua residencial do Alto do Ipiranga foi marcada nesta semana quando a Justiça decretou a prisão da pedagoga Fernanda Carolina Rossi Serme, uma das proprietárias da Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica, localizada na Vila Formosa, em São Paulo, que ficou nacionalmente conhecida após a divulgação de vídeos de crianças amarradas […]
30/04/2022 07h49, Atualizado há 52 meses
A rotina de uma rua residencial do Alto do Ipiranga foi marcada nesta semana quando a Justiça decretou a prisão da pedagoga Fernanda Carolina Rossi Serme, uma das proprietárias da Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica, localizada na Vila Formosa, em São Paulo, que ficou nacionalmente conhecida após a divulgação de vídeos de crianças amarradas por lençóis e deixadas em um banheiro como uma espécie de castigo por chorarem ou se recusarem a comer. Fernanda e Roberta Regina Rossi Serme Coutinho da Silva são indiciadas por crimes como maus-tratos, tortura, periclitação de vida (quando se coloca alguém em riso) e formação de quadrilha.
Um endereço da rua mogiana caracterizada por abrigar sobrados com portões que escondem o interior das garagens e valores de mercado de R$ 1 milhão para venda, foi dado por Fernanda, de 37 anos, e a irmã, Roberta Regina, de 40 anos, como sendo da família, no inquérito policial que investiga a denúncia de violência praticada contra alunos com idades de 1 a 5 anos, baseada em relatos dos pais e imagens de vídeos que as indiciadas afirmam desconhecer a origem e questionam, inclusive, a veracidade. As duas afirmam que não determinaram a conduta viralizada em redes sociais.
No boletim de ocorrência sobre o cumprimento da prisão preventiva de Fernanda consta a rua Guido Razzé, um local onde, segundo disse o advogado de defesa, André Dias, a O Diário, policiais já haviam ido durante 7 vezes, antes de a juíza Gabriela Bertolli expedir mandado de prisão, busca e apreensão na terça-feira (25). Naquele dia, Fernanda foi detida, e a prisão mantida após audiência de custódia no Fórum de Mogi das Cruzes. Pouco mais de 48 horas depois, Roberta Regina se entregou na Delegacia Central de Itaquaquecetuba. A Justiça havia convertido o mandado de prisão temporária, expedido há mais de um mês, em prisão preventiva.
Fernanda foi levada para a Penitenciária de Tremembé, onde, quando houver vaga, a irmã deverá ir até o julgamento.
Chocantes
As condições e o tratamento dado às crianças da escola particular chocaram e mobilizaram pais desde março passado.
Em cenas fortes, vê-se os pequenos amarrados com panos ou dispostos em cadeirinhas colocadas no banheiro, ao lado do vaso sanitário. Também é investigada a auxiliar de limpeza Solange da Silva Hernandes, de 55 anos. O caso corre em segredo de Justiça.
Na quarta-feira (27), em entrevista por telefone, André Dias, um dos advogados de defesa das investigadas, disse que a escola infantil era de responsabilidade das duas, mas reforçou que “elas não tinham conhecimento sobre as imagens”. Em seguida, acrescentou: “Há diferença entre ser o proprietário de uma casa, por exemplo, e mandar ou determinar alguma ação dentro da casa”.
A defesa tentou inibir a prisão, alegando a postura de colaboração com as investigações. Após a entrega de Roberta, procurado pela reportagem, o advogado já não retornou ao pedido de informações atualizadas sobre o caso.
Como era
A Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica funcionava há 22 anos. Entre as investigações que mencionam a unidade, uma dela é sobre a morte de uma criança de 4 meses. Segundo a mãe, quando a filha chegou em casa, ela observou que o bebê tinha a pálpebras inchadas, “como se tivesse chorado muito”.
Surpresa
A prisão das irmãs Serme causou surpresa em Mogi das Cruzes. Segundo fontes policiais, mais de uma dezena de endereços foram investigados. No local informado no boletim de ocorrência sobre a prisão de Fernanda, em consulta a guias de endereço, consta o nome de igreja evangélica que não funciona ali: a entidade tem sede há 40 anos em via próxima, na rua Jardelina de Almeida Lopes, e não tem ligação com o imóvel.