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“Fuga” de jiboias nos Correios de Itaquá desvenda esquema de tráfico de animais

A “fuga” de duas cobras jiboia de uma correspondência que seria entregue na casa de um adolescente de 16 anos no Jardim Pelotas, em Itaquaquecetuba, levou a Polícia Ambiental de Mogi das Cruzes e a Guarda Ambiental daquela cidade a descobrirem um esquema de tráfico de animais que incluiu o envio das encomendas a uma […]

Por O Diário
14/02/2023 11h12, Atualizado há 42 meses

A “fuga” de duas cobras jiboia de uma correspondência que seria entregue na casa de um adolescente de 16 anos no Jardim Pelotas, em Itaquaquecetuba, levou a Polícia Ambiental de Mogi das Cruzes e a Guarda Ambiental daquela cidade a descobrirem um esquema de tráfico de animais que incluiu o envio das encomendas a uma agência dos Correios, na Estrada de Santa Isabel. Outras remessas semelhantes podem ter sido feitas usando esse mesmo modo de envio de uma carga ilegal – animais silvestres subjugados a condições de maus-tratos.

O encontro das duas cobras entre as embalagens e o mau cheiro notado por trabalhadores da agência dos Correios de Itaquaquecetuba, ocorreu na manhã de segunda-feira (13), quando guardas ambientais foram chamados para verificar o que estava no interior de uma caixa de papelão de 40 por 40 centímetros.

No local, duas cobras haviam escapado da “prisão” e uma busca em outras encomendas encontrou 29 espécies comprimidas e envelopadas para serem entregues no endereço do adolescente que foi apreendido durante a investigação. O garoto deverá ser acompanhado pela Vara da Criança e do Adolescente de Itaquá. Após audiência, o juiz deverá determinar medidas como a prestação de serviços comunitários. 

A prática ilegal, informou o secretário municipal de Segurança de Itaquá, Anderson Caldeira, segundo relato do adolescente e de vizinhos, pode ter ocorrida outras vezes.

Pelas redes sociais, o jovem foi “contratado” por integrantes do esquema que mandavam as encomendas com os animais para o endereço dele. Pouco depois da chegada do produto que, desta vez, segundo apurou a Guarda Ambiental, foi remetida de um endereço (que pode ser fake) de Belém do Pará,  um carro chamado por meio de aplicativo vinha pegar as encomendas. 

De acordo com as primeiras informações do adolescente, que está matriculado em uma escola e não possuía outros registros semelhantes, ele recebia um valor de R$ 50, por ceder o endereço. 

O secretário Caldeira afirma que o jovem foi “cooptado” pelas redes sociais e era usado em um esquema rentável.

A quanta R$ 50,00 – se for mesmo essa, é extremamente barata porque o mercado desses animais, como cobras, paga valores que chegam a R$  7,5 mil por uma jiboia.

Inicialmente, as cobras foram identificadas como sendo da espécie Píton. Elas foram retiradas da embalagem inicial, e mais tarde, no CRAS Pet (Centro de Recuperação de Animais Silvestres), no Parque Ecológico do Tietê, na Capital, os profissionais do espaço constataram que foram aprreendidas 25 filhotes de cobra, dentificadas como jiboia. Uma delas, estava morta.

Também estavam na remessa três cágados e uma aranha da espécie tarântula.

Mercado

Há certa semelhança entre as espécies jiboia e Píton, que é uma cobra exótica. Enquanto as primeiras encontradas no Brasil são vivíporas (os filhotes já nascem formados), as pítons, originárias dos continentes africano e asiático, são ovíparas (botam os ovos, que se transformam em filhotes).

Há um mercado clandestino para a aquisição dos animais dessa família, com valores que variam, segundo informações obtidas em sites do segmento, a partir de R$ 1,5 mil. Animais adultos podem chegar a custar R$ 15 mil.

Mas, também é possível, com licenciamentos específicos, manter esses animais em cativeiro. Informações devem ser obtidas junto ao Ibama (acesse aqui).

Informações podem ser obtidas sobre como cuidar de animais silvestres em casa podem ser obtidas no telefone 0800-618080.

VEJA TAMBÉM: Há dois anos, a Polícia descobriu 17 serpentes em uma casa em Itaquaquecetuba – os  animais seriam vendidos pela internet.

Investigação

O secretário de Segurança, Anderson Caldeira, contou em entrevista a O Diário que guardas ambientais voltaram nesta terça-feira (14) à agência dos Correios para tranquilizar e dar orientações aos funcionários que ficaram assustados com o encontro das cobras em meio a centenas de outras encomendas recebidas diariamente no local.

As cobras estavam comprimidas em uma mesma caixa, e os cágados estavam com as pata e o corpo “envelopados” por fitas adesivas – apenas as cabeças estavam livres, para respirarem. 

Após o encontro, Caldeira disse que a equipe procurou se informar e descobriu que esse tipo de meio de transporte é usado por quadrilhas que escolhem unidades de Correios sem recursos para identificar o teor das encomendas, como o raio-x, para encaminhar os animais.

A partir de agora, antecipou o secretário, a Guarda Ambiental deverá intensificar a atuação para tentar identificar a prática ilegal que foi flagrada pela primeira vez, na atual gestão do prefeito Eduardo Boigues.

Caldeira acredita que outros integrantes dessa quadrilha, a partir dos depoimentos do adolescente, deverão ser encontrados pela Polícia Ambiental, que seguirá, a partir de agora, investigando o caso.

O endereço do Belém do Pará, também deverá ser rastreado, mas ele acredita que o rementente possa inexistir.

Caldeira opinou que o tráfico de animais prospera porque a legislação impõe penas brandas, o que favorece a percepção de impunidade para uma situação que tem sido cada vez mais comum.

VEJA AINDA: Em Mogi das Cruzes, o poder público também acompanha o aumento do encontro de animais silvestres e peçonhentos na área urbana.

A Guarda Ambiental de Itaquaqueceutuba foi criada para atender problemas como maus-tratos e também o incidentes envolvendo animais domésticos e silvestres – estes úlltimos, por falta de áreas verdes, são ainda mais encontrados na área urbana da cidade.

Sugestões, denúncias, captura  e informações sobre o resgate de animais podem ser obtifdas no telefone da Guarda Municipal: 4753-1108, que atende 24 horas por dia em Itaquaquecetuba.

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