Fumaça de queimadas incomoda vizinhos de área invadida na Vila São Francisco
Após diversas reclamações, moradores vizinhos da área invadida na Vila São Francisco – no polo industrial de Mogi das Cruzes –, ainda aguardam uma solução para as “queimadas diárias” na região ocupada. “Nesta terça-feira (13), o problema piorou, afetou crianças dos condomínios próximos, a fumaça que está invadindo os apartamentos”, contou um morador das redondezas. […]
14/07/2021 13h07, Atualizado há 61 meses
Após diversas reclamações, moradores vizinhos da área invadida na Vila São Francisco – no polo industrial de Mogi das Cruzes –, ainda aguardam uma solução para as “queimadas diárias” na região ocupada. “Nesta terça-feira (13), o problema piorou, afetou crianças dos condomínios próximos, a fumaça que está invadindo os apartamentos”, contou um morador das redondezas.
Segundo relatos de moradores que procuraram a reportagem, o problema está se intensificando, com a chegada de mais famílias na ocupação.
“Aqui no condomínio já fizemos várias ligações para os Bombeiros, Polícia, Prefeitura e até SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Está insuportável ficar em casa, tem queimada todos os dias, fica difícil respirar, aqui no condomínio vários idosos e crianças com problemas respiratórios, e não existe nenhuma ação de nenhum órgão”, relatou o morador que não quis ser identificado. “A coisa está grave”, finalizou.
Não é a primeira vez que O Diário apresenta reclamações de moradores das redondezas, que além de denunciarem baderna, consumo de drogas e álcool no local, furto de energia elétrica e outras questões, as famílias residentes na redondeza também reclamam da ausência da Guarda Municipal no terreno.
“Estão queimando na beira do muro da linha do trem, bem na frente dos condomínios. Ligamos na Prefeitura, na Polícia, Bombeiros, em todo número que imaginar, mas a situação continua a mesma”, finalizou.
Em nota, a A Secretaria Municipal de Segurança informa que vem acompanhando a situação na região da Vila São Francisco, por meio da Guarda Municipal. “Sempre que acionada, a corporação adota as medidas necessárias para a solução do problema, inclusive com apoio do Corpo de Bombeiros, se necessário”.
Já a Secretaria Municipal de Segurança lembra que a prática de queimadas traz prejuízos ao meio ambiente e riscos à população, além de prejudicar a saúde de pessoas com problemas respiratórios, principalmente em períodos de seca, como o atual. A Guarda Municipal pode ser acionada pelo telefone 153.
As equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social estão desenvolvendo um trabalho em busca de ofertar proteção social aos ocupantes, segundo garante o governo municipal Isso inclui “o cadastramento dos ocupantes, identificação de situações específicas, inscrições no Cadastro Único, inserções em programas de transferência de renda, além da ofertas de insumos básicos, como alimentos e cobertores”.
Por fim, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento diz também atuar no caso, por meio do programa Mogi Conecta, com o objetivo de facilitar a obtenção de emprego e renda por parte dos ocupantes. “O trabalho consiste na coleta de dados de histórico profissional e perfil das pessoas que lá estão, recebimento e elaboração de currículos, cadastro dos dados no sistema e encaminhamento dos mesmos para empresas em processo de contratação”, informa em nota.
Famílias
A situação das famílias na área é delicada e demanda, antes de tudo, de assistência.
No último dia 6 de maio, uma pesquisa da Prefeitura revelou que a ocupação contava com 291 unidades (barracos), sendo 176 não habitadas ou inacabadas, 46 identificadas sem ocupantes e 69 habitadas. Das 69 unidades ocupadas, em 52 as pessoas declararam que são de outras cidades, sendo a maioria da zona leste de São Paulo e 17 famílias disseram ser de Mogi. Ao todo, foram constatadas 216 pessoas presentes na área, sendo 129 adultos e 87 crianças e adolescentes.
Segundo a Assistência Social, a invasão se iniciou com a ação de grupos provenientes de outras cidades. A Prefeitura afirma ter providenciado o fechamento da área, “com o intuito de evitar novas invasões, ação essa que não compreendeu a remoção de nenhuma família do local”. A medida foi adotada após liminar concedida pelo juiz Eduardo Carvert, da Vara da Fazenda Pública, que determinou o congelamento da área, proibindo terraplanagem, remoção de terra, derrubada de vegetação e modificação da estrutura já existente e da condição do local.