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Funcionários decidem briga com tiros de garrucha dentro de Prefeitura do Alto Tietê

Francisco Quadra Andrez, o Ticão, é uma daquelas figuras inesquecíveis que passaram por Suzano. Perspicaz e inteligente, ele atuou em praticamente todos os cargos da Prefeitura daquela cidade, em especial durante os mandatos do ex-prefeito Estevam Galvão.  Autor do livro Suzano, a história que você não leu, o autor relembra casos do passado da cidade, […]

Por O Diário
12/02/2023 09h53, Atualizado há 39 meses

Francisco Quadra Andrez, o Ticão, é uma daquelas figuras inesquecíveis que passaram por Suzano.

Perspicaz e inteligente, ele atuou em praticamente todos os cargos da Prefeitura daquela cidade, em especial durante os mandatos do ex-prefeito Estevam Galvão.

 Autor do livro Suzano, a história que você não leu, o autor relembra casos do passado da cidade, inclusive alguns onde foi protagonista, como o caso de um atrito entre ele o Leonardo Pinto Mendonça, chefe da Receita da Prefeitura:

“Discutimos na minha sala por uma questão idiota: quem teria de executar determinado serviço. Quase chegamos às vias de fato, trocando insultos de todas as formas, até que decidimos acertar as contas na rua, ao final do expediente. 

A Prefeitura toda ficou sabendo do desafio e muitos vieram me pedir para não levar a briga adiante, afinal nos dois sempre fomos grandes amigos.

Mais ou menos às 15 horas, resolvi ir até o bar do Alvarenga, na esquina da Glicério com  Campos Salles, comer um sanduíche.

No meio do caminho encontrei o Leonardo  e nos encaramos, trocamos mais algumas ofensas e resolvemos ir até o bar onde, amigo que éramos, decidimos manter o clima e a promessa de briga. 

O Leonardo morava próximo à Prefeitura, onde o pai dele mantinha uma carpintaria, como todo tipo de ferramentas.
Foi lá que, na volta, achei uma velha garrucha prateada, de dois canos.

“Leonardo, você hoje vai me matar”, disse a ele. Feito o acordo prendemos uma bala da garrucha na morsa, tiramos o chumbo e só deixamos a pólvora e a espoleta, fazendo o mesmo com a outra bala.

E acertamos, eu iria na frente para minha sala e ele chegaria depois para me provocar. Ele apontaria a arma e eu cairia morto. “Mas chama o pessoal para conversar em sua sala. Precisamos de plateia”, disse ele.

Ao chegar à Prefeitura, todos estavam  preocupados comigo e com o Leonardo. Sentei e logo estavam os amigos em volta de minha mesa tentando me convencer a desistir do duelo.
Nesse momento entrou o Leonardo, me chamando para briga. Eu ainda desdenhei dele dizendo que amarrava uma das mãos para enfrentá-lo.

Ele sacou a arma e atirou em direção do meu peito.

Eu grunhi ‘desgraçado’ e desabei atrás da escrivaninha.

A Magary entrou em pânico e a Mayr desmaiou, enquanto o Dito Martins deu as escadas do prédio gritando que tinham me matado. O Issao Nishikawa, acuado num canto, pedia para que Leonardo se acalmasse. 

Fingindo loucura, Leo virou-se para ele e disparou o segundo tiro.

Mesmo depois de me ver de pé, Magary continuou gritando, enquanto a Mayr arregalou os olhos quando me abaixei para socorrê-la. Garantia que tinha visto sangue em minha camisa e que eu estava morto.

Já o pobre Issao tivemos de levá-lo embora para trocar as calças, completamente encharcadas.”

 

Revólver de curtíssimo alcance

Depois da história dos tiros de festim disparados no interior da Prefeitura de Suzano e até mesmo de um período,  em que presidente da República do Brasil conseguia se eleger prometendo liberar armas de fogo e fazendo sinais de revólver com os dedos – algo que, felizmente já ficou para trás -, vale recordar o caso contado pelo jornalista Claudio Humberto em seu “Poder Sem Pudor”.

Em Coreaú, no interior do estado do Ceará, o vereador  Zé Galvão amarrava, tranquilamente, a carga de um caminhão, quando, de repente, surgiu, de revólver na mão, o seu principal desafeto político, já avisando:

“Desce daí para morrer, Zé Galvão!”. 

E o vereador Galvão, na maior calma, olhou bem para o adversário e rertrucou:

“Diabo de revólver é esse seu que não consegue sequer botar uma bala aqui em cima?”

 

Causos de causídicos

Lembram os mineiros que no final dos anos 50, Magalhães Pinto e Tancredo Neves tentavam viabilizar suas candidaturas ao governo de Minas.

Certa vez, Magalhães ironizou o adversário:

“Tancredo? Francamente, não sei se seria um bom governador. Dizem que é bom advogado, mas nunca soube de uma casa ganha por ele”.

Tancredo soube e devolveu a provocação:

“Engraçado, dizem ser o Magalhães um grande advogado, mas eu nunca encontrei um colega de turma dele”.

Magalhães ganhou então o apelido de “Doutor sem diploma”. 

Mas ficou também famosa  a história (verdadeira) de um advogado de Mogi que teve  uma petição rejeitada pelo juiz, em razão da grande quantidade de agressões à língua pátria.

O meritíssimo não só recusou o documento em razão dos erros de português, como ainda recomendou ao ilustre causídico que retornasse  aos bancos escolares.

 

Eleição no palitinho

A campanha para presidente da Câmara de Mogi, em 1990, foi  disputada como nunca e teve um final ainda mais surpreendente e inusitado.

José Antonio Cuco Pereira e Norberto Mangueira Engelender eram candidatos no confronto que terminou empatado. 

Como, além do voto, não havia outro jeito de definir o vencedor, optou-se por uma saída salomônica.

Dois pedaços de papel, com os nomes de Cuco e Mangueira  foram colocados no interior de um chapéu e o funcionário Odair Teixeira da Silva, o “Dadá”,  foi chamado para retirar um deles. 

Deu Cuco Pereira,  na primeira eleição da história do Legislativo de Mogi das Cruzes  decidida por sorteio.

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