Geraldo Alckmin, um personagem de muitas histórias
Virtual candidato a governador de São Paulo nas próximas eleições, por um partido que ele ainda deverá escolher – a princípio, tudo parecia caminhar para o PSD, até que DEM e PSL se fundiram e o novo partido entrou na disputa pelo seu passe-, Geraldo Alckmin (PSDB) sempre foi um excelente contador de causos. Hábito […]
17/10/2021 08h08, Atualizado há 58 meses
Virtual candidato a governador de São Paulo nas próximas eleições, por um partido que ele ainda deverá escolher – a princípio, tudo parecia caminhar para o PSD, até que DEM e PSL se fundiram e o novo partido entrou na disputa pelo seu passe-, Geraldo Alckmin (PSDB) sempre foi um excelente contador de causos. Hábito que herdou de sua infância e juventude em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, mas que continuou presente ao longo de sua vida na política.
Até hoje, o ex-governador ainda gosta de contar histórias de políticos ou gente de sua região. No entanto, poucos sabem como ele, estudante de Medicina no Vale do Paraíba, acabou se enveredando por este caminho.
Ele estava com 19 anos e cursava o primeiro ano da Faculdade na Universidade de Taubaté, quando recebeu a visita do presidente do MDB de Pinda, Paulo de Andrade.
O objetivo dele era filiar Antonio José Betônio Moreira, colega de classe de Alckmin ao partido. O jovem universitário estava do lado e acabou ingressando também no MDB, que àquela altura era a única oposição permitida à ditadura militar da época.
Betônio seria candidato a vereador pelo partido em Pinda, mas, sabe-se lá por quais motivos, acabou desistindo da empreitada.
E o que aconteceu a partir daí?
Sobrou para o seu colega Alckmin ocupar o lugar de candidato da legenda a uma vaga na Câmara Municipal.
O futuro médico terminou o pleito como o vereador mais votado da história da cidade. Foram 1.447 votos, equivalentes a mais de 10% de todo o eleitorado.
Chegou a presidente da Câmara , mas não pretendia disputar a Prefeitura nas eleições municipais de 1976, apesar dos muitos apelos do partido.
Em agosto, no entanto, o ex-presidente da República, Juscelino Kubitscheck morreria num acidente de carro na rodovia Presidente Dutra, perto de Pinda.
Uma edição especial da revista Manchete, da antiga Editora Bloch, contando a história do ex-presidente chegou às mãos de Alckmin durante um plantão no hospital da cidade.
Ele leu toda a reportagem, de cabo a rabo, e se emocionou com a história de Juscelino. A vida de “Nonô”, como era chamado o mineiro de Diamantina, mexeu definitivamente com a cabeça e a emoção do médico que terminou a noite de trabalho disposto a encarar a eleição.
E, a partir daquele momento, a política passou a ser o principal objetivo de sua vida. E ele passou a colecionar vitórias. Em 1986 foi o quarto mais votado entre os deputados federais paulistas do então PMDB. Veio a Constituinte e ele se tornou um aliado incondicional de Mário Covas, com quem fundaria o PSDB, partido pelo qual chegou ao governo do Estado de São Paulo por mais de uma vez, mas não conseguiu chegar à Presidência da República, uma aspiração recente.
Agora, após um período sabático, Geraldo Alckmin vai voltar à cena política paulista, concorrendo, mais uma vez, a governador do Estado.
Um causo a mais na vida do político do Vale e de tantas histórias..