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Guerra na Ucrânia pode afetar empresas de Mogi

Os impactos econômicos da guerra na Ucrânia rompem rapidamente as fronteiras e já chegam ao Brasil, podendo afetar as empresas de Mogi das Cruzes, principalmente as subsidiárias instaladas na cidade e com matrizes em países europeus ou nos Estados Unidos.  Segundo Claudio Costa, diretor-executivo da Agência de Fomento Empresarial (AGFE), de maneira geral, as empresas […]

Por O Diário
05/03/2022 07h29, Atualizado há 52 meses

Os impactos econômicos da guerra na Ucrânia rompem rapidamente as fronteiras e já chegam ao Brasil, podendo afetar as empresas de Mogi das Cruzes, principalmente as subsidiárias instaladas na cidade e com matrizes em países europeus ou nos Estados Unidos. 

Segundo Claudio Costa, diretor-executivo da Agência de Fomento Empresarial (AGFE), de maneira geral, as empresas de Mogi ainda aguardam as decisões de suas matrizes no exterior em relação ao conflito provocado pela invasão de tropas russas à Ucrânia, mas a situação já gera preocupação nos mais diversos setores da economia local. 

“Quando falamos de empresas subsidiárias que estão aqui em Mogi ou em qualquer outra cidade do Brasil, com a matriz na Europa ou nos Estados Unidos, é importante entender o impacto da sede com relação a esta guerra. Dependendo disso, há reflexos no Brasil. Muitas vezes, a subsidiária daqui não tem contato direto, mas a matriz pode enfrentar dificuldade. Algumas empresas já sentem isso, como as multinacionais finlandesas e suecas, porque as matrizes começam a ter dificuldades lá e, se continuar assim, em algum momento, vai impactar aqui também”, explica.

Costa destaca que, se houver uma perda muita grande de receita e comprometimento de caixa, também devido à suspensão das atividades bancárias, a guerra pode impactar futuros investimentos já previstos e, inclusive, aprovados para o Brasil. “Soubemos, por exemplo, que a Scania, grande fabricante de caminhões, suspendeu a exportação de produtos para a Rússia. Temos empresas em Mogi que fornecem para empresas russas, em algum momento, elas terão perda de produção. “De maneira geral, o sentimento hoje é primeiramente de surpresa e expectativa de uma solução rápida para o conflito, mas ao mesmo tempo, começa a haver pessimismo. Isso do ponto de vista de negócio e econômico, mas sem dúvida que, do aspecto humanitário, é extremamente lamentável”, considera. 

Outro fator observado por Costa é que a Ucrânia se tornou um grande produtor de insumos para a agricultura e também exportador de trigo. “Não compramos o trigo da Ucrânia, mas haverá aumento de preço e a própria Argentina, de onde a gente compra, vai acabar sendo impactada, então, naturalmente, teremos inflação em algum momento daqui para a frente, não só no Brasil, mas em outros países também. Existem mecanismos para minimizar isso, mas o preço do petróleo já subiu absurdamente, porque a Rússia é o grande fornecedor de energia para a Europa e para o mundo de maneira geral. Isso vai gerar aumento no preço da gasolina, no transporte, na logística, que também afeta as empresas de serviços”, frisa.

Ainda que o compasso seja de espera nas empresas de Mogi, os efeitos do conflito na Ucrânia já são considerados negativos. “Não há até agora ninguém que vá lucrar com a guerra, a não ser quem produz armamento, então, o restante, todo mundo está de uma maneira ou de outra preocupado, ou porque a matriz, por uma decisão geopolítica suspendeu atividades, ou por causa dos impactos. Ninguém está preocupado agora com o resultado financeiro das empresas. A ideia é pressionar a Rússia para que elimine esse processo. Estão sendo criadas barreiras para que o país recue, o que não é tão fácil. Esperamos que o bom senso prevaleça”, acrescenta.

Apesar da tensão, o diretor-presidente da AGFE também destaca que não há, por enquanto, movimento de demissões nas empresas de Mogi das Cruzes. De acordo com Costa, a cidade, pelo contrário, está vivendo um momento importante, com mais de 500 vagas, muita demanda e investimentos. 

“As empresas que compõem a AGFE, de maneira geral, tiveram um ano de 2021 bastante positivo e esperam crescimento natural para este ano, obviamente afinado com a diminuição de casos de Covid. Agora, surge esta questão da guerra, que dá um impacto de surpresa e indignação, pelo menos em um primeiro momento, mas será preciso aguardar e desacelerar um pouquinho até ver o que acontecerá lá na frente. A cada dia há uma notícia diferente, nada tão positivo, porque há aumento de restrições, o que preocupa demais”, alerta.

Uma das preocupações mais latentes no momento, ainda segundo o executivo, é a posição da China no conflito, devido à grande dependência hoje da economia sul-americana e, consequentemente brasileira, com relação ao país. 

“Caso a China entre de forma negativa neste conflito, apoiando os russos, vamos sofrer muito e as consequências serão enormes de maneira geral. Por enquanto, a China está tentando aproximar e melhorar o diálogo para que haja um entendimento comum, mas se vier uma postura de retaliação contra os países aliados, teremos reflexos bastante negativos em todo o mundo”, prevê Costa.

AGFE discute ampliação

A parceria das empresas de Mogi e região garantida pela AGFE é considerada positiva pelo diretor-executivo da agência, Claudio Costa, também neste momento de preocupação com os impactos da guerra na Ucrânia na economia mundial.

“Começamos com 20 empresas, mas as médias estão nos procurando porque querem se associar à AGFE e elas têm oportunidade de fornecer para as maiores. Já prevíamos isso, mas vamos acabar antecipando. No próximo dia 25 de março haverá uma reunião do conselho da AGFE para discutirmos este assunto. Além disso, o feedback dos associados tem sido positivo, porque a AGFE movimenta muitas oportunidades e discussões”, avalia Costa.

Ele também destaca que a AGFE pretende crescer de forma inovadora e digital. “Tudo o que lançamos de diferente, fazemos uma análise se vem ao encontro do propósito da AGFE, que é gerar desenvolvimento econômico e social. Se as empresas lucram e prospera é bom para a economia, então, está dentro do nosso propósito. A AGFE fomenta oportunidades, negócios e soluções comuns aos problemas das empresas”, conclui.

Agência firma parcerias

O modelo de parcerias desenvolvido pela Agência de Fomento Empresarial (AGFE) apresenta resultados positivos e vem sendo alvo de interesse de outros programas na área educacional.

O diretor-executivo do grupo, Claudio Costa, conta que representantes do programa Investe São Paulo, do Governo do Estado, devem se reunir com as lideranças da AGFE para conhecer mais sobre a proposta, no início do próximo mês.

A Fundação Dom Cabral, com atuação na área educacional, também já fechou parceria com a agência.

“A AGFE emprega hoje apenas 51% da mão de obra que mora em Mogi. O restante, as empresas da AGFE estão buscando fora da cidade, na região e também em São Paulo.

Queremos aumentar o percentual de mão de obra que mora em Mogi, o que é muito importante para a cidade, neste momento, para que se consiga empregar mais pessoas e melhorar a qualidade de vida. Não adianta falar em desenvolvimento social sem tocar no assunto de emprego. E nem falar em melhorar a renda do trabalhador sem falar em bons e melhores empregos”, avalia Costa. 

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