Acidente fatal em Mogi reabre debate sobre a segurança dos ciclistas
Nove meses após o atropelamento do ciclista Eduardo Pallazi, a morte de um homem de 64 anos após ter sido atropelado na avenida Álvaro Pavan, em frente à Estação Estudantes, no Centro Cívico, na quarta-feira (6) reagrupa integrantes de grupos de ciclistas de Mogi das Cruzes na busca de melhores condições de segurança para o […]
09/04/2022 07h55, Atualizado há 52 meses
Nove meses após o atropelamento do ciclista Eduardo Pallazi, a morte de um homem de 64 anos após ter sido atropelado na avenida Álvaro Pavan, em frente à Estação Estudantes, no Centro Cívico, na quarta-feira (6) reagrupa integrantes de grupos de ciclistas de Mogi das Cruzes na busca de melhores condições de segurança para o modal que passou a ser mais usado por trabalhadores, esportistas, cicloturistas e outros.
Segundo informações da Polícia Militar, um motorista teria atingido o ciclista e outros carros na avenida Álvaro Pavan, que possui duas mãos de direção, estacionamento nos dois lados da calçada, e se caracteriza por ser o caminho de entrada e saída de ônibus que se dirigem ao Terminal Estudantes e receber centenas de pessoas a caminho de endereços como da região do Centro Cívico.
O ciclista não resistiu à gravidade dos ferimentos e faleceu no próprio local. O registro reafirmou a luta por melhores condições de segurança no trânsito.
Entre 2019 e 2020, os coletivos de ciclistas surgidos com o aumento do uso das bicicletas como meio de transporte epara prática esportiva, turismo ou lazer, iniciaram articulações em busca da implantação de uma ciclofaixa ao lado de toda a linha ferroviária, entre Braz Cubas e a região central. Entre eles, estão o MTBMogi e o BiciMogi.
Reuniões e manifestos foram tocados, em especial, após o grave acidente com Alessandro Palazzi, em 7 de junho do ano passado. Inclusive, um protesto com grupos da cidade e da região foi promovido.
Aos finais de semana, Mogi das Cruzes se tornou rota do cicloturismo, e recebe visitantes de vários pontos da Região Metropolitana de São Paulo.
Apesar da entrega da pressão e reuniões em pautas ligadas à mobilidade urbana no ano passado, o plano que depende da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) permanece no papel.
Nas redes sociais, representantes desse movimento, como o arquiteto e professor Paulo Pinhal, se manifestaram ainda na noite de quarta-feira. No caso de Pinhal, ele postou que esse caso de morte do ciclista não foi um acidente.
Já o coletivo Mogi de Bike – Noticias descreveu assim esse fato: “Infelizmente, mais um de nós que não voltará para a sua família. Acidente carro x bike em frente à Estação Estudantes”.
Jair Pedrosa fez o desabafo nas redes sociais: “Ontem mais um ciclista morreu! O absurdo desta matéria da TV Diário é que termina falando que “a Secretaria também informou que agentes de trânsito foram direcionados para o local para orientarem os motoristas”. Essa Secretaria de Mobilidade só sabe orientar os motoristas; e nada, nada, para os ciclistas”
Ele lembrou a necessidade de uma ciclovia na Avenida Álvaro Pavan, onde “ficam carros estacionados do lado muro da linha da CPTM. Uma resposta a essa tragédia é transformar todo esse trecho com uma ciclovia e acalmar a velocidade dos motoristas para o máximo 40km/hora”.
Trabalhadores e usuários do Terminal Estudantes cobraram providências sobre a alta velocidade registrada no trecho que possui uma rotatória e dois semáforos (um deles, em frente ao acesso ao Terminal Estudantes).
Em nota divulgada à imprensa ontem, a Prefeitura de Mogi das Cruzes detalhou as providências tomadas durante o atendimento ao acidente.
Em resposta sobre as ciclofaixas e os planos para esse setor, a Prefeitura destacou projetos e defendeu a educação para o trânsito para promover a harmonia nas ruas da cidade.
Também destacou que a cidade possui uma das maiores rotas destinadas aos ciclistas do Alto Tietê e um projeto que pretende construir mais 30 quilômetros de faixa exclusiva na região de César de Souza.
A Prefeitura afirmou que a cidade possui uma das maiores redes de ciclovia do Alto Tietê, com 32,38 quilômetros de vias cicláveis, “o que inclui ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, localizadas em diversas regiões da cidade: os distritos de Jundiapeba, Braz Cubas e César de Souza e bairros como Vila Nova Mogilar, Rodeio, Jardim Armênia, Socorro, Conjunto Cocuera, Jardim Santista, Vila Industrial, Vila São Francisco e Centro”.
Esse índice, destaca a gestão, “é o maior de toda a região do Alto Tietê”.
Outra aposta é a busca de recursos financeiros, junto ao governo federal, para a atualização do Plano de Mobilidade.
A Prefeitura comenta que o trecho da rua Professor Álvaro Pavan próximo à Estação Estudantes possui grande movimentação de veículos, ciclistas e pedestres, além de estacionamento de veículos.
“O acompanhamento das condições da via é feito por meio do trabalho rotineiro dos agentes municipais de trânsito. No entanto, qualquer ação voltada à segurança viária somente terá eficácia com a conscientização de todos sobre a necessidade de convivência harmoniosa no trânsito.
Plano cicloviário
Nos planos reafirmados pela Prefeitura constam a conclusão da ciclovia entre o Socorro e César de Souza, passando pelas avenidas João XXIII e Vereador Narciso Yague Guimarães, e estudos que visam acrescentar outros 30 quilômetros de corredores exclusivos para as bikes, nos projetos para a região leste, dentro do programa Viva Mogi (o antigo Ecotietê).
Outra aposta, além de um novo Plano de Mobilidade, que ainda depende da obtenção de recursos financeiros para isso, é a elaboração do Plano Cicloviário do município.
“Este estudo será específico para o transporte cicloviário e deverá trazer informações e subsídios para que possam ser adotadas novas medidas e intervenções, garantindo a funcionalidade do sistema e melhores condições para o trânsito com bicicletas”.
Apesar de questionada, a Prefeitura não comenta sobre a sugestão de se utilizar parte da faixa da linha ferroviária para abrir novos quilômetros de ciclofaixa, como defendem os ciclistas.