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Ausência de aulas presenciais pode afetar notificações de violência a menores, diz advogada

A pandemia causada pela Covid-19 trouxe outra preocupação: a falta de assistência às crianças vítimas de violência doméstica. A maior incidência de denúncias registradas ocorria por meio das escolas, antes do distanciamento social. Em Mogi das Cruzes, todos os casos suspeitos de violência são obrigatoriamente notificados ao Ministério da Saúde por meio das secretarias municipais […]

Por O Diário
06/11/2020 19h00, Atualizado há 69 meses

A pandemia causada pela Covid-19 trouxe outra preocupação: a falta de assistência às crianças vítimas de violência doméstica. A maior incidência de denúncias registradas ocorria por meio das escolas, antes do distanciamento social. Em Mogi das Cruzes, todos os casos suspeitos de violência são obrigatoriamente notificados ao Ministério da Saúde por meio das secretarias municipais de Saúde. A partir disso, a própria unidade de saúde que fez o atendimento define ações, como por exemplo, o preenchimento da ficha de notificação compulsória e encaminhamento ao Conselho Tutelar.

“Antes da pandemia eram os próprios professores que, por estarem próximos dos alunos, conseguiam identificar mudanças de comportamento do estudante ou hematomas pelo corpo, grandes sinalizadores de maus-tratos. O distanciamento social dificultou essa percepção e esses casos não estão chegando aos órgão competentes.”, afirma a presidente da Associação Beneficente de Renovação à Criança, Marli Ribeiro.

Segundo ela, os principais motivos pelos quais a criança sofre violência são a falta de emprego e dificuldades financeiras enfrentadas pela família.

“Mesmo com anos de trabalho com crianças e adolescentes, situações como essas me deixam estarrecida. Falta de emprego e de dinheiro não deveria ser motivo para tal. Precisamos de políticas públicas para que famílias sejam orientadas quanto aos cuidados com a criança e o adolescente”, diz.

Desde 2018, o Hospital de Braz Cubas é referência para atendimento às crianças vítimas de agressões. Em casos de violência sexual, assim que a equipe identifica, o paciente é direcionado a uma sala exclusiva, onde recebe atendimento da equipe multidisciplinar. Já os casos de violência em geral são atendidos pelas unidades de saúde da cidade.

 

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