Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Coletivo lança abaixo-assinado contra mudanças na Secretaria do Meio Ambiente de Mogi

Um grupo de biólogos, pesquisadores e ambientalistas da cidade lançou uma petição online para tentar evitar as mudanças anunciadas pelo prefeito Caio Cunha (PODE) para a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente em Mogi das Cruzes. O coletivo de especialistas nessa área quer chamar atenção da população e alertar o chefe do Executivo sobre […]

Por O Diário
14/01/2021 18h02, Atualizado há 67 meses

Um grupo de biólogos, pesquisadores e ambientalistas da cidade lançou uma petição online para tentar evitar as mudanças anunciadas pelo prefeito Caio Cunha (PODE) para a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente em Mogi das Cruzes. O coletivo de especialistas nessa área quer chamar atenção da população e alertar o chefe do Executivo sobre os prejuízos que a cidade pode ter com a divisão da pasta, que passará a integrar o Planejamento e a futura Secretaria Sustentabilidade e Inovação.

A petição, publicada nas redes sociais, conta com engajamento de mais de 200 pessoas. A meta da bióloga e pesquisadora atuante em projetos de conservação do Alto Tietê e São Paulo, Ana Campelo, que está à frente do movimento, é chegar a 400 assinaturas. O documento, segundo ela, “veio para demonstrar a insatisfação população diante do possível desmembramento da secretaria e o enfraquecimento eminente das políticas públicas ambientais na cidade”, reforça

Os profissionais querem agendar um encontro para tratar desse assunto diretamente com o prefeito, e convencê-lo sobre a importância de manter a atual estrutura, considerada fundamental para uma cidade com as características de Mogi das Cruzes, cercada por serras, represas, mananciais, fauna diversificada, com boa parte do território protegido pela legislação ambiental.

“O que nós buscamos no momento é a abertura de um canal de diálogo com o prefeito e com a atual secretaria do Verde e Meio Ambiente (Michele de Sá Vieira), porque acreditamos que o diálogo é o caminho para resolução dessa pauta e solução desse impasse. Estamos à disposição para esclarecer nossa visão e colaborar para uma gestão participativa que siga preservando e empreendendo novas ações de conversação da Mata Atlântica. Esperamos que o Prefeito reconsidere a ideia de diminuir a pasta ambiental na cidade, e, além disso, que seja agregado a sua gestão uma visão que considere a conservação da biodiversidade”.

No final do ano, a bióloga Mônica Andrade da Silva, também integrante o coletivo de ambientalistas – já havia lançado, em suas redes sociais, uma aberta contra as mudanças endereçada ao prefeito, com mais de três mil visualizações, muitos comentários em defesa da manutenção da estrutura atual, contras as declarações do prefeito sobre a “glamorizando” da pasta, cujas ações foram criticadas por ele.

Reflexos

Outra profissional que integra o coletivo de ambientalistas, a bióloga e pesquisadora Beatriz Souza, observa ainda que a questão ambiental tem relação muito forte com a econômica e passou a ter maior visibilidade com as discussões sobre as mudanças climáticas.

“A relação economia e meio ambiente acontece em nível global e também regional. Tudo que está relacionado também à pauta a economia, como a alimentação, agricultura familiar”, pondera, observando que o município integra o cinturão verde da Grande São Paulo”, reforça.

Na opinião de Beatriz, o desmembramento pode “afrouxar as políticas públicas”. Ela entende que se for desmembrada, a Secretaria de Meio Ambiente vai ter um peso menor, com volume de recursos e quantidade de colaboradores reduzidos, fatores que podem representar prejuízos para Mogi, uma cidade com problemas de saneamento básico, arborização, poluição dos rios, moradias em risco, enchentes, descarte de lixo, ocupação de áreas proteção ambiental, desmatamento. A bióloga lembra das ações que precisam ser tratados na futura gestão, como a implementação de projetos incluídos no Plano Diretor, como a criação de um corredor ecológico para os animais.

ICAT

Quem também se manifestou contra o desmembramento da Pasta foi presidente do Instituto Cultural e Ambiental Alto Tietê (Icat), José Arraes, que já assinou a petição.  Ele explica não é “ser contra, por ser contra” ou “argumentar contra a uma novidade” operacional. Mas, entende que “nem bem tiramos ainda o pé da lama com a criação uma secretaria (Meio Ambiente) representativa e já concluem que ela não funciona”.

Arraes alega que sempre houve um “temor” nesse sentido, e afirma que por ser um tema transversal, o Meio Ambiente incomoda. “E um departamento onde existem pessoas com um olhar de preservação e cuidados, sofre mesmo constrangimentos e subjugações, caracterizados por desconsiderações e menosprezos”, comenta.   

“Incrível como não aprendem e não conseguem separar a política interesseira do crescimento a qualquer custo com a qualidade do desenvolvimento sustentável. Fico atordoado com tamanha insensibilidade, totalmente dissociada do lugar onde vivemos, cujo ambiente precisa muito de nós. Taí a água que produzimos, as hortaliças, as flores e os encantos das nossas serras e matas. Basta olharmos ao nosso redor”, descreve.

Diante desses argumentos, Arraes faz um convite “a todos os cidadãos conscientes do município, para fiscalizarem e denunciarem, sob a guarda da Lei de Crimes Ambientais, a todos que degradarem a natureza. Só assim continuaremos vivendo neste paraíso”, enfatiza.

 

Oficial

 

A coordenadoria de comunicação da prefeitura, respondeu, em nota que “a reformulação da pasta de Verde e Meio Ambiente ainda não ocorreu”, e que a proposta não é de ‘extinção’ da pasta, e sim de reformulação.

A nova pasta de Sustentabilidade e Inovação, segundo a Prefeitura, deve englobar as atribuições da Secretaria de Verde e Meio Ambiente e “a expectativa é que a nova pasta transcenda o escopo de cuidados com o Meio Ambiente, para um espectro maior, envolvendo conceito de sustentabilidade tendo a inovação como aliada a esta política pública”.

Os estudos para as possíveis alterações estão progredindo, diz a nota, informando ainda que “o prefeito Caio Cunha mantém as portas abertas do Gabinete para receber uma comitiva do movimento e discutir o assunto”.

As mudanças devem ocorrer até março, porque o projeto que altera a estrutura administrativa precisa ter a aprovação da lei na Câmara Municipal, que só retorna às atividades em no início de fevereiro.

Mais noticias

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 24/07/2026

Sexta-feira, 24 de Julho

Sexta-feira, 24 de Julho

Veja Também