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Com a palavra, Marcio Alvino, o aliado das Apaes

Aos 52 anos e prestes a completar o segundo mandato de deputado federal, o ex-prefeito de Guararema, Márcio Alvino de Souza (PL), admite ter encontrado a fórmula ideal para superar as dificuldades naturais enfrentadas por um parlamentar em início de carreira junto à Câmara Federal. Ao constatar que o poder no Legislativo estava nas mãos […]

Por O Diário
03/10/2021 08h26, Atualizado há 59 meses

Aos 52 anos e prestes a completar o segundo mandato de deputado federal, o ex-prefeito de Guararema, Márcio Alvino de Souza (PL), admite ter encontrado a fórmula ideal para superar as dificuldades naturais enfrentadas por um parlamentar em início de carreira junto à Câmara Federal.

Ao constatar que o poder no Legislativo estava nas mãos dos dirigentes e líderes partidários, o parlamentar optou por concentrar a maior parte de seu tempo e poder de fogo em defesa das 307 unidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) existentes em todo o Estado de São Paulo, a mais recente delas criada em sua própria cidade, Guararema, cuja sede está sendo construída pelo atual prefeito, José Luiz Eroles Freire (PL), um antigo aliado do deputado.

 

“A Apae é uma instituição fantástica. Quem entra nela, nunca mais deixa de ajudar”

 

Pelas contas de Alvino, somente neste ano, ele já conseguiu ajudar mais de 200 Apaes, destinando a elas cerca de R$ 23 milhões. Para o próximo ano, a meta é alcançar todas elas com recursos.

“Isso me dá um prazer muito grande, pois determinada verba para um município, praticamente não faz a diferença. Esta mesma verba para uma Apae, no entanto, é capaz de mudar a vida de muitas crianças”, afirma Alvino, ao enumerar dezenas de casos em que o apoio dado à entidade resultou em solução para graves problemas enfrentados por pessoas deficientes. Hoje, o deputado monitora os 51 projetos de lei que tramitam na Câmara, relativos ao segmento dos deficientes físicos, buscando apressar e ampliar ainda mais os benefícios neles especificados.

A inspiração e apoio para atuar junto a essa área vieram principalmente de sua mãe, Conceição Alvino de Souza, que dedicava especial atenção às creches e postos de saúde onde eram atendidas as crianças carentes, durante seus três mandatos como prefeita de Guararema. Ao suceder a mãe no cargo, Alvino implantou a Escola de Educação Complementar (Emec), que atuava como reforço para crianças que apresentavam algum tipo de deficiência nas salas de aulas tradicionais. Alguns casos mais difíceis exigiam o transporte das crianças para a Apae de Mogi das Cruzes, o que dificultava o atendimento. A solução foi a criação da Apae em Guararema, que funciona numa sede provisória até a conclusão de seu prédio próprio. Marcio Alvino também está preocupado com as condições do prédio atual da Apae de Mogi das Cruzes, hoje funcionando num imóvel pequeno demais para a grandiosidade do trabalho ali executado.

O deputado defende a construção de uma nova sede, em um espaço mais amplo e já adequado às necessidades do atendimento. “A Apae de Mogi sempre foi uma entidade muito séria  e isso, certamente, fará com que os grandes empresários da cidade também ajudem na construção dessa nova sede. A Apae é uma instituição fantástica. Quem entra nela, nunca deixa de ajudar”, diz o deputado, entusiasmado também com o fato de o prefeito de Biritiba Mirim, Carlos Alberto Taino Júnior, o Inho (PL), ter anunciado a instalação de uma unidade da Apae naquela cidade.

 

Trens e viadutos

Outra preocupação do deputado tem sido auxiliar diversas cidades paulistas na instalação dos chamados “trens turísticos”. E tudo começou, mais uma vez, em Guararema, onde Marcio Alvino, quando prefeito, iniciou negociações com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária para colocar em operação a antiga Maria Fumaça 353, logo apelidada de “Velha Senhora”, para cobrir o percurso entre a sede do município e o distrito de Luiz Carlos, na divisa com Mogi. O trabalho foi concluído com Alvino já eleito deputado e, segundo ele, se transformou num “case” para outras cidades, como Itu e Salto, por exemplo, que implantaram o Trem Republicano com a ajuda do parlamentar. Hoje, o trem turístico de São Roque é a bola da vez.

“Para colocar um trem antigo em operação há muita burocracia, com as concessionárias das linhas férreas e a União, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Muitas vezes, há dificuldades até mesmo para que os prefeitos das duas cidades cheguem a um acordo sobre o trem, mas esta é uma realidade que está ganhando adeptos em todo o interior paulista”, diz ele.

 

A questão dos viadutos para Mogi agora passou a ser administrada pela MRS Logística 

 

Alvino permanece envolvido com outra questão ligada à ferrovia: a construção de dois viadutos sobre a linha férrea, na altura das passagens de nível da rua Campos Sales e do distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes. O assunto que estava sob responsabilidade do Ministério dos Transportes, agora mudou de mãos e passou a ser administrado pela MRS Logística, que explora o transporte de cargas, cruzando a cidade. Ao conseguir a ampliação de seu tempo de concessão para uso da via férrea, a MRS assumiu uma série de compromissos com o governo, entre eles, os investimentos a serem feitos no Alto Tietê e Vale do Paraíba. 

No caso de Mogi, os projetos para construir os viadutos estão em poder do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas a empresa já deu sinais de que pretende readequar os projetos às suas exigências. Segundo Alvino, a concessão encontra-se no Tribunal de Contas da União para aprovação e liberação. Em seguida, serão assinados os contratos para as obras que têm cronogramas já definidos, mas que poderão ser alterados, dependo das mudanças a serem implementadas nos projetos executivos. Os viadutos irão atender às necessidades do município, melhorando a fluidez do tráfego de veículos nas atuais cancelas e, ao mesmo tempo, assegurar aumento na velocidade média das composições, o que deve gerar mais rendimento e receita para a companhia.

 

“Mogi tem uma realidade própria, com bairros próximos, que serão seccionados pelo pedágio, taxando pessoas que moram dentro do município. Sou contra o pedágio e não tenho dúvidas  que o governo irá rever essa posição”

 

O deputado também está engrossando o movimento de Mogi das Cruzes contra o pedágio que o governo de João Doria (PSDB) quer instalar na Mogi-Dutra. “Acho que o governo não tem como fazer isso; Mogi tem uma realidade própria, com bairros próximos, que serão seccionados pelo pedágio, que taxaria pessoas que moram dentro do município. Sou contra o pedágio e não tenho dúvidas que o governo irá rever essa posição”, diz o parlamentar.

 

PL e seu projeto político

Partido integra o Centrão, que garante sustentação política a Bolsonaro, mas deputado vê com reservas certas posições do presidente 

Mesmo com seu partido, o PL, integrando o Centrão, bloco partidário que tem garantido sustentação política ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado vê com reservas determinadas posições assumidas pelo presidente. “Acho que ele tem bons ministros técnicos que vêm realizando ações importantes em favor do País, mas o extremismo é ruim para a Nação que poderia estar indo melhor sem isso. Os investimentos externos dependem de estabilidade política, o que não vem acontecendo. É preciso que o presidente assuma o compromisso de harmonizar o País, pois a polarização atual não é boa”, diz.

Alvino aponta os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Paulo Guedes (Economia) e a secretária de governo, Flávia Arruda, originária do PL, como os mais destacados em sua opinião.
“O presidente é um homem sério, bem intencionado, mas se falasse menos, as coisas caminhariam melhor”, diz o parlamentar, que aposta numa retomada da economia com geração de empregos e renda, com o avanço da vacinação. Segundo ele, é preciso reduzir a atual linha de pobreza que aumentou no País durante o período de pandemia, por meio de um conjunto de ações que envolvam não apenas o governo central, como estados e municípios. 

“Dar comida aos carentes é hoje o grande desafio a ser vencido com a retomada da economia e geração de emprego e renda. Isso impulsiona o restante”.

Quanto às eleições, diante da polarização entre Bolsonaro e Lula (PT), Alvino vê chance para o surgimento de uma terceira via. Ele acredita que o quadro terá ainda João Doria, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o ex-governador Ciro Gomes (PDT), mesmo ele se alinhando à centro-esquerda, que costuma votar com Lula.

 

É preciso que o presidente assuma o compromisso de harmonizar o País, pois a polarização atual não é boa

 

Com relação à sua própria reeleição, ele diz estar “trabalhando bastante” em todo o Estado, sempre ao lado do deputado estadual e também candidato, André do Prado, seu amigo e ex-prefeito de Guararema. Os dois construíram uma trajetória juntos, baseada no grupo do PL, tendo sido responsáveis por projetos políticos desenvolvidos em várias cidades, o que os fortalece para a reeleição. Alvino cita o prefeito Rodrigo Ashiuchi,  de Suzano, que eles conheceram ainda vereador e apostaram na sua competência; Flávia Pascoal, de Ubatuba; Laerte Sonsin Júnior, de Salto; Guilherme Gazolla, de Itu; e Toninho Colucci, de Ilha Bela. São políticos que foram descobertos e trazidos por eles para o partido.

“Essas pessoas estão no PL porque o partido tem por hábito cumprir o que promete. Há um projeto de poder liderado pelo presidente Valdemar Costa Neto, onde aquilo que é tratado sempre é cumprido e as pessoas sabem disso. Temos também o presidente estadual, Tadeu Candelária, sempre muito correto em suas ações. O PL é um partido de grupo, que não visa a eleição, mas um projeto de futuro”, garante Márcio Alvino.

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