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Conflito envolve alunos na E.E Galdino Pinheiro Franco, em Mogi

*Esta reportagem está em atualização Desde o início da tarde desta quarta-feira (9) têm circulado nas redes sociais imagens de uma briga que ocorreu entre alunos da Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco, no distrito de Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. No vídeo é possível identificar inúmeros adolescentes agredindo uma aluna e funcionários, com grande […]

Por O Diário
09/02/2022 17h51, Atualizado há 54 meses

*Esta reportagem está em atualização

Desde o início da tarde desta quarta-feira (9) têm circulado nas redes sociais imagens de uma briga que ocorreu entre alunos da Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco, no distrito de Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. No vídeo é possível identificar inúmeros adolescentes agredindo uma aluna e funcionários, com grande dificuldade, tentando dispersar o conflito.

Em entrevista a O Diário, uma das mães de aluno da unidade de ensino relatou sobre a preocupação com a carência no número reduzido de funcionários, prejudicando ainda mais o controle de situações como esta que aconteceu na unidade escolar.

A artesã Márcia Sousa é mãe de uma aluna do terceiro ano do ensino médio, que estuda na instituição onde houve o conflito. De acordo com a mãe, as informações sobre o ocorrido foram passadas de imediato pela filha, que estava desesperada quando entrou em contato.

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“Aconteceu que uma aluna do ensino médio recentemente conseguiu trocar o nome antigo para um nome feminino e, após alguém ter se referido a ela com o antigo nome masculino, ela teve um surto e foi aí que a briga começou”, conta a artesã, relatando as informações passadas pela filha, que presenciou a situação.

A responsável ainda enfatiza sobre a realidade da escola que há pouco tempo passou a funcionar em período integral, sem estrutura de corpo docente adequada para atender a nova demanda. “A Galdino é uma ótima escola, ela comporta a quantidade de alunos que está tendo nesse período integral, mas juntou várias turmas com o quadro de funcionários reduzido e não está dando conta”, comenta Márcia.

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A escola da rede estadual, além de receber reestruturação com a implementação do Programa de Ensino Integral (PEI), está dividindo o segundo andar do prédio com alunos de uma escola de Suzano.

A reportagem procurou a direção da E.E. Galdino Pinheiro Franco e a Secretaria de Estado da Educação e recebeu o seguinte posicionamento da pasta: “a Secretaria de Estado da Educação (Seduc-SP) repudia toda e qualquer forma de agressão dentro ou fora do ambiente escolar. A Diretoria de Ensino (DE) de Mogi das Cruzes esclarece que o episódio ocorrido nesta quarta-feira (9) na EE Galdino Pinheiro Franco foi pontual, e que a direção da escola agiu assim que tomou conhecimento. A Ronda Escolar foi acionada para garantir a segurança dos estudantes e os familiares do envolvidos foram chamados pela direção da unidade, a fim de dar ciência dos fatos. O caso seguirá sendo apurado pela Pasta, assim como pela DE e a direção da escola, para uma conclusão assertiva. A equipe do Conviva, programa de convivência e segurança da Seduc-SP, foi acionada para dar suporte à comunidade escolar e o caso foi registrado no Placon, sistema do programa que tem como principal objetivo monitorar a rotina das escolas da rede estadual. A unidade escolar também dispões da assistência do Programa Psicólogos na Educação, que poderá ser acionado para auxiliar no caso, se for necessário”.

Fórum LGBT

Ao saber do envolvimento de uma adolescente transsexual no conflito registrado em vídeos que circulam na internet, o Fórum LGBT de Mogi logo de pronunciou publicando nota pública por meio das redes sociais sobre o ocorrido:

“O Fórum Mogiano LGBT recebeu nesta tarde uma série de vídeos de violência ocorrida na E.E. Galdino Pinheiro Franco.

Recebemos relatos de alunos da escola que se trata de uma aluna transgênero que já vinha sofrendo com discriminação e bullying em sala de aula em razão da sua identidade de gênero, até que não suportou tais agressões e reagiu na tentativa de se defender e cessar essas atitudes.

Ao reagir, a aluna foi alvo de tentativa de linchamento por vários alunos do gênero masculino, nos vídeos ela aparece se escorando na parede e sendo protegida por servidores da escola.

Assim que tomamos conhecimento dos fatos, solicitamos apoio à Apeoesp e estamos tentando uma conversa com a direção da escola para ter as informações completas de tudo o que está acontecendo envolvendo estes alunos e alunas.

Nós do Fórum Mogiano LGBT lutamos por uma educação inclusiva, onde nenhuma pessoa LGBT sofra violências em razão da sua orientação sexual e identidade de gênero, e caso seja confirmado que foi uma violência discriminatória exigimos que providências sejam tomadas para que essa escola seja um ambiente seguro para alunos e alunas LGBT e também um espaço de formação para a cidadania e o respeito a diversidade sexual e de gênero.

Aproveitamos para nos colocar à disposição da aluna e sua família, oferecendo atendimento psicológico e jurídico que for necessário para a sua plena recuperação.

Coordenação do Fórum Mogiano LGBT”

 

Prefeito Caio Cunha 

O Prefeito de Mogi, Caio Cunha, também se manifestou nas redes sociais, repudiando o que aconteceu na escola.

“Deixo aqui o meu total repúdio a agressão ocorrida contra a aluna da Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco. Nós, como uma gestão que preza pela educação, não compactuamos com nenhuma forma de violência, principalmente em um ambiente que deveria oferecer respeito e segurança. Mesmo a unidade sendo de responsabilidade do Estado, não cabendo ao município interferir em seu funcionamento, nos colocamos à disposição para acionar a Diretoria de Ensino, para que sejam aplicadas as medidas cabíveis aos responsáveis por tamanha atrocidade. Como prefeito e, principalmente, como pai, os meus sinceros sentimentos a essa aluna. Todas as pessoas merecem respeito, dignidade e têm o direito de serem quem elas quiserem ser. Contem conosco para uma cidade segura e cada vez mais educativa”, escreveu ele.

 

Apeoesp

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo também publicou uma nota sobre o caso, com o título “Não à transfobia e à violência nas escolas”. Confira a seguir, na íntegra:

“A APEOESP repudia as agressões sofridas por uma estudante transgênero na Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco.

As violentas agressões foram motivadas pelo fato de a referida aluna ter passado a vestir-se de acordo com o seu gênero, porém já vinha sendo há tempo hostilizada, discriminada e sofrendo bullying em salas de aula e outros espaços da escola por parte de outros estudantes.

Ao defender-se das agressões, a aluna foi vítima de uma reação ainda mais violenta por parte de um grupo de estudantes, todos do gênero masculino, mesmo com servidores da escola tentando protegê-la.

Nesse momento, evidencia-se, além da transfobia e selvageria dos agressores, a gfalta de uma política de prevenção à violência nas escolas e de um trabalho de educação realmente civilizatória. Lamentavelmente a Secretaria Estadual da Educação esvaziou e descontinuou o programa de mediação escolar, que a PEOESP contribuiu para formular há mais de dez anos, pelo qual professores com a devida orientação realizavam um trabalho de conscientização e discussão de possíveis conflitos nas escolas.

Como Sindicato que há décadas atua sobre o problema da violência nas escolas e que luta por uma educação cidadã, exigimos a completa apuração dos fatos e que providências concretas sejam tomadas para a prevenção e combate de situações como nesta e demais escolas, com a retomada do programa de mediação escolar e a promoção de debates e atividades formativas para conscientização dos estudantes e de toda a comunidade.

Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta da APEOESP”

 

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