Dr. Olavo transfere 3 pacientes em estado grave do Japão para o Brasil
Uma mobilização de autoridades japonesas e brasileiras para levar três brasileiros residentes no Japão, com sérios problemas de saúde, de volta para a casa teve a participação do médico mogiano, Olavo Ribeiro Rodrigues. A NPO Sabja (Serviço de Assistência Social aos Brasileiros no Japão) também auxiliou nesses casos. O médico pneumologista, professor livre docente, da […]
11/04/2021 10h25, Atualizado há 64 meses
Uma mobilização de autoridades japonesas e brasileiras para levar três brasileiros residentes no Japão, com sérios problemas de saúde, de volta para a casa teve a participação do médico mogiano, Olavo Ribeiro Rodrigues. A NPO Sabja (Serviço de Assistência Social aos Brasileiros no Japão) também auxiliou nesses casos.
O médico pneumologista, professor livre docente, da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, veio do Brasil para o Japão especialmente para acompanhar os pacientes no transporte aéreo, em meio à pandemia da Covid-19, que restringiu a chegada de brasileiros à maioria dos países do mundo. Viagens e operações como essa, precisam de autorizações específicas.
Residente em Mogi das Cruzes e irmão do ex-prefeito Francisco Ribeiro Nogueira, o pneumologista faz esse trabalho de acompanhamento médico há 15 anos. Dr. Olavo, como é mais conhecido, chegou em 25 de março e embarcou rumo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na quinta-feira (7).
De acordo com informações oficiais do governo japonês, em 2020, o número de brasileiros que viviam no Japão era de 211 mil, sendo 114.468 homens e 96.710 mulheres. Apesar de, no Japão, a vacinação contra a Covid-19 já ter começado apenas para os profissionais da saúde, o País soma cerca de 500 mil pessoas infectadas, sendo 9.325 óbitos, assim como em outros locais, nesse momento, há uma alta de infecções no País.
Para a transferência dos pacientes entre os países, o médico precisou da autorização do visto humanitário para entrar no Japão. Ele não podia se locomover com transporte público e até a data do embarque se submeteu a cinco testes PCRs. Todos deram negativos. Até mesmo para essa reportagem, não houve encontro presencial entre o médico e a jornalista.
“Tive todo apoio dos médicos japoneses, com acesso a prontuários médicos e exames a fim de analisar o melhor meio para levar os pacientes”, conta ele que veio junto com uma enfermeira Sueli da Silveira Militão.
Os pacientes embarcaram na classe executiva que se torna, conforme compara Dr. Olavo, uma mini UTI. Isto porque ele traz vários equipamentos que podem ser utilizados na aeronave durante a viagem como oxigenador portátil, aspirador de secreção portátil, cardioscópio, oxímetro, medicamentos, etc.
Ao chegarem ao Aeroporto de Guarulhos, alguns pacientes seguiram para seu destino em ambulância previamente agendada pelo médico. “Todos os pacientes chegaram bem no Brasil”, disse.
Nos relatos, dramas vividos pelos brasileiros no Japão
A jornalista Neide Hayama (*), que reside no Japão, conseguiu falar, com exclusividade, com os familiares dos pacientes. A seguir acompanhe o relato da situação de dois deles, sem a identificação verdadeira:
Alberto (nome fictício)
Solteiro, 70 anos, morava há mais de 20 anos no Japão. Com a pandemia, ficou desempregado e teve depressão no ano passado. Depois foi acometido com crises de delírio. Acabou aspirando o vômito e foi levado para um hospital. Teve complicações de saúde como pneumonia, infecção urinária. Foi atendido por médicos pneumologista, urologista e psiquiatra. A viagem foi possível porque o paciente teve que se submeter à sedação. Na escala, o médico fez hidratação com medicamento no paciente. Não tinha seguro de saúde. Ao chegar no Brasil, ficou alguns dias hospitalizado e retornou para a casa da família.
Maria (nome fictício)
Casada, 30 anos, rompeu a aneurisma cerebral em 2018. Estava trabalhando e sentiu dor de cabeça. Ligou para o marido e juntos foram a um hospital. Fez teste de influenza, que deu negativo. Depois foram para outro hospital e nesse trajeto ela vomitou e ficou inconsciente. Logo foi submetida a tomografia e foi detectada a hemorragia cerebral. O marido explica que não conseguiram fazer a cirurgia porque a hemorragia não permitiu visualizar o cérebro adequadamente. Ela acabou perdendo uma parte do cérebro. Ficou em coma por quase seis meses. Passou por vários hospitais, com estadia que variava de seis a três meses em cada local. O marido também não entende por que os hospitais pediam para ficar apenas esse período. Atualmente Maria mexe o braço e a perna direita. Não consegue falar. Tem traqueotomia no pescoço e só consegue comer gelatina ou papinha. Ela possui sonda no estômago para colocar alimentos com vitamina e água. Maria voltou acompanhada dos pais e do filho de 4 anos. O marido continua no Japão. Ela tinha seguro de saúde do governo japonês, mas a família teve que pagar a despesa hospitalar que corresponde a um terço do valor total. Ao chegar no Brasil, foi para a casa da família.
(*) A jornalista Neide Hayama é mogiana, iniciou sua carreira no Jornal e Rádio Diário de Mogi e atualmente reside com a família na Região Metropolitana de Tóquio