Estado estuda ampliar leitos hospitalares; acesso ao PS do Luzia continua pelo SAMU
Sem confirmar a data de visita do secretário estadual de Saúde Eleuses Paiva a Mogi das Cruzes, a pasta estadual encaminhou nota em resposta a questionamento feito por O Diário sobre medidas para reduzir a espera por leitos hospitalares e melhorar o acesso de pacientes do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, […]
08/02/2023 11h53, Atualizado há 42 meses
Sem confirmar a data de visita do secretário estadual de Saúde Eleuses Paiva a Mogi das Cruzes, a pasta estadual encaminhou nota em resposta a questionamento feito por O Diário sobre medidas para reduzir a espera por leitos hospitalares e melhorar o acesso de pacientes do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, que segue de “portas fechadas”, recebendo pacientes encaminhados pelo SAMU e serviços como as UPAs – exceção são os casos de picadas de animais como cobras.
No final de semana passado, O Diário publicou reportagem sobre a expectativa do cumprimento de promessa de campanha feita pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre o acesso ao PS do Luzia e ampliação de leitos na rede pública (acesse e veja reportagem).
Um dos dramas diários é a falta de leitos agravada por situações como o uso das vagas no Luzia por pacientes crônicos, que poderiam continuar o tratamento em outros serviços para favorecer a rotatividade no uso dos recursos médicos e estruturais do hospital regional que atende especialidades como as doenças do coração e câncer.
Em resposta que não apresentou dados pontuais solicitados, como o total de atendimentos atual no Hospita Luzia, a Secretaria de Saúde disse que atualmente “estuda medidas estratégicas para ampliar os atendimentos e reduzir a demanda de espera, respeitando os critérios de urgência e emergência”.
A expectativa, segundo apurou O Diário, é de a pasta concluir os levantamentos sobre o perfil e as demandas por leitos hospitalares durante os primeiros 100 dias de governo.
Nesses estudos estão outras necessidades que passaram a ser mais cobradas nas últimas semanas como a redução da espera por cirurgias eletivas em todo o Estado.
O Luzia de Pinho Melo segue como “referência para atendimentos graves, de média e alta complexidade para casos de urgência e emergência encaminhados via Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)”, trouxe a nota, sem confirmar a esperada visita do secretário à unidade.
O Estado destaca a estratégia especial de gestão de leitos hospitalares executada com “suporte da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) para dar prioridade à internação de pacientes com quadros graves”.
Questionada se além dos casos de picada de animais peçonhentos, outros tipos de urgências poderiam ser encaminhados – sem ser pelo Samu, para o PD do Luzia, a pasta relembrou que, no caso do adolescente mogiano que faleceu no passado, “a unidade prestou toda a assistência ao paciente enquanto esteve internado, recebendo soro de forma adequada”.
Um detalhe da resposta que não condiz com a realidade é encontrado quando a pasta diz que “a unidade reforça que sempre atendeu e está aberto a urgência e emergência, inclusive, acidentes com animais peçonhentos”. No início da mesma nota, o Estado afirma que os pacientes acessam a unidade por meio do SAMU.
No ano passado, o garoto João Victor Delfino Laurentino, de 11 anos, que foi vítima de uma picada de cobra e morreu após receber o atendimento no Luzia de Pinho Melo. O questionamento da família, à época, foi a demora durante a transferência entre a UPA do Rodeio e o hospital, que é referência para picada de animais (relembre o caso).
Após esse registro, os casos de acidentes com animais voltaram a ser encaminhados diretamente ao Luzia – um fato, no entanto, que não é muito divulgado às famílias e moradores de Mogi das Cruzes e região, onde a ocorrência desses registros não é algo raro.
Como funciona hoje
Com exceção desses acidentes com picadas de animais, nos demais casos, o paciente deve se dirigir, primeiro, às UPAS e outros serviços que, após o atendimento inicial e dependendo da gravidade, o encaminha ou não para o Luzia.
É justamente a melhoria desse protocolo que lideranças como secretários de Saúde e políticos têm buscado mudar desde 2021, quando a dinâmica do acesso ao PS foi modificada.
Resposta
Veja a seguir a nota encaminhada pela assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Saúde na íntegra:
“A atual gestão da Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que estuda medidas estratégicas para ampliar os atendimentos e reduzir a demanda de espera, respeitando os critérios de urgência e emergência.
O Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo é referência na região para atendimentos graves, de média e alta complexidade para casos de urgência e emergência encaminhados via Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Além de manter hospitais e auxiliar a rede pública, a Secretaria de Estado da Saúde também mantém uma estratégia especial de gestão de leitos hospitalares com suporte da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) para dar prioridade à internação de pacientes com quadros graves. O sistema da Cross online funciona 24 horas por dia e verifica vagas disponíveis em hospitais do SUS em SP para as transferências.
Quanto ao caso da picada de cobra, a unidade prestou toda a assistência ao paciente enquanto ele esteve internado, recebendo soro de forma adequada. A unidade reforça que sempre atendeu e está aberto a urgência e emergência, inclusive, acidentes com animais peçonhentos”.