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Faltam vagas para internação em Mogi das Cruzes

A falta de leitos para internação de pacientes atendidos nas UPAS do Rodeio, Oropó e Jundiapeba é hoje o maior problema da rede pública, na avaliação do médico Zeno Morrone Júnior, secretário municipal de Saúde. No cargo oficialmente há 5 meses, ele afirma que a espera para a liberação de um leito para internação pode […]

Por O Diário
26/02/2022 07h59, Atualizado há 54 meses

A falta de leitos para internação de pacientes atendidos nas UPAS do Rodeio, Oropó e Jundiapeba é hoje o maior problema da rede pública, na avaliação do médico Zeno Morrone Júnior, secretário municipal de Saúde. No cargo oficialmente há 5 meses, ele afirma que a espera para a liberação de um leito para internação pode chegar a cinco dias, o que estrangula o sistema, afetando a cadeia de atendimento já castigada pelo enfrentamento da Covid-19.

 Desde o início do ano, quando o setor se preparava para desmobilizar leitos e o surgimento da variante ômicron exigiu o reaparelhamento de setores como o de exames laboratoriais, o médico conta que a demora para conseguir uma vaga hospitalar se tornou o motivo de preocupação dos gestores, e de queixa – com razão, da população.

“Uma UPA não tem condições de suprir o que um hospital faz”, comenta, dando um exemplo prático. Quando um paciente fica mais tempo na UPA, enquanto a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (CROSS) busca uma vaga, a unidade precisa prover suprimentos específicos para o doente. “Isso faz com que a UPA passe a utilizar outros serviços, como a busca de alimentação específica, o que amplia as atribuições iniciais do local”, diz.

A Covid fez disparar a ocorrência de doenças como as cardíacas. “Temos, os leitos do Hospital Luzia de Pinho Melo, mas eles estão com uma demanda muito maior também, porque há sequelas do coronavírus a serem tratadas. E a situação de falta de leitos, não é nova,  já existia antes da pandemia”, observa.

Outro fator que compõe o quadro está no Hospital Municipal Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas, referência para a Covid, que já utiliza parte dos leitos para a clínica médica, mas ainda tem parte significativa de pacientes com a doença. 
Nas próximas páginas, acompanhe um raio-x sobre a Covid e as demandas criadas pela doença como a espera por consultas e exames na rede básica, e a dificuldade para contratar médicos.

Reféns da Covid

Comparações dos números de pessoas internadas no Hospital Municipal Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas, indicam leve queda no número de internados entre os dias 10 e 21 de fevereiro. Na primeira data, 70 pacientes estavam na enfermaria e UTI sendo 45 testados positivos para a Covid-19. No dia 21, eram 60 pessoas, metade com o coronavírus.
Apesar desse quadro, a Secretaria Municipal de Saúde não pretende desmobilizar leitos para abrir vagas para outras clínicas médicas porque teme um retrocesso e alta de casos nas duas ou três próximas semanas após o Carnaval, como aconteceu com as festas de final de ano passado e o surgimento da nova variante. Ou seja, o sistema segue refém do coronavírus.

“Estamos escaldados”, resume o médico Zeno Morrone Júnior, secretário municipal de Saúde. Para ele, o cumprimento do decreto que proíbe aglomerações e o comportamento das pessoas serão decisivos para abalizar alguma alteração no enfrentamento da doença, após o espalhamento da variante ômicron.

“Vivemos, agora, um declínio dos casos e dos testes positivos, mas, com nessa pandemia, ninguém consegue cravar nada como certo. Já se fala em outras variantes, muito embora, a vacinação tenha demonstrado a redução da gravidade dos casos”, aponta o médico.

No Hospital Municipal, os leitos para Covid e outros problemas, como gripe, seguem dependentes do comportamento da pandemia.

Em dezembro, haviam sido retomadas as cirurgias eletivas. Foram realizadas cerca de 80. Porém, com a ômicron, o serviço foi suspenso e a expectativa, conta Zeno Morrone, é voltar a realizada as cirurgias nos próximos dias.

Na unidade de saúde do Alto Ipiranga, também houve um ensaio para se reduzir as vagas de atendimento apenas à gripe. “Mas, decidimos esperar mais alguns dias, após o Carnaval”.

Acertar o timing para retomar agendas paralisadas consome a equipe. Outro setor impactado pela imprevisibilidade destes tempos está na rede básica.

O surgimento da gripe, dois meses atrás, com um surto incomum para o período do ano, serviu para desarticular o que vinha sendo programado.

Soma-se a isso, flancos abertos no passado como a falta de médicos. A Prefeitura tem 42 médicos para serem repostos após aposentadorias e desligamento de profissionais.

“Mas a dificuldade para contratar é imensa. Os concursos são abertos, alguns assumem os cargos e os deixam logo depois”.

O resultado é o represamento de mais de 18 mil consultas,  que devem ser realizadas, com um contato emergencial e um mutirão para reduzir a espera.

SIS

A Prefeitura anuncia que está realizando mudanças no SIS para atender ao programa do Governo Federal que determina o atendimento do paciente na rede básica perto de casa. No futuro próximo, o serviço deverá atender ao conceito de fidelização na assistência pública, com a rotina de consultas nos conhecidos Postos da Saúde da Família, os PSF.  A mudança também deverá implicar no avanço do agendamento do retorno para a apresentação dos resultados de exames também por telefone.

Após vacina, menos mortes e internações

Nos números, a diferença do comportamento da Covid-19 após a aplicação da vacina é respeitável, embora, a alta de mortes entre janeiro e fevereiro seja evidente, quando confrontados os dados com os últimos meses do ano passado. Em 2021, Mogi das Cruzes registrou 1.103 óbitos pela doença.

Em janeiro e até o último dia 21 de fevereiro, foram 66 mortes, uma média de 33 por mês. Em 2019, quando ainda não havia a vacina, foram 635 registros, o que equivale a 52,9 vítimas fatais.

“A vacina foi e está sendo fundamental para reduzir as perdas e internações”, afirma Zeno Morrone Júnior, secretário municipal de Saúde, ao comentar alguns dos dados (que estão no primeiro quadro, nesta página).

O pico mais agudo dessa crise sanitária ocorreu em 2021, com 1.103 vítimas fatais na cidade – a vacinação teve início naquele ano, mas o ritmo foi sendo melhor calibrado, no decorrer do período.

A diferença entre os casos positivos nos três períodos é contrastante – e também mostra como a variante ômicron espalhou e infectou mais pessoas.

O total de casos positivos foi de 14.655 em 2020 – sendo que os casos começaram a ser registrados no Brasil a partir de março. No ano seguinte, foram 27.963 testes positivados, o que daria média mensal de 2.330 notificados. Já nos 52 dias deste 2022, a cidade contou 9.039 com o coronavírus.

Claro que os dados servem apenas como norte porque neste ano, ao contrário dos dois anteriorees, facilidades como um maior número de testes, devem ser levadas em conta na análise.

“As pessoas estão usando mais a máscara, tomando cuidados, e talvez, agora, já dê para falar que um legado seja a adoção dessas medidas individuais que antes víamos apenas em países como o Japão. Mas, ainda não estamos livres de novas variantes, por isso, os cuidados devem ser tomados, e também é importante cuidar da saúde como um todo”, orienta o secretário.

Sobre isso, o médico afirma que as pessoas mais vulneráveis ao vírus são as que possuem problemas de saúde ligados ao sistemas respiratório e cardíaco. “Cuidar da alimentação, da imunidade, sempre será uma forma de prevenir esta e outras doenças”, encerra. 

Hospital Municipal será materno-infantil

A Secretaria Municipal de Saúde prepara a inauguração de um hospital materno-infantil no prédio construído ao lado do Hospital Municipal Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas.

A previsão é de inaugurar o serviço a partir do próximo semestre, com 93 leitos destinados a mulheres e crianças.
Este equipamento municipal deverá auxiliar no combate à falta de leitos hospitalares. Hoje, um dos principais problemas da rede. Antes da pandemia, leitos infantis eram oferecidos no Municipal de Braz Cubas – o que foi suspenso quando o endereço se transformou em referência, atendendo pacientes, inclusive, de outras cidades.

Outras inaugurações previstas para os próximos meses são de dois Postos da Saúde da Família, nos bairros Nova União e Nova Jundiapeba, além do CIAS (Centro Integrado de Atendimento à Saúde), no Rodeio.

16 crianças internadas

De janeiro ao último dia 22 deste mês, 837 crianças e adolescentes testaram positivo para a Covid-19 em Mogi das Cruzes.

Dessa parcela de atendimentos, uma minoria requereu internação, segundo informações do Ministério da Saúde. Foram 16 mogianos menores de 18 atendidos na rede hospitais.

Chama atenção, no entanto, o fato de a maioria desses casos estar na faixa de zero a 9 anos. Apenas dois adolescentes de 16 e 17 anos precisaram de cuidados hospitalares. 

Já o número de crianças com síndrome gripal oscila entre as faixas etárias – e é menor apenas entre os que ainda não completam 1 ano, como mostra o levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Para o médico Zeno Morrone Júnior, a imunização das crianças pode contribuir ainda mais para a proteção desse público.
Ele afirmou que a cidade não registrou nenhum óbito de criança e adolescente neste ano por causa da doença causada pelo coronavírus.

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