Fusurato Matsuri celebra 50 anos do festival agrícola do Cocuera
Neste sábado (12) e domingo (13), quando os portões da Associação dos Agricultores de Cocuera, no bairro de mesmo nome, em Mogi das Cruzes, forem abertos, o “Furusato Matsuri” estará completando 50 anos de história. Em 1972, os agricultores realizaram a primeira Festa do Pêssego e da Avicultura e começaram a pavimentar a trajetória de […]
13/11/2022 08h30, Atualizado há 43 meses
Neste sábado (12) e domingo (13), quando os portões da Associação dos Agricultores de Cocuera, no bairro de mesmo nome, em Mogi das Cruzes, forem abertos, o “Furusato Matsuri” estará completando 50 anos de história. Em 1972, os agricultores realizaram a primeira Festa do Pêssego e da Avicultura e começaram a pavimentar a trajetória de um tradicional calendário cultural, turístico, comercial e político, responsável pela atração de um público estimado em cerca de 15 mil pessoas, segundo esperam os organizadores.
Do nome à concepção do evento, focado na valorização da agricultura, o Furusato Matsuri contempla o espírito da Associação dos Agricultores do bairro que se prepara para outra efeméride de peso – em 2026, a entidade atualmente tocada por cerca de 100 associados completará 100 anos de atividades.
Matsuri, na tradução para o português, é festival. Furusato é uma palavra japonesa que não existe no dicionário dos brasileiros. Os agricultores a utilizam para simbolizar a volta à terra-natal, o Japão. A palavra designa o sentido de pertencimento a lugar mesmo que ele não não seja a sua casa, cidade ou país. Alguns tradutores recorrem à ideia de que a “casa é o lugar onde o coração está”.
Quando o festival adota o nome japonês, há 30 anos, essa virada de chave no título passa a demonstrar a força da cultura japonesa na sociedade brasileiroa. Neste ano, o evento que espera receber 15 mil pessoas – cerca de 20% a mais do que o público de 2019, quando foi realizada a última edição antes da pandemia, que interrompeu o ciclo durante dois anos. Este final de semana marca o retorno da comemoração presencial.
É grande a expectativa dos organizadores após o longo intervalo, segundo comenta Benedito Gishifu, paranaense que reside há 40 anos no Cocuera e é um dos associados que trabalha como produtor rural.
O bairro do Cocuera já foi, predominantemente ocupado por famílias de agricultores. Há alguns anos, o lugar vive um fenômeno de ocupação urbana marcada pelo início do fracionamento de antigas propriedades e a redução da atividade agrícola. Mesmo assim, segundo Gishifu, uma parte dos cerca de 100 integrantes da Associação ainda é formada por produtores de hortaliças e frutas.
Mudanças até mesmo no zoneamento e a saída das segunda e terceira gerações dos primeiros imigrantes e mais antigos residentes do bairro estão mudando o Cocuera. Porém, esse quadro promove poucas alterações na entidade quase centenária. Apesar disso, Benedito Gishifu projeta que a associação deverá se adaptar à redução da área produtiva e ao novo perfil dos moradores – chácaras de final de semana e empreendedores do turismo são os mais observados.
Renovação
Uma outra preocupação dos associados mais antigos é a renovação das lideranças e dos voluntários que estão detrás da manutenção do festival que exige fôlego, além do financeiro, da mão de obra e presença de interessados em participar da organização e planejamento do evento.
Gishifu afirma que muitos dos antigos associados estão aposentados. A renovação do quadro preocupa. No entanto, ele avalia que apesar da tendência de mudanças na ocupação do Cocuera, isso se derá apenas em algumas décadas. Até lá, resume, “vamos nos adaptar”.
Cultura e negócios
Enquanto o futuro não chega, o Furusato Matsuri é oportunidade de trazer para o bairro antigos moradores, agricultores, representantes de outras associações agrícolas e turistas. E, como desde as primerias edições, é cartão de visitas para negócios posteriores e a troca de saberes e interesses entre produtores rurais e o mercado.
Deve-se o sucesso e o poderio de atração do público ao festival, o potente carrossel de atrações como o Pavilhão Agrícola, um mercado com cerca de 50 estandes para a venda de diversificados produtos e a praça de alimentação, com menus da gastronomia japonesa e brasileira. Isso tudo aliado aos shows e apresentações de dança e música com nomes conhecidos dos visitantes e participantes de outras festas como o Akimatsuri, realizado pelo Bunkyo, no bairro da Porteira Preta (confira a programação abaixo).
Visão
O ex-prefeito Junji Abe, que era vereador nas primeiras edições da Festa do Pêssego que, depois, se transformou em Furusato, afirma que a festividade serve para expor o potencial do Cinturão Verde que projeta Mogi estadual e nacionalmente, desde a chegada dos imigrantes japoneses.
Ele afirma que a exposição agrícola, o convite e a presença de autoridades políticas são meios para captar atenção e melhorias. Junji lembra que o setor agrícola sempre foi deserdado pelo governo federal. E cita como exemplo o grande prejuízo e preocupação de produtores da zona rural do Alto Tietê durante os recentes bloqueios em atos antidemocráticos. “O produtor depende do rápido escoamento porque trabalha com um produto perecível. Os governos não tratam o agricultor como ele deveria ser tratado”, reforça. Para ele, a ocupação futura do bairro preocupa, mas existe a atuação dos próprios agricultores que lutam para fazer cumprir as leis ambientais que protegem as nascentes e o próprio segmento.
PROGRAMAÇÃO
Sábado (12)
10:00 – Abertura com Taiko Mary Nishimura
12:00 – Radio Taisso e Kenko Taisso
12:30 – Campeões do Karaokê com Akira Ikawa, Hideki Shiba, Hideki Ikawa, Dulcilio de Almeida, Laís Shiba e Florinda Nagai
13:30 – Wota Club – Anime – Show Musical
14:00 -Ricardo Nakase – Show Musical
14:30 – Shaka Shinde – Show Musical
15:00 – Taiko infantil – Mary Nishimura e Odori Midori Sato
16:00 – Yuri Kataoka – Show Musical
16:30 – Hideki Egoshi – Show Musical
17:00 – Corpus Line com os Grupos de Yosakoi Soran (Hanabi e Shiawasse Soran)
18:00 – Gustavo Harano – Show Musical
18:30 – Bon Odori
19:00 – Ryuko Taiko – Grupo de Fukushima
19:30 – Fumie Okamoto – Show Musical
20:00- Coral Grupo Nipônico e Clube de Aventureiros Origami
Domingo (13)
10:00 – Danças Circulares
11:00 – Judô
11:30 – Taekwondo
12:00 – Dança Árabe Oriental
12:30 – Campeões do Karaokê com Emily Aota, Matheus Suguieda e Sati Suguieda
13:00 – João Vitor Mafra – Show Musical
13:30 – Rizumu Nakayoshi de Suzano
14:00 – Joe Hirata – Show Musical
15:00 – Pamela Ashihara – Show Musical
15:30 – Mayumi Takahashi e Claudia Midori – Show Musical
16:00 – Debora Iha – Show Musical
16:30 – Fernando Mogg e Felipe Assunção