Grupos protestam contra criação da Frente em Defesa da Família Cristã; veja fotos
Grupos de LGBTQIA+, artistas, entidades, partidos políticos e sociedade civil, fazem um protesto em frente à Câmara de Mogi para tentar impedir a aprovação do projeto de lei que cria a Frente Parlamentar em Defesa da Família Cristã, incluído na pauta da sessão que acontece na tarde desta terça-feira (13). Os autores da proposta, os […]
13/07/2021 13h25, Atualizado há 61 meses
Grupos de LGBTQIA+, artistas, entidades, partidos políticos e sociedade civil, fazem um protesto em frente à Câmara de Mogi para tentar impedir a aprovação do projeto de lei que cria a Frente Parlamentar em Defesa da Família Cristã, incluído na pauta da sessão que acontece na tarde desta terça-feira (13).
Os autores da proposta, os vereadores da bancada evangélica – Osvaldo Silva (Republicano) e Maurino José da Silva (Podemos), já explicaram que a nova frente não pretende discriminar nenhuma religião ou tratar de questões de gênero, mas sim de criar políticas públicas em defesa da família.
O texto do projeto destaca que a proposta da Frente Parlamentar “é discutir diversas temáticas apresentadas a um amplo debate, objetivando o interesse comum da sociedade, o atendimento dos grupos religiosos, respeitando-se as garantias fundamentais estabelecidas pela constituição federal sem qualquer prejuízo à dignidade humana e ao direito individual e coletivo e lutar pela promoção de programas governamentais que defendem a necessidade das famílias mogianas”
Os movimentos sociais, no entanto, publicaram um manifesto – assinado por 30 entidades -, nas redes sociais para expressar a discordância e preocupação perante à matéria, em defensa do direito da comunidade LGBTQIA+, das diversas formas de família e também da necessidade do Estado ser laico e não privilegiar apenas uma comunidade religiosa, com destaque para o cristianismo.
“Trata-se de um retrocesso histórico para a nossa cidade que, de forma inconstitucional, utiliza discursos evasivos para criar possibilidades de perpetuar ações discriminatórias e excludentes contra religiões não cristãs, principalmente de matrizes africanas, mulheres e a população LGBTQIA+, já tão presentes em nossa cidade”, destaca a carta aberta.
O documento alega que “ao colocar-se como representantes uníssonos acerca dos anseios de todas as famílias cristãs da cidade, o projeto assenta-se em premissas excludentes e discriminatórias, tendo como pano de fundo a proteção da família cristã. Sabemos que as configurações de família são muito diversas, mas também, que as percepções cristãs sobre a família também o são”.
“Porém, na própria justificativa do projeto, nota-se que a família a ser protegida é a que combate a existência da pluralidade de existências e corrobora para a construção e disseminação de discursos de ódio e violência contra outras constituições familiares”, destaca o manifesto, que segue apontando outras questões consideradas divergentes no projeto.
Apesar dos protestos, tudo indica que a matéria vai ser aprovada em plenário, já que a maioria da Casa demonstrou apoio ao projeto quando passou pela primeira discussão, antes de ser retirado para análise no final de junho a pedido do vereador Milton Lins da Silva (PSD), o Bi Gêmeos
Liberdade religiosa
Na semana passada, uma outra proposta de cunho religioso foi aprovada pela maioria dos vereadores: essa outra matéria, no entanto, visa defender a liberdade religiosa.