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Igreja realiza missa especial para autistas e seus familiares

A igreja Santos Apóstolos, na Vila Virgínia, em Itaquaquecetuba, receberá às 10 horas deste sábado (22), uma celebração inédita. Incentivado por pessoas da comunidade, o padre Leandro Machado Silvestre irá presidir uma missa especial, voltada para receber os portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares. A “Missa Azul”, como está sendo chamada, […]

Por O Diário
22/01/2022 07h42, Atualizado há 55 meses

A igreja Santos Apóstolos, na Vila Virgínia, em Itaquaquecetuba, receberá às 10 horas deste sábado (22), uma celebração inédita. Incentivado por pessoas da comunidade, o padre Leandro Machado Silvestre irá presidir uma missa especial, voltada para receber os portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares.

A “Missa Azul”, como está sendo chamada, numa referência ao mês voltado para chamar atenção do público para as dificuldades enfrentadas pelas vítimas do TEA e suas famílias, será uma celebração especialmente adaptada para acolher estas pessoas. 

“Muita gente que têm familiares com autismo tem se aproximado da paróquia, alguns questionando sobre as dificuldades de frequentar a igreja, até mesmo de poderem receber o sacramento. Em alguns casos, quando o autismo dos filhos é mais severo, fica difícil ficar entre várias pessoas, há quem tenha problema com o barulho ou outras pessoas ficarem incomodadas. Desta forma, uma missa específica pode significar um abrir de portas para esta comunidade em especial. A ideia da celebração é que os portadores de autismo se sintam acolhidos, respeitados. O pensamento central é que a Igreja seja a casa de todos; ninguém pode ficar de fora, de acordo com a realidade de cada indivíduo”, afirma o padre Leandro.
Segundo ele, a proposta partiu de mães de autistas, em especial da advogada Andréa Dul, mãe de uma menina com TEA.Além dos dois, a professora Lenita Costa e Carola Salcedo, da paróquia Nossa Senhora de Fátima, estão imbuídas no propósito de promover a celebração que rezará e pedirá pelas pessoas que sofrem do espectro autista e seus familiares.
“A comunidade acolheu a ideia. Vamos ver como vai ser, não vamos pensar em quantidade, mas de acolher bem cada um que vier. Por outro lado, isso dá visibilidade para esta questão, que é importante na sociedade atual”, completou o padre.

Incentivo

E a proposta nasceu de mães de autistas. A advogada Andréa Dul, com anos de atuação no Direito Tributário, é mãe de uma menina autista. Foi ela quem começou com a ideia. “Por causa de minha filha, me especializei no direito de pessoas com deficiência”, disse ela.

A advogada Dul, em contato com diversas mães de autistas, percebeu que estas mulheres muitas vezes se sentem excluídas da sociedade. Daí surgiu a ideia de propor a realização de uma missa voltada ao tema “autismo”. 
“Se temos ‘Teatro Azul’, ‘Cinema Azul’, então podemos ter uma Missa Azul”. Isto a fez levar a proposta adiante.
Outra personagem importante para a concepção do evento foi a professora Lenita Costa, que trabalha com catequese na paróquia Santos Apóstolos.

 “O padre Leandro pediu para eu me envolver no projeto, junto com a doutora Andréa e a Carol Salcedo, que também tem um filho autista. O padre sempre teve esse olhar para as questões que envolvem inclusão social”, disse Lenita.
Para a doutora Dul, esta missa é uma oportunidade importante na qual a Igreja católica abre as portas para o acolhimento das pessoas autistas.
 
Números

Segundo dados divulgados pelos organizadores do evento, um recente estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que a cada 55 pessoas nascidas vivas, uma vem com o Transtorno do Espectro Autista. A pesquisa mostrou que os casos de autismo em meninos é 4,3 vezes maior que em meninas. E outra preocupante realidade: está crescendo o número de nascimentos de pessoas com autismo naquele País.

Segundo as organizadores, em 2004 nascia um autista a 166 nascimentos; em 2012, era um a cada 88; em 2018, um a cada 59, até os atuais 55. “A razão destes números elevados não está exatamente no aumento de casos, mas sim na universalização dos diagnósticos”, diz o informativo.

Segundo a advogada Andréa Dul, além da Igreja, as mães buscam que também as autoridades governamentais brasileiras tenham “um olhar mais acurado para os portadores do transtorno autista, em especial para seus familiares, que têm o desafio de driblar as dificuldades diárias representadas pelo enfrentamento dessa doença”.

A Paróquia Santos Apóstolos está localizada na rua Capela do Alto ,86, na Vila Virgínia, em Itaquaquecetuba. Maiores informações sobre a celebração das 10 horas podem ser obtidas pelo telefone (11) 4754-0859.

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