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Igrejas e templos veem crescer pedidos de ajuda material na pandemia

Igrejas, templos e terreiros estarão apenas com seus sacerdotes, pastores, pais de santo e auxiliares nas celebrações e atos de reflexão sobre o marco do cristianismo, a Semana Santa e a Páscoa. E isso ocorre com uma diferença identificada por lideres religiosos ouvidos por O Diário. Ao contrário de 2020, quando a religião se adaptou […]

Por O Diário
01/04/2021 10h29, Atualizado há 63 meses

Igrejas, templos e terreiros estarão apenas com seus sacerdotes, pastores, pais de santo e auxiliares nas celebrações e atos de reflexão sobre o marco do cristianismo, a Semana Santa e a Páscoa. E isso ocorre com uma diferença identificada por lideres religiosos ouvidos por O Diário. Ao contrário de 2020, quando a religião se adaptou ao diálogo virtual para oferecer o socorro espiritual às suas ovelhas, agora, com o pior agravamento da pandemia, ela exerce a função de assistir materialmente os mais impactados pela Covid-19 com a organização de campanhas para arrecadar e distribuir cestas básicas.

A busca por sobrevivência está na mensagem para a Páscoa  do bispo diocesano, dom Pedro Luiz Sgringhini, do pastor Gilberto de Paula, da Assembleia de Deus Ministério Madureira, e do pai de santo Márcio Roberto Araújo de Sousa, da Tenda Holística Caboclo Tupinambá.

 Data-símbolo da tradição judaíca para lembrar a liberação do povo hebreu da escravidão do Egito, essa festa que se manteve no calendário da humanidade tem significado marcante para diferentes povos e crenças. 

O simbologismo da palavra Páscoa, de raiz hebraica (Pesach),  grega (Paskha) e do latim (Pascha)  ganha revelo particular durante a crise sanitária mundial que sintetiza o pensamento de Jesus Cristo sobre a igualdade entre todos os homens. Páscoa significa passagem. Para os hebreus, nesta data, Javé enviou ordem a Moisés, que repassou o recado aos hebreus, garantindo a libertação deste povo.

Os judeus relembram o anjo da morte durante a décima praga no Egito. Fatos e personagens históricos se repetem, como vivemos hoje, e conceituaram os filósofos Hegel e Karl Marx.

As experiências desses povos e da sequência da crucificação, morte e ressureição de Cristo serão narradas nas celebrações que acontecerão em lives, e se tornaram o ponto de apoio para o “povo que está sofrendo, como nunca se viu antes”, como lamenta, emocionado, o pastor Gilberto. Dom Pedro afirma que o momento é de lutar pela sobrevivência e cuidar do outro e de si. Já pai Roberto de Ogum acredita que o homem interessado no crescimento pessoal e da coletividade aprenderá muito com a pandemia, que mostrou que “somos todos iguais, ricos e pobres” vulneráveis a um inimigo que não se enxerga a olho nu. 

Confira a seguir, as entrevistas com os líderes religiosos

Terá o nome de Ebenézer, a live que o pastor Gilberto de Puala, de 69 anos, conduz na noite deste domingo (dia 4) aos frequentadores da Assembleia de Deus Ministério de Madureir, instalada no bairro do Mogilar, em comemoração à data classificada por ele como a mais importante para a religião cristã porque revela o poder do “Senhor, nosso Salvador”.

Ebenézer, de origem hebraica, quer dizer “pedra de ajuda”, e remomora a passagem bíblica onde Samuel assegura: “Até aqui, o senhor nos ajudou”. “Nossa palavra será de esperança porque só vemos o sofrimento das pessoas desesperadas nos hospitais, na espera por uma UTI, na despedida de um familiar que morreu. Nunca vivemos nada parecido”, assegura, emocionado.

Com o atendimento apenas individualmente na igreja que possui cerca de 600 frequentadores, o pastor comenta que neste atual momento, as perdas e as dificuldades financeiras estão presentes na vida de “todos os que procuram a igreja”.

Segundo ele, medidas sanitárias foram implantadas desde o ano passado, com a substituição dos bancos por cadeiras. No momento, a recomdnação é que as pessoas fiquem em casa. “Eu peço para que sigam timtim por timtim o que dizem os cientistas porque os riscos são reais”, comenta, lamentando a morte de pastores e de conhecidos ao longo do último ano.

Desde 2020, o pastor afirma que as lives estão chegando às famílias, que são “o motivo, a razão da igreja”. Nessas pregações, ele busca consolar as pessoas que “estão desesperançadas porque não há leitos, não há emprego”.

Sobre isso, aliás, o religioso conta que houve um aumento de 30% na entrega de cestas básicas. Inclusive, com uma procura ativa entre os membros que “não se sentem à vontade para pedir auxílio, mas que, sabemos, estão em dificuldades”.

Dom Pedro Luis Stringhini

É um momento de resistência e sobrevivência. “Nós estamos resistindo, lutando para sobreviver”. Tem esse tom a mensagem do bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, sobre “a segunda onda da Covid-19 que nos deixa cansados, apreensivos”, diante das dificuldades impostas a todos. “Nós continuamos com as celebrações, inclusive na Páscoa, seguindo as mudanças como o adiantamento dos horários das missas em uma hora, para atender às normas sanitárias. A nossa mensagem de Páscoa é de espernaça, de transformação, embora o momento seja marcado pela apreensão e temor. Estamos fazendo o possível para dispersar o evangelho e não dispersar as ovelhas. E o nosso rebanho não está disperso, tem  nos acompanhado virtualmente”.

Para o bispo, o afeto tornou-se o fermento para a passagem pela pandemia. “Orações feitas em frente a hospitais, como aconteceu em Poá, são os pequenos gestos possíveis e que falam sobre a necessidade de se alimentar o espírito das pessoas”.

A Diocese de Mogi das Cruzes está fortalecendo, nas paróquias, e também na sede da Cúria, o recebimento de alimentos. A Pastoral da Criança, disse ele, identificou um aumento das necessidades nas famílias mais pobres e atingidas pelo desemprego. “As pastorais vão às casas das pessoas. Tudo feito com cuidado porque as medidas de distanciamento precisam ser tomadas, é preciso obedecer a ciência”.
Dom Pedro lamentou o “desgoverno federal” e defendeu que felizmente o Congresso, governadores e prefeitos estão enfrentando a pandemia, para minimizar o desastre nacional. “Temos um Congresso tentando tomar as rédeas, domar o presidente, o que não é fácil, é como se diz, quando o comando, a cabeça, não pensa, o corpo padece, o povo padece”.

Pai Roberto de Ogum

Nascida no espiritualismo, a umbanda tem raízes no cristianismo, embora, nem todos os seus seguidores celebrem datas cristãs, como a Páscoa. É o que explica Márcio Roberto Araújo de Sousa, conhecido como Pai Roberto de Ogum, da Tenda Holística Caboclo Tupinambá, que está fechada desde o ano passado por imposição das restrições de cultos e celebrações religiosas.

O atendimento dado por ele vinha acontecendo por reuniões virtuais. Pai Roberto afirma que boa parte das pessoas que procuram a umbanda vem da tradição católica. Oxalá personifica Jesus Cristo, no sincretismo que caracteriza essa manifestação religiosa.

Como a umbanda crê na reencarnação,  morte de Cristo passa a ser encarada de uma maneira diferente.
Na pandemia, conta o líder religioso, a caridade praticada nas tendas e terreiros foi ainda mais acentuada, por meio do socorro espiritual e material. Ele também relata um aumento da procura por conselhos e ajuda. “Problemas de dinheiro e de emprego são os que mais levam as pessoas a se aconselharem com um pai de santo”, comentou.

O amor ao próximo, máxima de Jesus de Cristo, poderá ser ainda mais valorizado pela pandemia, a visão de Roberto de Ogum. “Mas, isso, para quem está em busca da evolução espiritual. Vemos que muitas pessoas continuam sem entender que o outro precisa de nós”, diz, referindo-se às dificuldades que os governos enfrentam para inibir as aglomerações. Um legado desses tempos, acredita, será uma maior união entre as religiões. “Os sacerdotes estão entendendo que um precisa do outro”, resume, acreditando que os desafios vão além da ajuda financeira aos que “estão perdendo o controle, deprimidos e sem esperança”. Um alento, acredita, é que todos evoluem, aprendem  sempre alguma coisa, 

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