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Vegetação cobre parte do rio Tietê que espera por desassoreamento

Desde o final da década passada, a contratação dos serviços de desassoreamento do rio Tietê, a partir da ponte da avenida João XXIII, até o Córrego do Sabino, próximo do ponto de captação de água, é tratado pelo Governo do Estado e a Prefeitura de Mogi das Cruzes. O problema, ali, está à vista de […]

Por O Diário
14/08/2021 08h11, Atualizado há 60 meses

Desde o final da década passada, a contratação dos serviços de desassoreamento do rio Tietê, a partir da ponte da avenida João XXIII, até o Córrego do Sabino, próximo do ponto de captação de água, é tratado pelo Governo do Estado e a Prefeitura de Mogi das Cruzes.

O problema, ali, está à vista de todos. Quem passa pela avenida não consegue mais enxergar, e isso faz tempo, a linha d’água do Tietê. O curso do manancial está completamente tomado por vegetação, um sinal de alto nível de poluição.

Em alguns períodos do ano, quando a correnteza costuma levar essas plantas rio abaixo, o visual pode mudar temporariamente. Mas, no mais das vezes, a paisagem verde é constante e revela a demora em se conseguir a despoluição das águas.

Em 2018, reportagens em nosso arquivo, já falavam sobre os estudos para a limpeza, feitos pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), em conjunto com a Prefeitura, e com a promessa de se utilizar os recursos do Fehidro, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos, que reúne o dinheiro público destinado ao desenvolvimento de projetos e ações diversas, como as de educação ambiental, para preservar e proteger os recursos hídricos do Estado de São Paulo. 

A caminho do quarto ano, a atualização das informações sobre esse processo, feita na quinta-feira, pelo secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, revela que ainda não há uma data para se finalizar a licitação pública lançada em 2020.

Segundo Penido, a limpeza desse trecho mogiano do rio, anunciado no começo do ano passado, como uma parte de um projeto de R$ 20 milhões em obras de drenagem na Grande São Paulo, ainda está em fase de licitação. 

O secretário reuniu-se com os prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) em Mogi das Cruzes.

Questionado pela imprensa, ele não definiu um prazo para início dos trabalhos, como este jornal noticiou.

Esse dinheito para a limpeza foi liberado, segundo o secretário, durante a reforma administrativa aprovada na Assembleia Legislativa.
O plano prevê a retirada de sedimentos de um trecho de cinco quilômetros de extensão, a partir do córrego Sabino até a ponte da Av. João XXIII. Não há plano, no horizonte próximo, para uma limpeza a partir desse ponto, quando o manancial recebe boa carga dos poluentes vindos do esgoto residencial de bairros como o Socorro e a região central.

Para explicar a demora, o secretário defendeu que “o prazo de licitação sempre tem aquela questão que a gente abre a proposta, mas tem o prazo de recurso, contrarrecurso, questões judiciais. Eu gosto de dar o prazo depois que termina o processo de licitação, ele volta para a gente e eu dou o prazo. Durante a licitação tem todos os prazos que precisam ser respeitados”.

Desse projeto, fez parte a limpeza do rio Jundiaí, cujos serviços terminaram em abril passado, com a retirada de 38,6 mil metros cúbicos de sedimentos de três quilômetros do manancial entre a avenida das Orquídeas, em Mogi das Cruzes, e a rua José Pereira, em Suzano. 

Sem prazo para o início da atuação da empresa vencedora, o rio Tietê seguirá encoberto por plantas aquáticas.
Uma limpeza integral do rio Tietê, em Mogi, apenas aconteceu uma vez: na década de 1990. Após isso, ações pontuais foram manejadas pelo Governo do Estado.

O rio paulista; ele nasce em Salesópolis

Principal rio paulista, o Tietê tem os primeiros filetes d’água nascidos em  Salesópolis.

Ali, aliás, um parque estadual garante a proteção desse recurso hídrico que nasce e morre ao longo dos seus 1.100 quilômetro de extensão.

Já em Biritiba Mirim, ele começa a receber as primeiras cargas de poluição.

Planta sinaliza o avanço do  desequilíbrio no manancial

Águapés, alfaces d’água e outras vegetações que se proliferam no rio Tietê, em diversos pontos, são efeitos da poluição, não de saúde.

Um rio saudável tem águas que circulam livremente para compor o ecossistema ribeirinho.

Em Mogi das Cruzes, não apenas na região da ponte João XXII, mas também nos trechos do Socorro, Rodeio, Ponte Mogilar e Braz Cubas, os bolsões de vegetação são comuns.

Além desse desequilíbrio, o manancial sofre com o emaranhado de lixo e de raízes, de vegetação morta, que denunciam quanto falta para os programas de despoluição melhorarem as condições de vida do rio.

Com berço em Salesópolis, o rio Tietê caminha por Biritiba Mirim, onde já começa a receber a primeiras cargas de poluição residencial, e chega a Mogi ainda com uma qualidade razoável. Porém, a partir de César de Souza e Socorro, os índices do esgoto aumentam fortemente, transformando a paisagem e o odor sentido por quem vive ao lado dele. 

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