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Lideranças da cidade renovam disposição para lutar contra o pedágio na Mogi Dutra

As declarações do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) a favor da instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, em vez de desaminar, contribuíram para reascender os ânimos de lideranças da cidade na luta contra a construção de uma praça de cobrança de tarifas na porta de entrada da cidade. Mais determinados ainda, o prefeito Caio Cunha […]

Por O Diário
23/07/2021 19h45, Atualizado há 61 meses

As declarações do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) a favor da instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, em vez de desaminar, contribuíram para reascender os ânimos de lideranças da cidade na luta contra a construção de uma praça de cobrança de tarifas na porta de entrada da cidade. Mais determinados ainda, o prefeito Caio Cunha (PODE), deputados e representantes do movimento se mobilizam para reforçar a pressão política contra o governo e seguir em frente com a batalha judicial contra a medida,

Na opinião do prefeito, as observações feitas pelo vice, durante a visita dele à Ferraz de Vasconcelos, na quinta-feira (21) de que a cidade poderia ser beneficiada com o projeto da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) de concessão Lote de Rodovias Paulista, que prevê o pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP 088), demonstra falta de conhecimento sobre o assunto.

“Ele disse que pela experiência que o governo do Estado tem em fazer concessão de estrada sempre traz melhorias para a cidade e para as pessoas. Gostaria que ele respondesse uma pergunta que fica ecoando em minha cabeça: qual seria o benefício que ele diz que o pedágio vai trazer para os mogianos e mogianas? Acho que ele não deve conhecer muito bem o projeto da Artesp, porque ao contrário do que ele afirma, Mogi não vai ter nenhum benefício com o pedágio, pelo contrário, a cidade só será muito penalizada com a medidas”, comenta o prefeito.

Cunha alega ainda que essas declarações do vice já eram esperadas pela postura que o Estado vem assumindo até o momento, ao se recusar a rever o projeto, porém, o prefeito volta a garantir que “Mogi não vai aceitar esse pedágio”.  

Para isso, além da mobilização política, ele cita também os recursos apresentados pela Procuradoria Geral do Município junto ao Tribunal de Justiça (TJ) e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP)  para suspender o edital de concessão.

O chefe do executivo afirma que que a procuradoria “está otimista” com os resultados desas ações que comprovam os impactos negativos do pedágio para o desenvolvimento econômico e social para a população da cidade.

Segundo Caio, houve uma sinalização positiva do TC diante das “inconsistências” das respostas que foram encaminhadas pela Artesp, ao ser questionadas pelo órgão, que pediu explicações e justificativa para pedagiar a estrada. Caso não consiga os resultados esperados nas instâncias iniciais, Cunha garante que a Prefeitura vai lutar com todas as armas e se preciso, irá até as últimas instâncias da Justiça para impedir esse pedágio na Mogi-Dutra”.

Mobilização Política    

O deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) também disse que as declarações de Garcia já eram esperadas por conta da resistência do governo em rever esse processo. Ele conta que o governador João Doria (PSDB) se recusa a receber os representantes da região para conversar sobre o assunto, apesar dos pedidos insistentes dos políticos.

Na opinião dele, o governo não quer voltar atrás porque quer transformar a Mogi Dutra em um corredor de “caça-níquel” para arrecadar recursos que está precisando para realizar obras nas rodovias litorâneas. Por isso, acredita que momento agora é de intensificar a campanha contra o pedágio e usar todas as armas: mobilização popular, politica e jurídica.

Sobre o processo de judicialização, ele diz que confia na Procuradoria Geral da Prefeitura que vai realizar todos os esforços para impedir “essa aberração que é o pedágio na Mogi-Dutra, uma violência contra a nossa cidade”.

O deputado estadual Marco Damásio (PL), também reforça a disposição em continuar nesta luta e diz que não vê de que forma a cobrança poderia beneficiar cidade. “Nenhuma compensação financeira para a cidade, como está sendo argumentado, amenizará o impacto negativo que esse pedágio trará para a nossa economia. Os fretes ficarão mais caros, o custo de vida das famílias que usam a rodovia para se locomover ficará mais caro, a cidade e a região ficarão menos interessantes para futuros investimentos. É lamentável e vamos seguir defendendo a retirada dessa proposta do projeto”, avalia.

Movimento

O líder do movimento ‘Pedágio Não”, Paulo Boccuzzi, foi outro que lamentou as declarações de Garcia, apesar de observar que essa não é uma informação nova para a cidade, considerando “o interesse de governo em colocar o pedágio em Mogi para fazer com que a cidade seja o maior centro de arrecadação de uma concessão que nada tem a ver com a gente”.

Ele entende que em vez de desaminar, “este é o momento de elevarmos o tom e retomar a manifestação para passar o nosso recado”, mostrando o repúdio da cidade diante desse projeto Artesp.

Já há uma manifestação solidária agendada para o próximo sábado (31), entre as 9 e 12 horas, no trevo de entrada da cidade. Os organizadores vão aproveitar o protesto para arrecadar alimentos.

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