‘Linhas do Itapety’ bordam panfletos para combater o racismo, fome e feminicídio
Durante a pandemia, um grupo formado por mulheres começou a bordar panfletos com temas específicos sobre lutas sociais como o combate à fome, racismo e à violência contra a mulher e o trabalhador. Criado por pessoas de esquerda, o Coletivo Linhas do Itapety está completando o primeiro ano de vida. As participantes usam linhas, desenhos […]
09/12/2021 06h34, Atualizado há 57 meses
Durante a pandemia, um grupo formado por mulheres começou a bordar panfletos com temas específicos sobre lutas sociais como o combate à fome, racismo e à violência contra a mulher e o trabalhador. Criado por pessoas de esquerda, o Coletivo Linhas do Itapety está completando o primeiro ano de vida.
As participantes usam linhas, desenhos coloridas e o tecido para produzir mensagens sobre questões sociais atuais como a defesa pela educação e o combate à pandemia. Esses “panfletos”, como define a professora Beatriz dos Reis, não são comercializados.
Os manifestos artesanais são dispostos em varais em atividades políticas ou populares, como aconteceu por acasião das comemorações da Consciência Negra, em Mogi das Cruzes, ou na homenagem feita ao educador e filósofo Paulo Freire (1921/1997), na Universidade do ABC, quando as “linhas mogianas” foram convidadas e entregaram à instituição um bordado dedicado ao pensador reconhecido pela luta e contribuição à educação.
Bia, como é chamada, conta que nem todas as participantes bordam, ou são filiadas ao mesmo partido. “Muitas chegam para aprender a bordar e nem todas têm o mesmo partido ou são ativistas, porém, todas, têm o pensamento alinhado à esquerda”, conta. Outras, mesmo sem ter a habilidade, ajudam, captam os materiais usados pelas bordadeiras ou divulgam o coletivo.
O Linhas do Itapety integra um movimento maior, formado por núcleos mais antigos e fundados em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Santos e Aracaju. “É um movimento que usa o bordado para agir politicamente em defesa de causas sociais importantes. A nossa defesa é pelos direitos humanos, a democracia”, diz ela.
Nas comemorações da Consciência Negra, em Mogi, um dos bordados foi doado ao vereador Idugies Ferreira Martins (PT), um dos autores do projeto de lei que instituiu o feriado do Dia da Consciência Negra, que deve ser comemorado no ano que vem.
Se tivesse de resumir o objetivo do Linhas do Itapety, Bia dos Reis, usaria uma frase: “lutamos em defesa da democracia”. Um das bandeiras é o “Fora Bolsonaro”.
Entre os bordados destacados por ela, está o que atualiza o total de mulheres vítimas da violência no Brasil, ou o tamanho da fome entre os brasileiros. “Somos mulheres que lutam pelo fim do feminicídio, das injustiças, e nossos bordados são panfletários”.
A professora comenta que, a criação desse ideal, em meio à pandemia, serviu para manter quem sempre estava nas ruas, na atividade política, atuante. “Chegou na hora certa para esse grupo”.
Essa ferramenta de comunicação tem um viés interessante: o da sustentabilidade e da produção de um panfleto que atrai pela beleza das linhas e cores, e dificilmente acaba sendo jogado no lixo por quem o recebe, como acontece com a publicidade panfletária.
Como as condições da pandemia começam a permitir, o Linhas do Itapety sai de casa, nesse sábado, às 14 horas, para festejar o aniversário no Parque Centenário.
Uma conta no Instagram atualiza a produção com o nome Coletivo Linhas do Itapety. Contatos com as integrantes podem ser feitos pelos telefones 9-8564-4887(Bia) ou 9-9559-2555 (Lucy)..