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Maioria de óbitos e internações em Mogi é de pacientes com quadro vacinal incompleto

Os números apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde comprovam que a maioria dos casos de mortes pela Covid-19 no município, assim como em todo o País, é de pessoas com o esquema vacinal incompleto. A imunização, segundo os especialistas, ajuda a diminuir risco de a doença evoluir para quadros mais graves e reduz a necessidade […]

Por O Diário
12/02/2022 09h39, Atualizado há 54 meses

Os números apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde comprovam que a maioria dos casos de mortes pela Covid-19 no município, assim como em todo o País, é de pessoas com o esquema vacinal incompleto. A imunização, segundo os especialistas, ajuda a diminuir risco de a doença evoluir para quadros mais graves e reduz a necessidade de internações. Isso pode ser observado com a queda do número de mortes registradas nas primeiras semanas de 2022, em comparação com o mesmo período do ano passado. 

Nos primeiros 40 dias de 2021, houve saldo de 45 mortes em Mogi. Já neste ano, os dados apresentados pela Prefeitura revelam que até o dia 9 de fevereiro foram registrados 37 óbitos provocados pelo coronavírus. Os especialistas dizem que o número poderia ser mais reduzido se todos estivessem com a imunização completa. Para se ter uma ideia, do total de 37 óbitos em 2022, oito pessoas não tinham sido vacinadas e 29 chegaram a tomar o imunizante. No entanto, entre as vacinadas, 20 tomaram duas doses e apenas 9 receberam três doses.

No início deste ano, Mogi registrou aumento significativo de casos positivos, que triplicaram em janeiro em comparação com dezembro, após as festas de fim de ano.  Os números de pessoas infectadas pela doença nos primeiros 40 dias de 2022 são praticamente idênticos aos detectados no mesmo período do ano passado. A diferença é que naquela ocasião a cidade enfrentava problemas com hospitais com 100% de leitos ocupados. 

Neste ano, até o dia 10 de fevereiro, os percentuais estavam em 8,2% das vagas de UTI preenchidas e 6,6% de enfermaria, uma situação bem mais tranquila. Um levantamento realizado pela Pasta no final de janeiro no Hospital Municipal mostrou que 96% dos internados haviam recebido uma ou duas doses da vacina; e 4% nenhuma dose. Entre os 96% vacinados, 58% receberam as três doses e o restante não apresentou quadro vacinal completo.

No total, até esta quinta-feira (10), a cidade com população estimada pelo IBGE em 450 mil habitantes, em 2020, havia aplicado 371.718 primeiras doses da vacina (82,4%), 334.739 segundas doses (74,25%); e 164.442 terceiras doses (36,47%). A dose única imunizou 10.302 (2,28%).

A Secretaria da Saúde estima que hoje são cerca de 18 mil segundas doses em atraso e/ou com prazo vencendo. A busca ativa se mantém por meio das unidades em seus territórios e pelo SIS 160, que efetua ligações para as pessoas oferecendo o agendamento. O trabalho, segundo a pasta, é extremamente positivo, principalmente em casos de esquecimento ou dúvida.

Sinais de queda

Os profissionais da Saúde que estão na linha de frente do atendimento a pacientes com a Covid-19 confirmam que, apesar de os números serem preocupantes, com aumento de casos na cidade nos últimos 40 dias e média móvel de mortes no País acima dos 800 por dia, a tendência, a partir de agora, é de estabilização, com a curva de casos conhecidos começando a cair.

“Não posso afirmar que o pior já passou, porque os números são muito preocupantes”, observa o biomédico Marcello Delascio Cusatis, o Téo, diretor do Hospital Santa Maria, em Suzano, e ex-secretário de Saúde de Mogi das Cruzes. Ele conta que, no final do ano passado, com a ampliação da cobertura vacinal, o hospital estava até avaliando a possibilidade de fechar o PS para atendimento de casos respiratórios. A intenção era unificar e manter apenas um local para todos os casos, porém o cenário mudou novamente no início do ano com a circulação da variante Ômicron, agravada pelo surto gripal.

Segundo Cusatis, em dezembro, 6% dos casos de suspeitas de pacientes com os sintomas que eram atendidos na unidade testavam positivo para a Covid-19. Em janeiro esse percentual saltou para 56%. Porém, nesta semana, os números tiveram uma redução significativa, sendo que agora a cada 100 testes feitos, 22 estão positivos, o que demonstra a tendência de estabilização.

Porém, mesmo no período mais complicado da doença, o número de mortes e internações foi bem menor do que no início do ano passado. Na avaliação dele, o que contribuiu para isso foi o avanço da imunização, que apesar de não ter conseguido evitar a infecção, amenizou a gravidade de casos graves da doença. 

 “A vacina não tem evitado a contaminação, mas sim o agravamento de doenças”, esclarece o diretor, ao observar que o efeito do aumento das imunizações diante do grande número de pessoas contaminadas com a nova cepa, que desde o seu surgimento deu evidências de ser um vírus de elevado poder de transmissão. “Não tenha dúvida que 80% dos óbitos que estão acontecendo são de pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto”, reforça. Para exemplificar, ele cita casos de profissionais de saúde, que mesmo em contato com os pacientes infectados não tiveram muitos problemas. “Aqui, nenhum deles foi internado”, observa o diretor do Santa Maria. 

Para ilustrar melhor, Téo lembra que os atendimentos no PS do hospital, em janeiro bateram recorde, com aproximadamente 10 mil consultas – mais de 550 por dia -, mas mesmo assim, explica que a taxa de conversão em internação não chegava a 1%. Nesta semana, ele disse que havia apenas dois pacientes internados na UTI com a Covid-19 no hospital de Suzano. 

Diversos estudos e pesquisas também comprovam que a maioria dos pacientes que precisam de internação não tomou todas as doses do imunizante. Números divulgados nesta semana, após estudo realizado no hospital Emilio Ribas, apontam que 82% dos óbitos dos internados por Covid-19 não tinham esquema vacinal com as três aplicações. O levantamento foi realizado, nos últimos três meses, na unidade, referência para atendimentos de casos graves do coronavírus. Os números da Secretaria de Saúde de Mogi também mostram que o maior número de mortes por Covid-19 foi de pessoas com ciclo vacinal incompleto.

Apesar de os números favoráveis sobre efeitos da imunização, muita gente continua resistindo à vacina. De acordo com Téo, mesmo internados, muitos dizem que não querem se vacinar por diversos motivos. Alguns são contra tomar remédios, outros alegam que ainda faltam estudos e dados científicos sobre as consequências futuras que o imunizante pode provocar no organismo, afirmam interesses da indústria farmacêutica. Mas o que se percebe é que as pessoas têm medo de não ter a consolidação, prazos de estudos e afins. 

Pelo menos 20% não querem tomar a vacina, ressalta o biomédico. “Essas pessoas têm que entender que a questão não é apenas o perigo de se contaminar, mas também de transmitir aos outros e ter complicações com a Covid-19 é um problema muito grande”, comenta Téo, que teve problemas com um médico do hospital que se recusava a tomar a vacina e até mesmo a usar máscaras e preferiu ser demitido a mudar de comportamento. Tem informações de que pais separados estão entrando em disputa judicial por falta de um consenso sobre a vacina dos filhos.  

Reforço 
A médica coordenadora do setor de Urgência e Emergência do Hospital Santa Maria de Suzano, Débora Ramos Nogueira, confirma que as pessoas com esquema vacinal incompleto estão mais propensas a se infectar e destaca a importância da terceira dose para aumentar a presença de anticorpos neutralizantes contra a Covid-19.

O reforço da vacina, como explica a médica, diminui de forma expressiva o desfecho grave da doença e os óbitos causados por ela. “Por isso é tão importante a conscientização da importância do esquema vacinal completo preconizado. Apesar dos fatores intrínsecos que podem demonstrar uma variação na efetividade das vacinas, observamos que aqueles indivíduos com esquema vacinal completo, quando infectados, desenvolvem sintomas leves, limitados e podem ser tratados de maneira domiciliar”, afirmou.

Apesar de confirmar a necessidade do reforço da terceira dose, Marcello Cusatis entende que o governo, que após a terceira aplicação, já discute a possibilidade de mais uma dose, deveria mudar esse conceito de reforço, 
Ele acha que em vez de anunciar mais uma dose, o certo seria fazer um programa anual de vacinação, como acontece atualmente com a vacina contra a Influenza, que segue um ciclo anual. 

O biomédico ressalta também que, mesmo com a proteção da vacina, é importante manter os protocolos de segurança, o uso de máscaras e evitar as aglomerações como as que aconteceram nas festas de fim de ano. “O carnaval está chegando e se as pessoas não se cuidarem, podemos ter novo aumento de casos”, alerta.

Atriz assume que é contrária à vacina

O episódio envolvendo a atriz Elizângela do Amaral Vergueiro, de 67 anos, chamou atenção porque, mesmo após ter ficado internada por complicações da doença, ela continua dizendo que não vai se vacinar. A artista, que pegou o vírus e teve que ser internada em estado grave por Covid-19, admitiu que não se vacinou contra a doença, e assim que teve alta, concedeu entrevistas virtuais a alguns canais e sites de notícias dizendo que o imunizante é um “experimento”.

“Não posso e não quero, não é vacina, é experimento. Já está mais do que declarado, pelo próprio criador da vacina, que é realmente um experimento. Eu não sou cobaia. Sou a favor das vacinas, sempre tomei, mas nesse momento, não”, disse em uma live realizada com o ator e jornalista Thony Di Carlo, na semana passada. 

Ela afirma que está em ótima recuperação das sequelas provocadas pela doença, mas admitiu que ainda precisa fazer uso de oxigênio. 

A atriz classificou como “fake news” as acusações de que seria antivacina. Ela afirma que sempre se vacinou, como todo mundo e que vai tomar a vacina da gripe.

No mês passado, a artista ficou internada em um hospital municipal da cidade de Guapimirim (RJ) com sequelas da Covid. Ela teve alta no dia 23 de janeiro.  

“Se eu tive [Covid] foi muito leve, durante todo esse tempo. Busquei me fortalecer, fazer as coisas que poderia botar meu organismo legal, firme, zinco, aquelas coisas, vitamina D, e foi o que fiz durante todo esse tempo. Ninguém aqui em casa teve”, afirmou.

 Elizângela já tinha provocado polêmica ao se manifestar publicamente,  no final de 2020,  contra a vacinação obrigatória para evitar a Covid. 

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