Máscaras são encontradas largadas em ruas de Mogi; especialista aponta risco
Cena que se tornou comum – e que revolta boa parcela da população: máscaras faciais de prevenção à Covid-19 podem ser encontradas abandonadas em sarjetas das ruas, praças e no chão de outros locais públicos de diferentes bairros de Mogi das Cruzes. Costumam ser mais afetados os centros comerciais, de grande movimento, como a rua […]
21/01/2022 13h52, Atualizado há 55 meses
Cena que se tornou comum – e que revolta boa parcela da população: máscaras faciais de prevenção à Covid-19 podem ser encontradas abandonadas em sarjetas das ruas, praças e no chão de outros locais públicos de diferentes bairros de Mogi das Cruzes. Costumam ser mais afetados os centros comerciais, de grande movimento, como a rua Dr. Paulo Frontin, no Centro. Além de refletir ‘falta de educação’ de quem descarta o equipamento de proteção individual (EPI) de maneira incorreta, a prática também traz riscos à saúde, criando novos vetores de contaminação.
Marcello Delascio Cusatis, mais conhecido como Teo, que é biomédico, ex-secretário municipal de saúde e atual diretor do Hospital Santa Maria, de Suzano, comentou o assunto.
“Infelizmente, isso mostra um pouquinho da nossa cultura. Se a gente joga a máscara no chão, o que mais não jogamos, até nos bueiros? As enchentes são provocadas por isso. É uma questão difícil. Imagina se a máscara está contaminada. É falta de conscientização individual de quem faz isso”.
Sobre os riscos, ele diz que, “se a máscara é usada para nos proteger, o lado externo pode estar com vírus”. Portanto, para que o objeto não contamine outras pessoas, é preciso “amarrar e jogar no lixo”, diz.
Neste momento de chuvas intensas em Mogi, a preocupação com o lixo nas ruas e enchentes também é válida. Já organizações de causas ambientais também alertam para o impacto de máscaras descartadas de forma incorreta no meio ambiente.
Na opinião de Teo, a situação é comparável a, “quem usar droga injetável, jogar a seringa no chão, ou então um preservativo usado”.
O biomédico reforça a necessidade do bom senso. “Como exigir da prefeitura ou dos governos? É complicado. É uma questão de postura individual”.
Segundo o Instituto Akatu, ONG voltada para o consumo consciente, desde o início da pandemia, já foram mais de 12 bilhões de máscaras jogadas fora. Não há dados sobre o volume de máscaras descartadas em São Paulo ou Mogi, mas basta uma volta rápida pela cidade para encontrá-las
A reportagem flagrou, em ruas de diferentes bairros, o descarte irregular do EPI. “É só dar uma volta aqui pelo centro que você vê muitas máscaras aí, no chão, até na porta de casa tem, no meu portão.
A gente fica preocupado de manusear. Pior ainda para o pessoal que limpa as ruas”, comenta o aposentado José Cristaldo, de 80 anos, morador do Mogilar. “Seria ótimo que essas pessoas tomassem cuidado. Eu faço minha parte explicando para os netos descartarem da forma correta e tudo mais”, finaliza ele.
Algumas recomendações devem ser seguidas no momento do descarte. De acordo com o setor de Controle de Infecções da Vigilância Sanitária, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), esses materiais, após utilizados, não devem ser colocados diretamente na lixeira, mas embalados em saco plástico, e também não devem ser misturados com materiais recicláveis. Veja mais dicas do órgão abaixo.
Obrigatoriedade
O uso do item de proteção em locais abertos segue obrigatório. Em 24 de novembro, o governo de São Paulo havia anunciado que o uso do acessório ao ar livre seria liberado a partir de 11 de dezembro. Mesmo com essa ‘liberação’ a Prefeitura de Mogi tomou caminho diferente.
A cidade manteve obrigatória o uso do das máscaras. Poucos dias depois o Estado voltou atrás da decisão, sem mudanças até os dias atuais.
Campanha de vacinação
Há um ano as cidades que integram o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) davam início à campanha de imunização contra a Covid-19 na região. Na área do consórcio, 80,78% da população regional já recebeu pelo menos a primeira dose ou a dose única da vacina.
Ao longo da campanha, os municípios seguiram as diretrizes do Plano Estadual de Imunização (PEI), priorizando a vacinação de grupos formados por idosos, trabalhadores das áreas de saúde, educação, segurança e transporte público, além de pessoas com comorbidades. Na sequência, a vacinação foi aberta para a população em geral com escalonamento por idade. No último sábado (15), após muita expectativa, os municípios receberam as primeiras doses para a imunização de crianças de 5 a 11 anos.
“Apesar do atraso no início da imunização da população, não somente na nossa região, mas em todo o Brasil, os municípios vêm cumprindo o seu papel ao longo deste ano e hoje podemos celebrar o avanço da vacinação e os resultados disso, com uma queda significativa na letalidade em decorrência da doença”, disse a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do Condemat, Adriana Martins.
De acordo com dados apurados diariamente junto às vigilâncias epidemiológicas dos municípios, o número de óbitos pela doença começou a cair a partir do mês de agosto do ano passado, quando boa parte do público prioritário, formado por idosos, já estava com o esquema vacinal completo. Em julho de 2021 a média diária de óbitos era de 28,9; já no mês de dezembro caiu para 1,1.