Médica intensivista em Mogi alerta: “redução de casos não nos torna imunes”
Nos últimos dois meses, as internações graves e mortes causadas por complicações da Covid-19 têm se concentrado mais em pacientes entre 50 e 60 anos. Segundo a médica coordenadora de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Fernanda Rúbia Negrão Alves, atualmente é raro encontrar pessoas idosas na UTI por infecção pelo novo coronavírus, como ocorria na […]
11/07/2021 09h15, Atualizado há 61 meses
Nos últimos dois meses, as internações graves e mortes causadas por complicações da Covid-19 têm se concentrado mais em pacientes entre 50 e 60 anos. Segundo a médica coordenadora de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Fernanda Rúbia Negrão Alves, atualmente é raro encontrar pessoas idosas na UTI por infecção pelo novo coronavírus, como ocorria na primeira onda da doença.
“No início da pandemia, a média de idade das vítimas era em torno de 70 anos. Na segunda onda, entre março e maio, tivemos uma variação grande, dos 25 até os 60 anos, mas agora, a faixa mais acometida possui entre 50 e 52 anos”, conta a intensivista, que trabalha no Hospital Ipiranga, de Mogi, e cuja equipe também atua nos hospitais Santa Maria, na cidade de Suzano, e Municipal, em Braz Cubas.
Segundo a profissional, além das duas doses da vacina aplicadas em idosos e maior reclusão e cuidado para evitar a disseminação da doença por parte deste público, as novas variantes do vírus podem ser responsáveis pela mudança na faixa etária de vítimas fatais da Covid. “Os pacientes jovens, geralmente, têm quadros clínicos mais graves e demandam maior sedação para conseguirmos fazer o mesmo efeito de ventilação mecânica dos idosos, além de apresentarem mais febre, o que não ocorre com as pessoas de mais idade por terem a imunidade mais baixa”, explica Fernanda.
No entanto, ela também destaca que, atualmente, um ano e meio após o início da pandemia no país, as equipes médicas contam com maior experiência sobre como trabalhar a ventilação mecânica nos pacientes e quando deve-se usar antibióticos no tratamento. “Antes, nos casos de Covid já entravam com antibiótico, mas hoje isso é mais resguardado e estes medicamentos apenas são utilizados quando há evidência de bactéria associada. Além disso, todos já estão mais acostumados a lidar com os protocolos e com a própria doença, temos mais conceitos estruturados e isso torna o dia a dia um pouco mais prático”, conta.
Apesar disso, a taxa de mortalidade pela Covid-19, segundo ela, ainda é alta e varia de acordo com o hospital, apresentando grande variação, entre 25% a 60%, em pacientes internados na UTI. “Os hospitais públicos acabam tendo uma taxa de mortalidade maior, por vários fatores, como maior volume de internações e pelo próprio perfil do paciente, que geralmente demora mais tempo para procurar assistência e não faz exames com frequência”, detalha.
Diante do atual cenário, a médica avalia que o número de mortes está estabilizado no país, em um platô não muito confortável, mas distante do complicado momento enfrentado em março e abril, quando havia fila de 10 a 15 pacientes esperando por vagas de UTIs em todo o país. “Hoje, temos ocupação de 90% a 95% nas UTIs, mas a situação é mais confortável do que há alguns meses, e isso pode ser atribuído não apenas à redução de casos, mas também à abertura de novos leitos, o que de certa forma, acomodou esta demanda”, considera.
Além da importância de manutenção dos cuidados preventivos à disseminação do novo coronavírus, mesmo após a vacinação e até que grande parcela da população esteja imunizada, Fernanda lembra que a vacina não é considerada 100% efetiva. “Existe o conceito de redução de casos, mas isso não nos torna imunes. Na época em que as vacinas foram desenvolvidas, houve pesquisas comprovando que os casos seriam mais brandos, mas novas cepas vieram e, neste cenário, ainda não houve um estudo efetivo mostrando se as pessoas vacinadas realmente não desenvolvem a doença mais gravemente, até porque, temos cepas mais fortes, que fazem pacientes mais graves”, alerta.
Por isso, a médica orienta que o momento ainda exige cuidados, principalmente com adoção de protocolos sanitários, uso de máscaras de proteção facial, álcool em gel e distanciamento social. “A exposição dos jovens é maior, tanto por causa do trabalho e uso de transporte público, como porque muitos ainda não incorporaram as medidas de prevenção à doença à sua cultura e continuam frequentando bares e eventos, desrespeitando as regras de distanciamento. Essa ainda não é uma realidade para eles”, lamenta.
Taxas de ocupação
As mudanças no Plano São Paulo, anunciadas pelo Governo do Estado, e colocadas em prática levaram em consideração a melhoria nos índices de ocupação em enfermarias e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Graças a isso, o comércio pode funcionar durante duas horas a mais, com a ampliação, ainda, da taxa de ocupação nos estabelecimentos. A volta às aulas, após o recesso escolar, também será ainda mais flexível, mas atenderá aos protocolos como uso de máscara, combate às aglomerações e a presença constante do álcool em gel nas instalações para o uso do público.