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Mogi dá exemplo e socorre as vítimas do frio; veja histórias

Cada pessoa vai para a situação de rua por um motivo individual. A maior parcela integra o grupo dos que têm ligação com problemas de saúde mental ou dependência alcoólica ou química. A pandemia também empurrou muita gente para  viver em vulnerabilidade por falta de recursos econômicos. Dentro desta singularidade, observada pela Secretaria de Assistência […]

Por O Diário
08/08/2021 10h30, Atualizado há 60 meses

Cada pessoa vai para a situação de rua por um motivo individual. A maior parcela integra o grupo dos que têm ligação com problemas de saúde mental ou dependência alcoólica ou química. A pandemia também empurrou muita gente para  viver em vulnerabilidade por falta de recursos econômicos. Dentro desta singularidade, observada pela Secretaria de Assistência Social de Mogi das Cruzes, alguns optam em não ir para uma das cinco casas de acolhimento que a cidade oferece, atualmente somando 206 vagas. Pensando em acolher essas pessoas nesse período mais frio do ano, a pasta abriu as portas do Ginásio Municipal Hugo Ramos.

Celeste Gomes comanda a Assistência Social em Mogi e diz que o momento é desafiador. Há a vontade de acolher, mas é preciso lidar com a fragilidade de cada uma dessas pessoas. O ginásio atende de um jeito diferente que as demais casas da cidade, com uma demanda espontânea e estrutura para receber casais, já que hoje a cidade oferece o serviço separado por sexo, e apenas uma delas aceita animais.

“Tamanha é a solidão que alguns vivem, que eles ‘humanizam’ um cão, por exemplo, então pensam no animal como se fosse uma pessoa. Para tentar proteger a população LGBT, eles vão para a casa feminina, para impedir que sofram preconceito, os casais também são separados, mas nem sempre isso agrada a eles. Mas a cidade não tem essa estrutura para atender a cada um desses pontos”, diz.

A partir da estrutura do ginásio, a pasta tem a oportunidade de conhecer melhor qual é a demanda existente e de que forma a prefeitura pode criar uma estrutura que atenda a maior parte dessas pessoas. Um levantamento censitário deve nortear esse estudo.
“A gente aprende todos os dias com a população de rua, sobretudo a respeitar a história dessas pessoas. Além das cinco casas, a cidade tem o Centro POP, que é uma porta de entrada para auxiliar essas pessoas, com psicólogos e assistentes sociais, mas nem todos passam por lá. Por isso um braço dele é o serviço de abordagem, que antes era realizado até as 22h, mas agora nos dias mais frios estamos virando 24 horas. Graças à equipe da secretaria, que realmente veste a camisa”, conta Celeste. 

O acolhimento no Ginásio começa às 19h e fica aberto durante a madrugada. A estrutura conta com camas, colchões e cobertores, para garantir o pernoite, além de material para garantir higienização e alimentação aos abrigados, com estrutura também para abrigar os animais.

A secretária só não imaginava que a medida adotada pela pasta repercutiria de forma tão positiva na cidade. Ela conta que a pasta é uma das que menos aparece, mas as pessoas passaram a fazer contato oferecendo alimentos, chocolates e sopas e, o melhor, demonstraram empatia com os sem-teto.

“A gente viu a comoção da cidade inteira. Recebemos doação de abrigo de idosos, alimentos, então eu acho que essa questão do ginásio foi importante porque a cidade conheceu esse público, que são seres humanos e precisam de atenção”, ressalta.
O ginásio ficará aberto a essa população de acordo com a previsão do tempo. A expectativa é de que ele seja fechado neste fim de semana, porque a estrutura pertence a outra pasta. Mas, do sentimento de dever cumprido, pontua a secretária, também nasceu a ideia do levantamento censitário e inúmeras possibilidades que ele deve mostrar sobre o atendimento às pessoas em situação de rua.

“A gente que ajuda ganha um alimento para a alma”

Há duas décadas, uma senhora de nome Odete Bueno de Almeida decidiu ampliar as refeições que fazia em casa para doar.Nascia ali o Instituto Sopa, que há sete anos, em uma época de frio, ganhou o reforço do voluntário André de Camargo Almeida. À época, ele e alguns amigos se juntaram para fazer a solidariedade e cruzaram com a iniciativa de Odete. Desde então, a missão dela também é a dele. 

O grupo faz cerca de 2 mil litros de sopa por semana, dos quais cerca de 900 são doados para famílias carentes e o restante às pessoas em situação de rua, três vezes por semana. O grupo recebe uma doação pontual de uma empresa, mas o trabalho por outros voluntários.

“A gente que ajuda também ganha um alimento para a alma. É o agradecimento de quem recebe a doação. Quando a gente está atendendo as famílias, eles ficam em fila esperando, e a gente sempre recebe as bençãos que as pessoas dão e mostram todo esse agradecimento que eles têm e isso para a gente conta muito”, destaca André. Entre os atendidos pelo grupo estão Carlos Eduardo, Kátia Cruz, Dona Jandira e Lourdes.

Interessados pelo telefone 97544-3444, ou à sede, à rua Doutor Roberto Nami Jafet, 265, na Vila Industrial, de segunda a sábado das 10h às 17h. Voluntários podem se candidatar para lavar e organizar os potes e garrafas de água que são entregues às pessoas em situação de rua e às famílias dos bairros,com ações como a retirada e entrega de doações. 

Pastor vê dobrar pedidos de auxílio durante a pandemia

A chegada do inverno desperta também o sentimento de empatia. O frio, por vezes insuportável para quem está abrigado dentro de casa com uma boa estrutura, faz lembrar de quem vive em situação de vulnerabilidade. É isso que O Diário mostra nesta edição: a solidariedade de quem oferece parte da rotina para alimentar e aquecer a quem precisa. 

Um dos exemplos é o da Associação Beneficente Fonte de Amor (Abefa), fundada em 2015 para assistir as pessoas necessitadas na cidade. A ação é um braço da igreja Manancial da Fé, da qual os membros mantêm tanto as doações quanto o trabalho voluntário. 
A associação atendia antes da pandemia cerca de 30 famílias com cerca básica e um kit de higiene e limpeza mensal, além de distribuir refeições, agasalhos e cobertores às pessoas em situação de rua. A pandemia mais do que dobrou o número de famílias cadastradas na igreja e o trabalho focou em 70 famílias. 

“É mais um povo carente, que precisa de ajuda. São mulheres que o marido abandonou com os filhos, e, agora na pandemia, nós temos muitas pessoas que ficaram desempregadas e esse é o nosso maior grupo agora. A gente conseguiu a ajuda do Fundo Social da Prefeitura nos últimos dois meses para nos auxiliar também. Apesar de hoje o trabalho ser 100% por pessoas que fazem parte da igreja, nós aceitamos voluntários de fora. Até porque, das famílias ajudadas, nem 10% são membros da nossa igreja”, destaca o pastor. 

No último mês, além das cestas básicas, a associação entregou 80 cobertores para reforçar a estrutura. Os interessados em ajudar podem ligar para 98900-7602, ou direto na sede, à rua Santo Antonio, 45, Vila Ressaca. 

Temperaturas baixas e geada  

Mogi das Cruzes ainda deve enfrentar mais uma frente fria antes do término do inverno, em 21 de setembro, quando inicia a primavera. A massa de ar polar deve chegar ao estado de São Paulo na segunda quinzena de agosto, derrubando a temperatura e com chance de uma nova geada. 

A previsão do tempo para até o dia 20 deste mês mostra que a temperatura mínima não deve ficar abaixo dos 8º C, enquanto as máximas devem variar entre 15º C e 31º  C, sem possibilidade de chuva, segundo os dados do Climatempo. 

Esta semana que começa deve ter um pouco de névoa no amanhecer do domingo e da segunda-feira. Ainda na segunda e terça-feira, as nuvens podem deixar o dia mais fechado, mas não impede que a temperatura aumente, com média de 25º C. 

A quarta e quinta-feira devem ser os dias mais quentes da primeira quinzena deste mês, com 30º e 31º C, respectivamente. Já na sexta-feira a temperatura máxima cai para 18º C e no sábado os termômetros não devem marcar mais do que 15º C.

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