Mogi dá passos para se tornar uma cidade adaptada à primeira infância
O primeiro passo para transformar Mogi das Cruzes em uma cidade adaptada à primeira infância começa a ser dado com o amadurecimento do projeto denominado “A Cidade e a Criança”, cujos detalhes foram discutidos, esta semana, em Londres, na Inglaterra, por técnicos mogianos liderados pelo prefeito Caio Cunha (PODE), com especialistas em urbanismo e políticas […]
15/10/2022 19h00, Atualizado há 45 meses
O primeiro passo para transformar Mogi das Cruzes em uma cidade adaptada à primeira infância começa a ser dado com o amadurecimento do projeto denominado “A Cidade e a Criança”, cujos detalhes foram discutidos, esta semana, em Londres, na Inglaterra, por técnicos mogianos liderados pelo prefeito Caio Cunha (PODE), com especialistas em urbanismo e políticas públicas da London School Economics and Political Science e Fundação Bernard van Leer.
Junto com estas organizações mundialmente reconhecidas, Mogi passa a fazer parte da Rede Urban95, que incentiva as cidades a promover, desenvolver e fortalecer programas e políticas públicas voltadas ao bem-estar e qualidade de vida das crianças de zero a 6 anos, em ações para incluir a perspectiva de bebês, crianças pequenas e seus cuidadores no planejamento urbano, nas estratégias de mobilidade e nos programas e serviços a eles destinados. O desafio para líderes, gestores públicos, arquitetos e urbanistas é pensar as cidades sob a perspectiva de quem tem 95 centímetros, altura média de uma criança de 3 anos.
No caso de Mogi das Cruzes, o projeto piloto das intervenções urbanas, elaborado pelo secretário Claudio de Faria Rodrigues, de Planejamento, ao lado de uma equipe técnica da Prefeitura, formada pela arquiteta e urbanista Fabíola de Almeida e a psicóloga Milena Grieco, definiu como território a região onde vive a comunidade do Jardim Aeroporto, no distrito de Braz Cubas, bairro vulnerável, na visão dos idealizadores, onde as crianças passam todo o tempo entre suas casas e a escola.
A intervenção naquela região da cidade terá como referência a Escola Municipal Florisa Faustino Pinto e três creches municipais que receberão obras para adequá-las à proposta elaborada anteriormente pelos mogianos e submetida às avaliações e comentários dos especialistas de Londres e outras partes do mundo para ajustá-la às especificidades das normas da Urban95.
“Apostamos na expansão do conceito de educação humanizada e na promoção de intervenções urbanas em ambientes escolares e seu entorno, especialmente ruas e espaços livres como elementos-chave para o desenvolvimento infantil, de maneira a criar bairros amigáveis à infância, estimulando interações positivas entre crianças e cuidadores”, afirma o secretário Claudio Rodrigues.
Longo caminho
A inclusão de Mogi das Cruzes na Rede Urban95 é resultado de um longo trabalho iniciado pelo secretário Claudio Rodrigues, que fez os primeiros contatos com a Fundação van Leer, com sede na Holanda. Com o apoio direto do prefeito Caio Cunha, foi estabelecida uma parceria e o próximo passo da equipe de Mogi foi conseguir a indicação para participar do programa, ao lado de 39 outras cidades de todo o mundo. Do Brasil, foram escolhidos ainda naquele processo seletivo os representantes de Pelotas (RS), Crato (CE), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São José dos Campos (SP). Os demais municípios foram de países como Inglaterra, Colômbia, Chile, Peru, Índia, Espanha, Portugal e Estados Unidos.
Ao final de um programa de seis semanas de aprendizado online e reuniões virtuais com o corpo docente da London School e da Fundação van Leer, as cidades foram convidadas a desenvolver e apresentar uma estratégia de intervenção para resolver um desafio local tornando a sua cidade natal um lugar melhor para bebês, crianças pequenas e seus cuidadores.
O processo de avaliação indicou dez cidades para participar de um programa de residência em Londres. Os mogianos chegaram lá e, patrocinados pela Fundação van Leer, estão na Inglaterra desde o início desta semana participando de um treinamento presencial para implementar em Mogi uma iniciativa Urban95.
O projeto que garantiu a ida do grupo mogiano para Londres mostrou um diagnóstico participativo realizado na área do projeto piloto, que compreendeu a escuta de crianças, que foram convidadas a explorar o bairro com seus professores e apresentar suas aspirações e desejos a partir da criação de desenhos e maquetes.
E será com base no resultado do diagnóstico realizado com as crianças da Escola Florisa Faustina e das creches Prof. Dirceu do Valle, Prof. Cassio Costa Neves e Profª Clara Rodrigues Nahum que a equipe pretende iniciar a implantação do projeto, com a participação de outras secretarias da Prefeitura.
“Após esta semana de aprimoramento em Londres, iremos realizar o planejamento das intervenções, reunir todos os recursos materiais necessários para a realização da intervenção – prioritariamente tintas, mobiliário e brinquedos para crianças e cuidadores”, diz Claudio Rodrigues.
Ao longo dos próximos seis meses, os mogianos receberão a assistência técnica internacional do consultor Simon Battisti (QM-Quendra Marrëdhënie), um think-tank (especialista em criar e disseminar conhecimento sobre um assunto) que trabalha com governos locais no planejamento de bairros para crianças pequenas.
“A construção do novo espaço será realizada de maneira coletiva com a comunidade, priorizando a participação das crianças e seus cuidadores, trazendo o sentimento de pertencimento e buscando uma mudança de comportamento, aumentando a interação social e o fortalecimento e articulação da comunidade”, afirma o secretário.
A realização, diz Claudio Rodrigues, servirá como aprendizagem e inspiração para a expansão das ações em diferentes bairros de Mogi das Cruzes, de modo a atingir escala e se construir uma cidade mais amiga da criança.
“Vamos requalificar espaços existentes, fortalecendo a conexão física da criança com o bairro, com rotas escolares, travessias seguras, novos espaços de lazer e uma rua de brincar para estimular o convívio social, entre tantas outras ações, explorando questões cognitivas, lúdicas e de aprendizagem”, garante o secretário Claudio Rodrigues a O Diário.
“Projeto não é só conceito; já está sendo praticado”, diz o prefeito Caio Cunha
Após acompanhar e participar dos debates sobre o projeto mogiano “A Cidade e a Criança” com os técnicos ligados à London School Economics and Political Science e à Fundação Bernard van Leer, em Londres, na Inglaterra, o prefeito Caio Cunha (PODE) se mostrou impressionado com o reconhecimento dos especialistas à disposição de uma cidade brasileira, como Mogi das Cruzes, de mudar sua estrutura urbana para se ajustar às propostas da Urban95.
“Posso dizer, com toda segurança, que os olhos de muitos países estão no Brasil, com uma expectativa muito grande do que já estamos fazendo no tema da primeira infância. Reconhecem a coragem de abraçar um tema tão relevante para a cidade, mas que, por conta da falta de entendimento, é deixado de lado pela população em geral”, afirmou ao prefeito, em contato com este jornal, por WhatsApp.
Segundo Caio, “o projeto que estamos apresentando aqui em Londres, e que já está sendo praticado em Mogi, devendo ser entregue, nos próximos meses, no Jardim Aeroporto, possui um diferencial fundamental: ele não é só um conceito, mas sim já é uma prática. Além disso, o fato de investirmos em crianças e em áreas mais vulneráveis tem captado o coração e mente dos participantes de todo o mundo que aqui se encontram.
O prefeito avalia ainda que “tem sido muito proveitosa a troca de experiências com países mais desenvolvidos, que também estão representados na Urban95”, garante Caio, que às vésperas de viajar de volta para o Brasil, neste sábado (15), faz questão de demonstrar a sua certeza em torno de um ponto: “Estamos no caminho certo!!!”
Viagem
A ida dos mogianos à sede da London School, na capital da Inglaterra, como parte das discussões sobre o projeto “A Cidade e a Criança” foi feita inteiramente às custas da Fundação Bernard van Leer, uma fundação privada holandesa, que busca desenvolver e compartilhar o conhecimento de experiências que funcionam no desenvolvimento da primeira infância.
A instituição fornece apoio financeiro e expertise para parceiros de governo, sociedade civil e privada para ajudar no teste e ampliação de meios que melhorem efetivamente a vida de crianças pequenas e suas famílias.
Entre os objetivos da van Leer estão a mobilização e o comprometimento da sociedade e poderes públicos para o desenvolvimento justo e sustentável das cidades, melhorando, com isso, a qualidade de vida das pessoas, em especial das crianças, com projetos que atuam no combate às desigualdades sociais, tão comuns no Brasil e América Latina.